No mês passado, o gestor e pesquisador educacional, ligado ao universo das tecnologias, Scott McLeod lançou em seu blog uma indagação instigante a professores e pesquisadores: o que “devemos parar de fingir” quanto atuamos na educação? A partir da hashtag #makeschooldifferent (faça uma escola diferente, na tradução livre), é possível localizar algumas das propostas no Twitter e no Facebook; alternativamente há um GDocs que as reúne.  

As listas com sugestões (na maioria das vezes cinco, como solicitado originalmente) relacionam-se aos contextos e preocupações daqueles que responderam. Além da importância social adquirida pela tecnologia, o fato de que várias pessoas dessa rede reflexiva estejam ligadas ao uso de recursos digitais na educação faz com que o tema apareça bastante. E é possível divisar duas grandes tendências a propósito do assunto.
 
Alguns, como McLeod, fazem observações com teor de alerta mais proativo em relação às tecnologias. Assim, notam que devemos parar de fingir:
 
Que os ambientes de ensino analógicos irão preparar os estudantes para um mundo digital (Scott McLeod);
Que a tecnologia é apenas um complemento no aprendizado verdadeiro (Amanda Dykes);
Que a tecnologia é uma moda ou nada mais do que uma distração (Ryan Mussack);
Que é correto que a internet não esteja acessível a todos (Beth Hulan).
Que o modo como os estudantes usam a tecnologia fora da escola não é aprendizado (Mary Jeanne Farris);
Que a mídia social é apenas para uso pessoal (David Hendershot).
 
Outros, por sua vez, apontam aspectos menos positivos das tecnologias (ou de seu uso educacional). Recomendam, então, que paremos de fingir:
 
Que a tecnologia é uma bala de prata que irá transformar a educação (Eric Sheninger);
Que a mera aquisição de tecnologias irá alterar os modos como os professores ensinam e como os alunos aprendem (Sarah Freking);
Que usar tecnologia – não importa a tarefa de aprendizagem – seja algo motivador (Erin Olson);
Que os estudantes são nativos digitais e automaticamente sabem mais do que nós (sobre tecnologia) simplesmente porque nasceram mais recentemente (Aaron Schmidt);
Que somente disponibilizar aparelhos eletrônicos produz aprendizado, de modo a CRIAR descobertas nunca antes vistas com a tecnologia (David Garcia);
Que a tecnologia é mais importante do que o desenvolvimento profissional (Joe Bires).
 
Já que, em certa medida, as preocupações sobre a educação são contextuais, locais, é possível que os professores e interessados em educação no Brasil produzissem listas com ênfases diferentes – tanto em relação às tecnologias quanto de maneira geral. 
 
O exercício reflexivo é válido. Por isso, em vez de compartilhar a minha lista (não resisti e também fiz uma) gostaria de convidar os leitores a produzirem a sua, inserindo-a em suas redes sociais (recomendo o uso da hashtag #makeschooldifferentbr) e, se possível, nos comentários deste artigo. O que “devemos parar de fingir” sobre a educação no Brasil?
 
PS: Este texto foi escrito antes dos lamentáveis episódios ocorridos no Paraná [episódios de violência contra os professores em greve foram protagonizados pelo governador do estado, Beto Richa]  É claro, por isso alterei minha lista, para acrescentar a proposta de que devemos parar de fingir que tratar com violência os professores seja uma boa ideia.
 

O Instituto Claro abre espaço para seus colunistas expressarem livremente suas opiniões. O conteúdo de seus artigos não necessariamente reflete o posicionamento do Instituto Claro sobre os assuntos tratados.

Autor Richard Romancini

Richard é doutor em Comunicação, pesquisador e professor do curso de pós-graduação lato-sensu em Educomunicação da ECA-USP.

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