Uma rádio comunitária que virou espaço coletivo de comunicação, que virou jornal, que virou programa de TV e até lei paulistana. A ideia se mostrou tão rica que hoje invade escolas, ONGs, planos públicos de educação e, como não podia deixar de ser, espaços comunitários de comunicação, como outras rádios, jornais e iniciativas via web.

Falamos do “Cala-boca já morreu”, a mais duradoura iniciativa de educomunicação realizada no país e que segue, desde a metade da década de 90, incentivando jovens e adultos a experimentarem o papel de comunicadores, aprendendo, sempre em conjunto, que a mídia é um bicho de muitas cabeças, todas pensantes, ativas e defensoras dos seus interesses e ideias. O projeto Imprensa Jovem, por exemplo, da Prefeitura de São Paulo, é uma das decorrências desse trabalho, que já tem mais de 13 anos. Leia mais aqui.

A educomunicadora Grácia Lopes Lima conta que as coisas mais importantes em qualquer projeto de educomunicação são trabalhar em grupos pequenos, de até dez pessoas, garantir a maior diversidade possível entre os que participam, não especializar ninguém em nenhuma das funções necessárias ao projeto e, principalmente, criar um ambiente em que os temas abordados sejam inteiramente escolhidos pelas pessoas que estão produzindo as entrevistas e reportagens.

A questão dos grupos pequenos vem romper com os formatos tradicionais de aprendizado, em que existem muitas pessoas numa sala de aula e um único professor falando. “Aí você tem possibilidade de olhar no olho, ouvir e saber o nome das pessoas, que conseguem dialogar e participar de verdade”, explica. A diversidade, argumenta, mantém a realidade do dia a dia dentro do grupo, tornando o projeto menos alienado. Mais uma vez, é o contrário dos modelos tradicionais, em que os aprendizes são separados por séries e forçados a estarem todos num mesmo nível de discussão e aprendizado.

“É diferente também da mídia oficial, em que o repórter é mero representador da busca de conhecimento”, explica, sobre o fato de, na educomunicação, os indivíduos não precisarem decorar textos nem seguir uma pauta pré-estabelecida de perguntas. A criatividade e a individualidade têm de aflorar no processo. “O bonito não é ficar fazendo as mesmas perguntas. O bonito é você perguntar aquilo que de verdade você quer saber.  Porque aí você descobre e nunca mais esquece, porque foi você que fez a pergunta”, diz.

E de grupinhos de dez em dez, a educomunicação já aparece em vários pontos do país e se estabelece como metodologia revolucionária de aprendizagem, comunicação e transformação social. Tornou-se projeto de governo em várias cidades e é usada em mobilizações como a das Conferências Infanto-Juvenis do Meio Ambiente, cuja terceira edição nacional acontece este ano de 3 a 8 de abril no Distrito Federal.

 

Você pode conhecer mais sobre educomunicação visitando o site da ONG “Cala-boca já morreu” em www.cala-bocajamorreu.org.

 

https://youtu.be/sXrkpXUj2GQ

 

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