Considerada uma das etapas mais complicadas da prova, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) provoca muitas dúvidas nos alunos em geral. O NET Educação conversou com a professora do Cursinho da Poli e corretora de provas de vestibulares, Evaneide Nobre, para trazer os principais pontos de atenção. Veja abaixo oito dicas necessárias para a produção da dissertação-argumentativa. Em sala de aula, o professor também pode ajudar os estudantes no direcionamento dos estudos.

O Enem 2014 está previsto para acontecer nos dias 8 e 9 de novembro. O número de inscritos para a prova desse ano chegou a 9,5 milhões. A marca recorde representa um aumento de 21,8% em relação aos 7,8 milhões de inscritos no ano passado. A redação é aplicada no segundo dia de prova.
Veja as oito dicas:
1 – Não desrespeitar os direitos humanos;
2 – Trazer uma ou mais ideias de intervenção social;
3 – Não escrever menos de sete linhas;
4 – Ter coesão e coerência textual;
5 – Adquirir o habito da leitura frequente de notícias;
6 – Fazer um projeto de texto antes de começar a escrever;
7 – Aumentar o capital cultural por meio de filmes;
8 – Não brincar, colocando trechos de receita de bolo ou músicas.
Abaixo, a especialista explica melhor cada um dos alertas:
NET Educação – Dentro dos critérios usados para correção da redação do Enem, o que não deve ser feito?
Evaneide Nobre – Duas coisas são importantes na redação. Os alunos não podem desrespeitar os direitos humanos. Não se deve escrever frases contra isso, porque anula a redação. Outra questão é o texto ser pensado com a ideia de propor uma intervenção social. Geralmente o pedido na prova é para produzir uma dissertação com um tema de relevância social: ética, cidadania, meio ambiente ou algo nessa linha.
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NET Educação – Como o aluno pode trabalhar essas duas questões?
Evaneide – Para direitos humanos, ter como referência o artigo 5º da Constituição, que diz que ninguém pode sofrer preconceito de raça, cor e etc. Assim, não se pode abordar um conteúdo que desrespeite isso ou as mulheres, ou coletivos, como o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra] ou MTST [Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto].
Já sobre intervenção social. Se pegamos os direitos dos indígenas, por exemplo. Há terrenos imensos fechados no país nas mãos de poucas pessoas, e gente sem ter onde morar. Como o aluno poderia desenvolver um tema desses? Geralmente, ele terá que pensar em indicar possíveis resoluções na sociedade brasileira. Outras temáticas que exemplificam são gravidez na adolescência ou violência contra a mulher.
NET Educação – O que anula a redação ou perde muito ponto?
Evaneide – Anula a redação se escrever menos que sete linhas. Além disso, falta de coesão interna, que corresponde a como o aluno articula as ideias e não é fácil. Para conseguir sair do senso comum e ir para algo mais profundo, ler é essencial. Saber o que está saindo nos jornais e os debates da grande mídia. Não se deter apenas às frases feitas. Ter maior clareza no raciocínio e articular gramaticalmente é ser coeso e coerente. Quando entra no ensino médio, se o estudante já tiver uma leitura constante, e não precisa ser diária, de grandes temas, passa a formar suas próprias opiniões com o tempo.
NET Educação – O professor pode ajudar esse aluno?
Evaneide – Claro. Levar para a sala de aula editoriais, jornais e artigos de opinião estimulam. A partir dali trabalhar o foco do tema que está sendo retratado em determinada notícia ou texto de opinião. Pedir para pesquisarem em outros jornais. Depois, debater em sala de aula. Os alunos escutarem outras ideias é importante. E, então, pedir para que escrevam suas próprias redações. Já é um bom começo.
NET Educação – Quanto tempo deverá se dedicado mais ou menos a essa parte da prova?
Evaneide – Geralmente de 50 minutos a uma hora. Primeiro, é interessante que o estudante crie um projeto de texto: elencar as ideias que pensa em trazer para a dissertação. Programar o que vai falar no inicio, no meio e no fim. Fazer o rascunho e só depois passar a limpo. Isso serve para não se perder no meio, decidindo o que vai entrar e o que não. No geral, vem muita coisa na cabeça, tem que saber o que é mais importante das varias ideias.
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NET Educação – Os alunos podem estudar em casa também sozinhos?
Evaneide – Sim. Eles são muito ligados às tecnologias hoje e tem a internet que abre um mundo de possibilidades. Um jeito de estudar sem sentir que está estudando é assistir filmes no YouTube. Pode pedir indicações de quais para o professor, aumentando o que chamamos de capital cultural.
NET Educação – Em sua opinião, o que poderia ser uma dica final para o aluno?
Evaneide – Não brincar. Muitos alunos começaram a brincar na redação do Enem, para testar o sistema. Quem escreve receita de bolo e letra de música. O Enem é sério. O aluno não tem muita saída para entrar na universidade, tem que fazer e ser maduro para enfrentar uma prova dessas.
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