Ninguém questiona que os avanços tecnológicos estão mudando a forma de as pessoas se relacionarem e viverem. No que diz respeito ao empreendedorismo, a tecnologia é cada vez mais uma ferramenta indispensável para quem busca um projeto de sucesso. Entretanto, mesmo com o avanço da tecnologia e com a necessidade de rever os conceitos do ensino tradicional perante um mercado e uma sociedade muito mais exigentes, a educação empreendedora ainda carece de uma discussão mais esclarecedora e embasada, que estimule sua disseminação de forma ampla e eficaz a partir da quebra de paradigmas, entre eles a mudança na posição do professor, do perfil da nova geração e da sala de aula.

Alunos têm aula de informática no Cedemp

Nesta terceira reportagem da série “Desafios do empreendedorismo na aprendizagem”, os especialistas trazem à tona os principais impasses da educação no século XXI, que impõe a necessidade de professores capacitados para ajudar essa geração tecnológica. “Os docentes têm de acompanhar os avanços e se alfabetizar digitalmente para saberem lidar com os meios virtuais e conseguirem dialogar com esse aluno”, afirma a professora Carmem Lúcia, coordenadora dos programas de incentivo ao empreendedorismo do Cedemp (Centro de Desenvolvimento Empreendedor). E completa. “É uma verdadeira troca. O professor passa a ser um companheiro na aprendizagem e aprende muito com isso. Ambos experimentam novos espaços e formas de aprender. E a tecnologia está presente em tudo, não tem como escapar.”

Nesse processo, o docente surge como um organizador e não mais como aquela figura que ensina. O professor Fernando Dolabela ressalta que o aprendizado na educação empreendedora se dá por meio dos processos de descoberta, sem respostas certas. O que significa que cada aula pode trazer valiosas contribuições não apenas para os estudantes, mas também para os professores. Ambos devem estar sempre prontos e abertos para adquirir conhecimento e trocar experiências. Assim, o aluno é envolvido em todo o processo de aprendizagem, passando a ser também responsável pelos resultados.

O foco deixa de ser apenas a capacidade de empreender, mas a possibilidade de criar alunos mais autônomos, responsáveis, inovadores e articulados. Na prática, busca-se um currículo que contemple conteúdos interdisciplinares e a exploração de novos espaços de aprendizagem, como projetos que envolvam a comunidade. A sala de aula deixa de ser o cenário principal do ensino e o aluno vai a campo, pesquisar e experimentar ferramentas que o aproxime mais do contexto em que vive.“Falamos de um jovem que é preparado para se tornar protagonista da sua vida, uma pessoa proativa, capaz de ser um transformador social”, afirma a psicóloga e professora Rose Mary Lopes, que organizou o livro “Educação Empreendedora” e há dez anos trabalha com essa proposta de ensino em cursos superiores.

O mesmo acredita Fábio Fowler, idealizador dos conceitos teóricos e práticos da universidade Unifei (Universidade Federal de Itajubá em Minas Gerais), considerada uma instituição empreendedora. Para o professor, os jovens aprendem a enfrentar dificuldades e a ultrapassar os grandes desafios globais quando podem ter acesso a uma formação empreendedora. “Eles vão aprender a gerenciar projetos importantes muito além do mercado de trabalho ou da escola.”

Mas a educação empreendedora não está restrita ao ensino superior. Em todos os níveis de ensino, é preciso incentivar os alunos a terem um comportamento independente. “Estimulamos os jovens a desenvolverem responsabilidade e autonomia. O mundo em que vivemos exige isso. Mas o fazemos de forma lúdica, utilizando ferramentas tecnológicas. Falamos de um jovem que é preparado para se tornar protagonista da sua vida, uma pessoa proativa, capaz de ser um transformador social”, finaliza Carmem.

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