Uma forma eficiente de ensinar um gênero textual é permitir que os estudantes convivam com ele antes mesmo de conhecerem suas definições formais. Em vez de começar pela explicação de características e regras, o professor pode apresentar textos reais que mostrem o gênero em funcionamento, permitindo que os alunos observem como ele é construído e quais finalidades cumpre.
No caso do diário, essa estratégia é importante para os estudantes perceberem as características do gênero, marcado pela escrita em primeira pessoa, pelo registro de experiências cotidianas, emoções, reflexões e acontecimentos organizados em sequência temporal.
Para estreitar o contato dos alunos com esse gênero literário, podem ser trabalhados os diários ficcionais. Confira, a seguir, cinco obras com essas características que podem ser aplicadas em sala de aula. Todas estão disponíveis gratuitamente no portal MEC Livros, do Ministério da Educação.

Série Diário de Pilar (Índia, Grécia, Egito))
Flávia Lins e Silva, Pequena Zahar, 2021
A série apresenta as aventuras da personagem Pilar em diferentes viagens, sempre narradas em formato de diário. Escritos em primeira pessoa e organizados por registros datados, os livros permitem que os estudantes identifiquem características centrais do gênero, como relato pessoal, subjetividade e organização temporal.

O diário de Gian Burrasca
Vamba, Autêntica Infantil e Juvenil, 2019
Clássico da literatura italiana, a obra acompanha as travessuras e observações de um menino de nove anos registradas em forma de diário. O humor e os relatos do cotidiano evidenciam elementos típicos do gênero, como a escrita em primeira pessoa, a sequência cronológica dos acontecimentos e a expressão das opiniões do narrador.

Diário de uma garota esquisita
Thalita Rebouças, HarperKids, 2025
O livro apresenta os pensamentos, sentimentos e desafios vividos por Carol, uma adolescente de 13 anos. Com linguagem contemporânea e próxima do universo juvenil, a narrativa utiliza o formato de diário para abordar amizade, escola, família e autoconhecimento. A obra também convida o leitor a registrar suas próprias reflexões, aproximando a prática da escrita das experiências cotidianas dos estudantes.

Memorial de Aires
Machado de Assis, L&PM Pocket, 2011
Último romance de Machado de Assis, a obra é inteiramente escrita na forma de diário. O narrador, o Conselheiro Aires, registra observações sobre a sociedade brasileira, suas relações pessoais e reflexões sobre a velhice e as transformações do país.

Diário de um pároco de aldeia
Georgee Bernanos, Sétimo Selo, 2025
Considerado um clássico da literatura francesa, o romance apresenta os registros pessoais de um jovem sacerdote sobre sua rotina, sua fé e seus conflitos interiores. A narrativa utiliza o diário como instrumento de introspecção e construção psicológica do personagem, oferecendo um exemplo mais complexo e literário do gênero. Pela densidade temática e estilística, é uma obra mais indicada para leitores experientes e para ampliar o repertório dos professores sobre as possibilidades narrativas do diário.
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