Merenda seca servida na ETEC Carlos de Campos (São Paulo),
no dia 4/5/2016  (Crédito: Diário da Merenda)
 
A merenda seca é um kit composto por bebida láctea, cinco bolachas e bolinho industrializado. Das 219 escolas técnicas do Estado de São Paulo (Etecs), 75 fornecem o alimento como única refeição do dia para os estudantes, segundo informações divulgadas para a imprensa. Apesar de 24% dos alunos das Etecs que estudam em período integral.
 
A merenda seca é inadequada, por não oferecer fibras, vitaminas e minerais. “Se o jovem passa de quatro a cinco horas na escola, é preferível uma alimetação com mais nutrientes. Um prato de arroz, feijão, salada e carne é mais nutritivo do que um produto pronto, principalmente em termos de proteínas, fibras, vitaminas C e do complexo B”, compara a nutricionista especializada em crianças e adolescentes, Priscila Maximino.
 
“A atividade intelectual também usa energia e, com fome, ninguém faz nada”, justifica. “Além disso, vale lembrar que a bebida láctea com achocolatado tem um perfil nutricional diferente do leite, além do kit ser rico em açúcar, que também é pouco saudável se for consumido diariamente”, completa.
 
A oferta de fruta também deveria ser obrigatória na merenda, e não ficar restrita à maçã, banana e pera, de acordo com a especialista. “O Brasil é um dos maiores produtores de frutas do mundo. Por que alimentos como uva, abacaxi e caqui não chegam a esses estudantes?”, questiona.  
 
Merenda é direito 
Vista como supérfluo por alguns, a merenda é um direito constitucional de todo o estudante. “O direito à educação está assegurado na Constituição Federal de 1988. O artigo 208 determina como dever do Estado garantir o ‘atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde’”, lembra a Coordenadora de Projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Maria Rehder.
 
Uma resolução de 2009 do governo federal também estipula o emprego de alimentação saudável e adequada nas escolas a todos os estudantes do país. “Um direito é para todos. É inadmissível que na mesma rede estadual de ensino alguns tenham acesso a arroz e feijão e outros não”, reforça.
 
Denúncia nas redes sociais
O fim da merenda seca e a instauração de uma CPI para investigar a chamada “Máfia da Merenda” são reivindicações dos secundaristas do Estado de São Paulo, que ocupam 12 escolas técnicas e duas estaduais, nesta sexta-feira (6/5), de acordo com os estudantes, enquanto o Centro Paula Souza fala em 11.
 
A plenária da Assembleia Legislativa (Alesp) também chegou a ser ocupada. “Muitos alunos estudam em período integral e não possuem dinheiro para comer nos arredores das Etecs, onde a comida é cara. A educação acaba sendo negada a esse grupo. Sem contar que a merenda seca não sustenta ninguém”, destaca Laura, de 17 anos, uma das secundaristas que participou da ocupação.
 
Para denunciar as merendas servidas nas escolas de todo o país, os secundaristas elaboraram a página do Facebook “Diário da Merenda”. “Queremos denunciar a merenda seca e a merenda reduzida, que a grande mídia não mostra. É um jeito da população acompanhar o que acontece dentro das escolas”, defende.
 
Investigada pela Polícia Civil e o Ministério Público Estadual, a “Máfia da Merenda” é um esquema de fraude na compra de alimentos de prefeituras e Estado ocorrido desde 2013, segundo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado. Há estimativa de desvio de R$ 7 milhões e envolvimento de 152 municípios. Entre os citados na investigação está o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB). A instauração de uma CPI na assembleia para investigar os desvios, contudo, tem enfrentado resistência por parte das bancadas do PSDB, PMDB, DEM e PSC. 
 
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Atualizada em 11/5/16 às 15h28
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