Surgida em meado da década de 90, a economia criativa veio para mostrar que novas ideias também são ativos econômicos relevantes, que trazem uma característica rara: elas nunca irão acabar. Em conversa com a economista Ana Carla Fonseca, da Garimpo Produções, ela conta como funciona e como este novo investimento é fundamental para o desenvolvimento da educação no país.
Ana Carla Fonseca – Surgiu com a globalização e as mídias sociais, quando os produtos oferecidos passaram a ser tudo a mesma coisa, só mudando a marca, ou seja, todo mundo fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo. Então, você passa a brigar em cima de preço, o que é complicado porque todo mundo pede preço baixo e acaba não valendo a pena nem para o consumidor, nem para quem irá produzir. Ninguém disputa preço com a China, ninguém cobra menos que eles em uma produção.
Ana Carla Fonseca – Sim, ela é estratégica para desenvolvimento, porém precisa tomar cuidado para não cair no modismo e se perder.
A economia brasileira, por exemplo, está em cima de minério, dos recursos abundantes que existem no país. Porém, é preciso não se esquecer do valor agregado que vem da criatividade.
Ana Carla Fonseca – Sim, e sempre foi vista dessa forma, mas não fundamental como hoje. O economista austríaco Joseph Schumpeter já dizia em seu livro Socialismo e Democracia (1942), é preciso romper com o velho senão a economia não vai adiante.
A criatividade passou ganhar peso e tornou-se tão importante quanto dinheiro e tecnologia, que são relevantes, mas não diferenciais.
Ana Carla Fonseca – é necessário entender três questões: 1) a conscientização, entender o que representa a economia criativa e não deixar que ela seja apenas mais um conceito da moda; 2) o levantamento de dados, para saber o que investir, é necessário entender no que investir; 3) e a articulação, visando à parceria entre setor público e privado, englobando todas as áreas do governo. Porque economia não se faz por decreto!
Ana Carla Fonseca – Investir na qualificação dos professores e não só pensando em remuneração e reconhecimento, mas dar um novo olhar ao professor. Hoje, reprimem a criatividade, ainda há a cultura da escola “eu digo e você recebe”, por isso é preciso que esse professor passe por uma nova visão de mundo, porque tudo começa com o professor. É preciso valorizar o olhar criativo, dando a possibilidade dele [o professor] criar.
Além disso, é necessário aprender a cultivar a criatividade das crianças. Ao invés de reprimir o desenho durante a aula, estimule e pense “fora” da sala.
https://youtu.be/5ZZc2UfCeaA
Confira mais sobre o tema em entrevista concedida pela Ana Carla Fonseca para a IstoÉ Dinheiro