Colocar uma ideia em prática – por melhor que ela seja – envolve um conjunto de atitudes e articulações que nem sempre dependem única e exclusivamente do seu autor. O caminho que vai desde uma postura colaborativa com colegas de estudo e trabalho até a capacidade de enxergar soluções onde a maioria só vê problemas delineia o chamado “comportamento empreendedor”. Esse é o primeiro tema da série “Desafios do empreendedorismo na aprendizagem”, que o Instituto Claro passa a publicar semanalmente neste portal.

Uma das principais questões levantadas por especialistas é um paradigma que deve ser quebrado quando o assunto é o comportamento empreendedor. Para eles, a inovação não é uma capacidade exclusiva do homem das ideias, do cientista, do pesquisador. Exercer esse papel é importante, mas é preciso muito mais. Uma série de competências são necessárias, como a persuasão, a capacidade de arrecadar recursos, a articulação de pessoas, a dedicação, a habilidade de gestão e um olhar crítico que permita o aproveitamento eficaz do volume cada vez maior de informação e conhecimentos disponíveis.

“Pensar em empreendedorismo é unir forças. O poder de persuasão e de montar times é o principal. É preciso contagiar as outras pessoas a fazer do seu sonho uma realidade coletiva”, afirma José Carlos Dornelas, professor e consultor de empreendedorismo.

Essa cooperação é facilmente percebida no ambiente das tecnologias da informação e comunicação, que criam ferramentas capazes de conectar pessoas e tornar realidade sonhos e ideias. Criador do site Elefante.com, que desde 1997 organiza a agenda de milhares de pessoas na rede, Paulo Mannheimer afirma que em tempos tão dinâmicos como os que estamos vivendo, os insights na verdade representam apenas uma pequena parte da receita para o sucesso. “Os itens fundamentais passam a ser capital e pessoas. Graças às minhas experiências anteriores, eu tinha contato com profissionais que considerava capazes de me ajudarem nessa empreitada. Já o acesso a recursos foi, em parte, um dos motivos para uma ida minha à Califórnia para um MBA, pois eu pretendia tentar levantar capital de risco lá”, conta.

Empreendedores e consultores ouvidos pelo Instituto Claro destacam que colocar um projeto em prática exige um árduo trabalho, que inclui 100% de dedicação e muita perseverança. E a sociedade depende desse tipo de esforço para evoluir para uma situação melhor. “Uma ideia inovadora tem o potencial de causar impactos sociais positivos, mas o empreendedor deve ter habilidade de gerenciar e colocá-la em prática”, diz Juliano Seabra, da Endeavor.

Falando sobre empreendedorismo nos negócios, Rodrigo Borges, um dos fundadores do site Buscapé, afirma que, além de ter essa capacidade de gestão, o empreendedor precisa estar presente nas práticas diárias do projeto. “O idealizador só é empreendedor na medida em que faz acontecer participando. Ele é o principal exemplo de atitude. Se ele não atuar de igual para igual com a equipe, com certeza ela não renderá do mesmo jeito.”

Para Monica de Roure, diretora da Ashoka, esse conjunto de características ligadas ao empreendedorismo é composto muito mais por habilidades que por competências: “O empreendedor nasce com esse comportamento. O que ele faz depois é buscar orientação”. Para Dornelas, porém, o importante é como essas potencialidades podem ser desenvolvidas: “Não adianta a pessoa achar que nasceu pronta e que, por ter qualidades inatas, vai ser mais empreendedora do que o colega. Isso não é verdade”.

Posicionamentos à parte, os dois profissionais fazem coro com outros especialistas na certeza de que buscar conhecimento e aprimorar as habilidades são pontos fundamentais para o empreendedor focado na conquista de melhores resultados. Como parte desse aprendizado, vale lembrar que a capacidade de montar times evolui com a experiência, os métodos para arrecadação de recursos podem ser estudados e aprendidos, bem como os procedimentos adequados a uma boa gestão de projetos. Mas tudo isso não é suficiente sem uma forte dedicação do empreendedor. Essa sim, bem mais misteriosa, depende de razões muito pessoais, podendo vir da vontade de colocar uma grande ideia em prática ou mesmo da paixão por fazer diferença no mundo à nossa volta.

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