Desde cedo, crianças entram em contato com expectativas sobre como meninos e meninas devem agir, brincar, vestir-se, demonstrar sentimentos e ocupar determinados espaços. Muitas dessas ideias aparecem de forma naturalizada no cotidiano escolar também: na divisão das brincadeiras, na escolha dos esportes, nas relações entre colegas e até nas expectativas sobre comportamentos e habilidades. Quando não são discutidas, essas normas podem reforçar estereótipos, excluir e, por fim, limitar as possibilidades de desenvolvimento de estudantes.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta sobre a necessidade de desenvolver, na escola, o diálogo e o respeito aos direitos humanos e à diversidade. Esses temas podem ser abordados por meio da literatura, ajudando os alunos a refletir sobre o que se espera de meninos e de meninas e quem decidiu isso.
Ao acompanhar personagens que enfrentam preconceitos, desafiam papéis sociais ou mesmo que revelam as desigualdades de sua época, os estudantes são convidados a analisar valores e desenvolver uma leitura crítica da sociedade atual por tabela.
A seguir, listamos seis livros que ajudam a discutir como as expectativas de gênero influenciam a convivência e as relações que atravessam meninas e meninos. As indicações podem ser encontradas gratuitamente na plataforma MEC Livros, do Ministério da Educação.
Confira!

Menina não entra
Telma Guimarães Castro Andrade, Editora do Brasil, 2020
A reflexão sobre expectativas de gênero começa em uma situação familiar às crianças: um time de futebol que exclui as meninas até precisar de uma goleira. A narrativa mostra como preconceitos presentes nas brincadeiras e nos espaços de convivência podem ser questionados quando os personagens reconhecem as habilidades de Fernanda.

Clara dos Anjos
Lima Barreto, Bookwire Brasil, 2023
O romance acompanha a trajetória de uma jovem negra do subúrbio carioca que enfrenta uma sociedade marcada por desigualdades e preconceitos. Ao cruzar questões de gênero, raça e classe, a obra evidencia como diferentes formas de discriminação se articulam e afetam as oportunidades das pessoas.

Senhora
José de Alencar, Editora Lafonte, 2023
O romance apresenta Aurélia, personagem que desafia convenções sociais ao assumir o controle de seu destino. Ao expor o casamento como uma transação social e econômica, a obra permite discutir o papel atribuído às mulheres no século XIX e as transformações ocorridas nas relações de gênero ao longo do tempo.

Úrsula
Maria Firmina dos Reis, Principis, 2019
Considerado o primeiro romance publicado por uma mulher negra no Brasil, o livro amplia o debate sobre gênero ao articulá-lo com questões de raça, classe e poder. A autora dá voz a personagens que a literatura do século XIX costumava silenciar, especialmente mulheres e pessoas escravizadas.

É de menino ou de menina?
Gisele Gama, Edilza Rosa Ribeiro, 2021
A partir do desejo de uma menina de fazer uma festa com tema de super-heróis, a narrativa questiona ideias preconcebidas sobre o que seria apropriado para meninos ou meninas.

Coisa de menino
Pri Ferrari, Companhia das Letrinhas, 2020
A obra propõe uma reflexão sobre as expectativas impostas aos meninos desde a infância. Ao apresentar personagens com diferentes sonhos, emoções e interesses, o livro mostra que não existem atividades, sentimentos ou comportamentos exclusivos de um gênero.
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Crédito da imagem: Alistair Berg – Getty Images