Imagine-se sentado na frente de um simples computador observando, de perto, a Lua, estrelas, cometas ou até mesmo outros planetas. E tudo em tempo real. É isso que faz o projeto Telescópios na Escola (TnE), criado pela Fundação Vitae e voltado para estudantes do ensino fundamental ao superior. Sob a coordenação do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo), fazem parte da iniciativa sete instituições acadêmicas ao redor do país, entre elas as Universidades Federais do Rio de Janeiro e de Santa Catarina.

divulgação

Observatório da Universidade Estadual de Ponta Grossa

O grande diferencial do projeto é aproximar os estudantes da astronomia. O que parece difícil e inatingível fica ao alcance dos olhos e das mãos: a interação entre alunos e o espaço é feita por meio de modernos telescópios robóticos instalados nos observatórios das instituições envolvidas. Os aparelhos são conectados à internet, tornando a sala de aula um observatório virtual. Pela web, os próprios alunos podem movimentar o aparelho, sem que necessite de conhecimento prévio de astronomia. “Também mantemos uma equipe nos observatórios para ajudar as escolas com informações e auxiliando nas observações”, afirma Laerte Sodré, coordenador do TnE e professor do Instituto Astronômico.

Além de possibilitar a observação do espaço a distância e em tempo real, o TnE possui uma série de atividades montadas para as instituições participantes. Em cada atividade, um pedaço da imensidão espacial para ser desvendado. O estudo das crateras lunares, o brilho e a cor das estrelas, as galáxias e os asteróides são alguns exemplos. Os projetos e o material didático podem ser acessados gratuitamente na página do projeto. O tempo de observação varia conforme a atividade escolhida. “Na atividade ‘Uma Viagem pelo Céu’, por exemplo, os observadores selecionam objetos como estrelas duplas, nebulosas, galáxias etc. Isso pode ser feito em uma única noite. Outros podem durar meses”, explica Sodré. Neste caso, para viabilizar o projeto, estão sendo criados bancos de dados com observações anteriores.

Interdisciplinaridade

Mas ficar no mundo da lua não significa estar distante das outras disciplinas escolares. No projeto Telescópios na Escola, a astronomia torna-se uma atividade interdisciplinar. “Com ela, aprende-se conceitos de física, matemática, química, geologia, geografia, enfim, são ligadas várias áreas do conhecimento. E o mais interessante é ver a aplicação dos conceitos, pois muitas vezes os alunos aprendem na escola, mas não conseguem ver uma utilidade para eles”, afirma Maria Clara Amon, professora de física no ensino médio da Escola Estadual Patriarca da Independência, em Vinhedo.

Segundo ela, que organiza atividades com seus alunos no TnE desde 2008, a participação dos jovens é positiva, já que desperta a curiosidade por novas áreas de conhecimento. Maria Clara também descreve a reação dos alunos nos primeiros contatos com o observatório virtual. “Eles ficam muito surpresos de ver que é possível controlar um telescópio remotamente, usando somente a internet na própria escola”, afirma a professora, que promove aulas teóricas e práticas semanais para ajudar nas observações feitas durante o ano. Em 2008, seis de seus alunos participaram do programa de pré-iniciação científica da USP na área de astronomia.

Saiba como participar

Escolas interessadas em participar do projeto pedagógico Telescópios na Escola (TnE) devem acessar o site do projeto http://telescopiosnaescola.pro.br/ e preencher o formulário para agendamento. Assim que este agendamento é efetivado, o professor responsável recebe um nome de usuário e uma senha, com os quais poderá acessar e comandar o telescópio na data e horário agendados, via internet, a partir da própria escola. Não é preciso conhecimento prévio de astronomia. Caso seja necessário, uma equipe do TnE dará suporte para a exploração das observações.

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