As rendas fazem parte do estilo de pintura característico de
Mônica Nador 
(Crédito: UFRGS)
 
Artista plástica experiente e reconhecida, Mônica Nador sempre procurou fazer com que sua arte transpusesse o circuito comercial. “Durante a faculdade, martelavam essa ideia de que ao artista não restava outra opção a não ser o mercado. Queria desconstruir isso e criar espaços onde pudesse trabalhar e incluir outras pessoas. Sentia que estava gastando energia à toa”, relembra.
 
Nascia assim, em 2003, o Jamac (Jardim Miriam Arte Clube), uma associação sem fins lucrativos formada por artistas e moradores do bairro Jardim Miriam, na zona sul de São Paulo (SP). “Basicamente, o Jamac nasceu porque eu não aguentava mais ouvir notícias sobre assassinatos na periferia. Sabe aquela frase: onde não tem cultura, tem camburão? Queria criar um espaço cultural e distribuir renda”, explica. 
 
Paredes pintadas
Desde então, o Jamac oferece workshops e oficinas de artes e cinema digital, além de encontros e cafés filosóficos para discutir temas diversos. Porém, seu principal projeto é o Paredes Pintadas. A proposta visa pintar o muro das casas a partir de desenhos inspirados na própria comunidade. A técnica utilizada é o estêncil – feito a partir de um molde que pode ser aplicado em paredes, tecidos, madeira ou metal. “O estêncil é rápido. Qualquer um pode fazer e não exige grandes técnicas ou ferramentas”, defende Mônica.
 
O trabalho de Mônica inclui a coleta de desenhos diversos para usar em murais. Recentemente, para criar um mural em homenagem aos índios, ela lançou mão de um desenho que encontrou em vasos indígenas da região de Paraty (RJ). “É uma forma de não deixar esse tipo de arte se perder”, conta.
 
Mônica (centro) ministra oficinas na periferia de SP
 
Segregação cultural 
Para Mônica, a carência de cultura nas periferias também é fruto de uma segregação territorial que acontece na cidade. Ela lembra que muitos moradores da comunidade só foram entender o projeto do Jamac e a importância da cultura meses mais tarde.
 
“Em um bate papo no Jamac, o professor de Filosofia da USP, Celso Favaretto, explicou que aquilo que se chamou arte sempre esteve ligado à vida das pessoas, suas práticas cotidianas, à maneira de se relacionarem, se encontrarem, se sustentarem”, resume Mônica. Atualmente, a entidade conquistou o financiamento de projetos via Programa de Ação Cultural (ProAC) e ganhou o título de Ponto de Cultura.
 
“O estêncil é rápido. Qualquer um pode fazer e não exige
grandes técnicas ou ferramentas”, diz a artista
 
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