A escola é um local que pode fomentar, em muitos aspectos, o exercício da participação coletiva nas tomadas de decisões.
“a escola como instituição social tem a possibilidade de construir a democracia como forma política de convivência humana.” (HORA, 1999: 53).

Os espaços que permitem a defesa de ponto de vista, do diálogo, das ideias sobre as mais diversas dimensões da conivência humana que envolve o universo escolar são: conselho de escola, conselho de turma, comissão de avaliação institucional, associação de amigos da escola, grêmio e outras representatividades ainda podem ser criadas, embora todas sejam elos articuladores do Projeto Político e Pedagógico da escola.

Fortalecer e tornar audível e visível a voz e o gesto de cada representante da comunidade escolar visando a constituição de um coral afinado e uníssono  que se movimenta em respeitar a decisão da maioria é um dos papéis mais importantes da instituição escolar, porque amplia o significado de democracia.

Mas a participação exige um amadurecimento em aceitar a decisão tomada nos colegiados. Porque quando a decisão não se reporta aos valores, às vaidades, à ideologia de um dos membros da coletividade que ainda não teve a oportunidade de participar de um movimento democrático genuíno, esse poderá tomar atitudes infantilizadas ou maquiavélicas sobre o que foi decidido e por um interesse pessoal se sobrepõe ao exercício participativo e anonimamente e covardemente põe tudo a perder, e, como resultado, leva a maioria a desacreditar na força da união entre as pessoas.
Se não houver uma consciência crítica no modo de refletir os pensamentos e as ações, que só no exercício dialógico se desenvolve a pessoa adquire o senso comum alinhada na ideologia social dominante, que conforme explicitação de Weber, é uma estrutura burocratizada de poder e da autoridade através de uma proposta de trabalho que reforça a hierarquia e a competência técnica do indivíduo onde apenas se gere oportunidades hegemônicas de participação social.
Para romper com essa visão, melhor experimentar o aprofundamento com outras teorias, como por exemplo, PARO (1996), que afirma que a decisão de ordem democrática pode ser vista, tanto na teoria quanto na prática, dois campos que se complementam, a organização do trabalho e a sua coordenação, consideram respectivamente, os elementos materiais e conceituais, de um lado, e o esforço humano coletivo de outro.
Para amadurecer essa atitude a pessoas devem se apoiar na ética, que é outra possibilidade de envolvimento humano que a escola pode promover.
 “É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.” (Paulo Freire)
Para promover a ética e a participação coletiva é fundamental o papel da formação continuada que o educador deva receber, onde arrojar esses elos faça parte de uma concepção de escola e de sociedade numa fundamentação histórico-crítica para avançar na contramão da tendência atual gerada pela força do ter sobre o ser que pode levar a pessoa a agir de maneira egocêntrica e hedonista.
(…) superar a resistência natural intensificada pela tecnologia mutável e alternante relações sociais antagônicas e a sucessão de gerações não termina com a “a organização científica do trabalho, mais se torna um aspecto permanente da sociedade capitalista. (Bravermam, 1977: 24).
A educação é uma ação política ela revela uma forma libertadora ou subordinada de estabelecer suas relações “as relações entre educação e política se dão na forma de autonomia relativa e dependência recíproca” (SAVIANI, 1983, p. 92-93), se a escolha de dinamizar a escola for a libertadora ela refletirá no grau de autonomia e de cidadania de sua comunidade.
Para Freire, uma educação popular e verdadeiramente libertadora, se constrói a partir de uma educação problematizadora, alicerçada em perguntas provocadoras de novas respostas, no diálogo crítico, libertador, na tomada de consciência de sua condição existencial.
O compromisso com a maioria é o mote da liderança de um grupo que não se faz por uma unica pessoa, mas por pessoas que acreditam em formar equipe e trabalhar em equipe.
“um esforço comum da consciência da realidade e, autoconsciência, que a inscreve como pondo de partida do processo educativo, ou da ação cultural de caráter libertador”. (FREIRE, 1982, p. 117).
Bibliografia:
BRAVERMAN, H., Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro, Zahar. Edição original, 1977.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Edição compacta. 2ª edição atualizada. Campus: Rio de Janeiro, 2000.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
_____________. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 30. ed..: Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.
_____________. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 7. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.
_____________. Pedagogia do oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
HORA, Dinair Leal da. Gestão Democrática na Escola. 6. ed. São Paulo:
Papirus, 1999. cap. 3.
PARO, Vitor Henrique. Administração Escolar- Introdução Crítica 9. ed. São
Paulo: Cortez,1996.
SAVIANI, Demerval. Escola e democracia. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1983.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

O Instituto Claro abre espaço para seus colunistas expressarem livremente suas opiniões. O conteúdo de seus artigos não necessariamente reflete o posicionamento do Instituto Claro sobre os assuntos tratados.

Autor Simone Marconatto

Simone é graduada em Biologia e Pedagogia. Pós-graduada em Sexualidade Humana, Fundamentos Teóricos e Práticos em Educação e Tecnologia e Educação, e mestre em Novas Tecnologias Aplicadas à Educação, pela UNICAMP.

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