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O rádio, por ser barato e acessível, pode ser uma ferramenta importante durante o período de aulas remotas. É o que sugere o e-book “Dez passos para o ensino emergencial no rádio em tempos de covid-19”, lançado pelo Núcleo de Estudos de Rádio (NER), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“Esse meio foi muito subutilizado ao longo da história, em termos de formação, de educação. Se esse guia despertar essa consciência, nós já estamos plenamente satisfeitos”, afirma um dos autores do livro e professor da universidade, Luiz Artur Ferraretto, ouvido neste podcast.

Estudante acompanha aula pelo rádio (crédito: Marcelo Abud)

Consciente da qualidade do rádio em termos de inclusão social, Ferraretto indica o uso do meio como a forma mais acessível para o ensino emergencial. Para isso, incentiva os professores a se comunicarem por meio do que chama de “improviso estruturado”.

“Comecei a trabalhar com essa ideia de que o sujeito tem que ter um ‘norte estruturado’ e uma fala coloquial. A pessoa elenca alguns pontos de destaque e depois procura ler como se estivesse falando de improviso. Não é diferente do que a gente faz no dia a dia em rádio, não é diferente do que a gente faz no dia a dia em aula”, resume.

Coautor da obra, o professor Fernando Morgado esmiúça três dos 10 passos presentes na publicação que, escrita em linguagem direta e objetiva, destina-se a professores e busca diminuir o efeito da ausência de aulas presenciais para boa parte dos estudantes ou da impossibilidade de uma parcela ter acesso a conteúdo ministrado via aplicativos, celulares, internet e redes sociais.

“Um dos pontos que o livro enfatiza é que o professor, quando estiver no estúdio de rádio, encare aquele microfone como o seu grande canal de comunicação com a sala, como se, de fato, ele estivesse numa sala de aula física”, explica ele.

Links:
E-book “Dez passos para o ensino emergencial no rádio em tempos de covid-19”
Podcast – O prof. Roquette-Pinto e o uso do rádio na educação

Ver transcrição do áudio

Música “Rise”, de Hovatoff, fica de fundo

Luiz Artur Ferraretto:
Escolas com poucos recursos distribuindo uma espécie de apostila, aí vai o pai do aluno, no meio de uma pandemia, lá pegar o material e levar pra casa; ou, então, vamos passar tudo para a internet”, mas nem todos têm acesso à internet. Então, me parece que o rádio por ser barato, por ser acessível, foi muito subutilizado ao longo da história, em termos de formação, de ensino. Esse guia que nós fizemos, se despertar essa consciência, nós já estamos plenamente satisfeitos.

Eu sou Luiz Artur Ferraretto, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordeno o Núcleo de Estudos de Rádio, sou doutor e mestre em Comunicação e Informação, também pela UFRGS.

Vinheta “Instituto Claro – Educação”

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, fica de fundo

Marcelo Abud:
O Núcleo de Estudos de Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul desenvolveu um e-book gratuito sobre como esse meio de comunicação pode ser utilizado para o ensino emergencial e apoio à educação. Segundo Ferraretto, a base da obra é a comunicação feita a partir de um “improviso estruturado”.

Luiz Artur Ferraretto:
Então, comecei a trabalhar com essa ideia de que o sujeito tem que ter ‘um norte estruturado’,  e tem que ser feito através da fala de uma forma coloquial. Eu me lembro de quando era repórter aqui em Porto Alegre que o pessoal dizia assim: ‘olha, eu vou fazer um improviso escrito’. Aí o sujeito escrevia ali algumas coisas, botava pontos de destaque ou, às vezes, escrevia um texto mesmo. Aí tinha a habilidade de ler aquele texto como se ele estivesse falando de improviso ou, em outras vezes, a partir destes pontos de destaque – ordenando o raciocínio – o sujeito ir falando. Não é diferente do que a gente faz no dia a dia em rádio, não é diferente do que a gente faz no dia a dia em aula.

Música: “Me deixa falar” (Paula Toller/George Israel), com Kid Abelha
“Me deixa falar / Me empresta o ouvido / Me deixa falar”

Marcelo Abud:
Ferraretto cita os passos para o ensino emergencial pelo rádio que estão no e-book.

Luiz Artur Ferraretto:
Bom, são dez passos simples: o primeiro deles, conhecer como funciona o rádio. Entender que rádio é uma conversa; o segundo é não ter medo de falar ao microfone, em função daquele estranhamento que muitas pessoas têm, que é natural entre a voz que ouvem no dia a dia e a voz gravada. A voz gravada é a voz que os outros ouvem; terceiro: não falar sozinho, falar com outras pessoas; quarto: procurar conversar com a turma, imaginar a turma na sua frente, o que se complementa com o quinto passo, explorar o ambiente dos alunos; saber mais ou menos qual é o tipo de aluno que a gente está trabalhando; e, ir direto ao assunto, seria o sexto passo; o sétimo: dividir o conteúdo em módulos pra que não fique uma coisa ‘arrastada’: dez minutos um módulo, passa para o módulo seguinte; o oitavo: a todo o momento, sempre que possível, parar, pensar e reavaliar o que está sendo feito pra que, no nono, tenha consciência do que deve e o que pode ser redundante sem ser chato; e, por fim, para, começa tudo de novo, porque cada módulo, cada assunto vai necessitar os vários passos e a consciência a respeito de cada um deles.

Marcelo Abud:
O Instituto Claro ouviu também o coautor da obra. O professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso e escritor, Fernando Morgado, destaca alguns desses dez passos.

Fernando Morgado:
Então, um dos pontos que o livro enfatiza é exatamente pra que o professor, quando estiver no estúdio de rádio, encare aquele microfone como o seu grande canal de comunicação com a sala, como se, de fato, ele estivesse numa sala de aula física. Então é muito importante que o professor tenha noção dessa essência do rádio, que é de construir uma relação pessoal, próxima, com os ouvintes – no caso, os alunos – como se eles estivessem ali do lado, apesar de não estarem. E isso se conquista pelo tom de voz, se conquista pelo ritmo da fala, e, sobretudo, pelo conteúdo, pela linguagem que você aplica nesse conteúdo. É tentar ser o mais natural possível, de forma que o ouvinte, o aluno, quando esteja no rádio ou ao lado do rádio acompanhando a aula, ele tenha a sensação mais próxima possível de que o professor está lá do lado dele.

Música: “Com o rádio ligado” (Sérgio Mielniczenko), com Rádio Táxi
“De pé ou deitado / Com o rádio ligado / Tão ligado / E eu ligado em você”

Fernando Morgado:
Tem um que eu gosto muito, um desses passos todos, que é o “não fale sozinho” e que você pode ter uma dupla leitura. Pode tanto falar essa expressão ‘não fale sozinho’, no sentido de você travar um diálogo com a audiência, essa simulação de companhia presencial, próxima; mas no livro a gente trata muito a questão de não estar sozinho no estúdio, sempre colocar mais vozes: é o professor com algum convidado, são dois professores, três professores;  porque a gente sabe que um conteúdo sonoro ele fica mais rico quanto mais vozes você tiver. Quando a gente tem um programa com mais convidados, a gente consegue muito mais dinamismo, muito mais riqueza, tanto em termos de estética quanto também de conteúdo, porque são vozes diferentes, com sonoridades diferentes e isso atraí a atenção do ouvinte. E não é algo difícil de ser feito, mas é fundamental, faz toda a diferença.

Música: “As vozes da minha cidade” (Dario Baldan Bembo / Sergio Bardotti / Nini Maria Giacomelli / Mike Bongiorno / Vivian / Sylvia), com Harmony Cats
“O rádio tocará / As vozes desse meu lugar / Às vezes gritam, dizem não / Mas sempre passam muito alegria / Toda noite, todo dia”

Fernando Morgado:
Outro passo que eu considero muito importante é o “explore o ambiente dos alunos”. É fundamental que o rádio dialogue com a realidade do aluno, mas não só através do conteúdo em si. É importante que o professor coloque a matéria na realidade do aluno. Quando ele for citar um exemplo, esse exemplo ele tenha relação com a realidade do aluno, com o cotidiano do aluno. E lembrar, inclusive, a condição social que a média dos alunos dele possui. Porque a partir do momento em que o professor tem consciência dessa realidade e incorpora essa realidade no seu discurso, ele consegue exercitar algo fundamental no rádio que é a empatia; saber se colocar no lugar do outro. E, através disso, ele estabelece um vínculo de atenção e de afeto: muitos se sentem isolados porque estão trancados em casa há muitos meses; não tem contato com seus amigos, com muitos parentes e acaba que o professor, a professora, ocupa um espaço ainda maior no campo afetivo.

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
Escrito em linguagem direta e objetiva, “Dez passos para o ensino emergencial no rádio em tempos de Covid-19”, destina-se a professores e traz proposta baseada na conversa para o uso didático de espaços em emissoras de rádio.

O link para baixar o e-book está no texto que acompanha esse podcast.

Com apoio de produção de Daniel Grecco, Marcelo Abud para o Instituto Claro.

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