Entra dezembro e as aulas na maioria das escolas brasileiras já chegou ao fim. Em algumas ainda tem uma ou outra prova, mas também em vias de finalizar atividades. Este ano, os formandos do terceiro ano do ensino médio fazem parte do primeiro grupo de alunos da geração internet, que já na nasceram com a possibilidade de ter em casa o meio online.

No Brasil, o acesso à internet era restrito a professores, estudantes e funcionários de universidades e instituições de pesquisa. Foi a partir de 1995 que surgiu a oportunidade para internautas fora do meio acadêmico e a iniciativa privada passou a fornecer esse serviço.

Hoje com 17 anos, toda uma geração de jovens que nasceu com o surgimento da internet lida de novas formas com a informação e a aprendizagem, o que é bastante significativo, de acordo com o professor de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luciano Meira.
 
“Essa importância se traduz na possibilidade de simetria de informações nunca antes vista. Na minha época de escola, tinham aulas organizadas para visitar a biblioteca, era um grande evento. A internet implode tudo isso. O mundo tem acesso ao Museu do Louvre [França] de forma online e a coisas inimagináveis. Isso muda de forma consistente a maneira de se relacionar com a informação”, analisa Meira.

César Augusto Tavares, de 17 anos, estuda na Escola Estadual Odete Maria de Freitas, em São Paulo (SP), e passa de sete a dez horas por dia na internet. “Normalmente acordo cedo e corro para o computador e fico até de tarde, vou para escola à noite, e quando volto fico mais um pouco online”, conta. Ele também tem internet no celular, mas diz não acessar muito por conta da lentidão do serviço.

Fã da série Harry Potter e da cantora Britney Spears, o jovem geralmente está em busca de informações sobre eles na internet. Também, compartilha e troca informações de seus assuntos favoritos nas redes sociais. O garoto está no Facebook, Twitter, Google Plus, Tumblr, My Space, Orkut e outras, de acordo com César. Ele ainda chegou a ter um blog. “Não tenho mais, porque o blog morreu no mundo da internet. Não são mais tão visitados como eram antes e aí não tem muita graça”, diz.

O jovem César acredita que a internet ajuda muito com informação. “Facilita, porque é novidade o tempo inteiro. Por exemplo, se a Britney Spears lança um clipe, posso ver na hora no Youtube”.

Nesse contexto, Meira acredita que o professor de sala de aula tem uma grande oportunidade. “Ele pode assumir um papel relevante. Digo pode, porque essa geração é muito mais autodidata. Mas ao falar de conhecimento, que está além da informação, a escola ganha importância, ao passar a atuar na interpretação dessa informação. Só que os professores só querem dar aula”, critica.

César aponta que na sua escola alguns professores até tentam utilizar o meio online como suporte, no entanto “o computador é lento, parece que trabalha a manivela. Tanto a internet como o computador desanima. Este ano, fomos três vezes à sala de informática para fazer pesquisa”, afirma ele. “E nem faria falta, caso não tivesse nenhuma aula no laboratório, pois usamos apenas para pesquisa mesmo, não liberaram para lazer e outras coisas.”

O monitor de língua portuguesa no Colégio Visconde de Porto Seguro, Pedro Reis, de 22 anos, acredita que tenta trabalhar com ferramentas que converse com o tipo de linguagem do aluno atual, “que seja algo simultâneo, rápido de ler. Trazer links, fotos e vídeo. Os alunos usam a internet não só para ler texto, mas ler imagem, ver filme, e se tudo isso estiver junto com a escola, fica melhor para eles”.

Meira pontua que o “tipo de vínculo que o aluno estabelece com o professor atualmente é de outra natureza daquela quando tínhamos a centralidade do acesso no monólogo construído pelo professor”. A escola era a única fonte do que seria o conhecimento. “Muda as formas de vínculo com a escola, e ele a abandona, porque a internet proporciona um diálogo, você é autor e leitor”, completa.

Por isso, Reis lembra que a nova geração de alunos conectados exige de uma forma diferente dos educadores. “Tem professores que não estão familiarizados com as novas tecnologias. Eu funciono como ponte entre professores e o blog da escola”, afirma. Para ele, os jovens não conseguem imaginar um mundo sem internet. “Eles estão online desde a hora que acordam até hora que vão dormir e se comunicam muito mais por meio da internet do que ao vivo.”

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