Doramas são séries asiáticas, principalmente sul-coreanas, com histórias curtas e foco em drama e romance. Alguns títulos populares desse gênero audiovisual que são voltados para o público adolescente abordam o bullying.
“O bullying é um problema global, mas na Coreia do Sul — grande produtora de doramas — a situação é especialmente preocupante. Dados mostram altos índices de prática e aumento recente de vítimas, inclusive com casos extremos de suicídio”, explica o mestre em Letras e doutorando em Memória pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Mateus Freire Santana Silva.
“Um dos principais fatores é a forte hierarquia social do país, somada a um sistema educacional altamente competitivo. Isso cria um ambiente em que o bullying é muitas vezes coletivo, tornando alunos com notas baixas mais vulneráveis, e com professores pressionados a ignorar os casos”, contextualiza.
Segundo Silva, doramas que abordam o bullying e têm classificação indicativa para adolescentes podem ser usados nas turmas da educação básica em propostas pedagógicas de prevenção ao problema.
“Por despertarem identificação e emoção, podem conscientizar sobre o bullying, incentivar a busca por ajuda e fortalecer a autoestima, ajudando os estudantes a reconhecer e denunciar situações abusivas”, aponta.
“Nos doramas, os dramas apresentam um desfecho de sucesso e ajudam a criar identificação com o púbico adolescente”, aponta a professora de geografia Clédna Alves.
Silva recomenda aliar diferentes atividades à exibição dos conteúdos. “Podem ser propostos debates, escrita criativa e campanhas de prevenção, que estimulam reflexão e conscientização entre estudantes”, defende.
A seguir, conheça cinco doramas que abordam o bullying para trabalhar em sala de aula:
Beleza verdadeira (True Beauty, 2020)
A série acompanha uma estudante que sofreu bullying por causa da aparência e aprende maquiagem para se adaptar aos padrões de beleza em uma nova escola, vivendo com medo de que descubram sua aparência natural.
“É interessante para tratar da temática do bullying porque a personagem principal enfrenta situações de chacota e humilhação por parte das colegas. Ela precisa mudar de escola e até transformar sua aparência para se sentir aceita, o que abre caminhos para discutir identidade e as consequências da violência escolar com os educandos”, indica Silva.
“Participei de um projeto em que as próprias alunas do ensino fundamental II indicaram a exibição para tentar sensibilizar sobre um problema que elas apontam como presente na vida de boa parte das alunas: a autoaceitação, tendo em vista episódios de bulliyng no ambiente escolar”, compartilha Alves.
Classificação indicativa: 14 anos.
Grupo de estudos (Study Group, 2025)
Um aluno com dificuldades nos estudos, mas habilidoso em lutas, decide proteger colegas de um grupo de estudos que sofrem bullying em sua escola.
“Mostra a resistência de um grupo de alunos às práticas de bullying, sendo um bom drama para introduzir a discussão”, aponta Silva.
Classificação indicativa: 16 anos.
Amanhã (Tomorrow, 2022)
A série acompanha um jovem que, após um acidente, passa a trabalhar com uma equipe que tenta impedir suicídios e ajudar pessoas em situações de grande sofrimento.
“O bullying é o foco de um dos episódios, quando os personagens tentam impedir que uma estudante cometa suicídio após sofrer violência escolar. Como esses dramas são mais intensos, é necessário que os professores conversem com os alunos e avaliem a exibição de algumas cenas”, afirma.
Classificação indicativa: 16 anos.
Disfarçado no ensino médio (Undercover High School, 2025)
O agente do NIS Jung Hae-seong é rebaixado após o fracasso de uma missão e se infiltra em uma escola para investigar um caso, onde conhece a professora Oh Soo-ah.
“Mostra a realidade de um aluno que é constantemente assediado por um colega de classe e precisa de apoio, inclusive da professora”, conta Silva.
Classificação indicativa: 14 anos.
A lição (The Glory, 2022)
Anos após sofrer violência extrema na escola, uma mulher coloca em prática um plano de vingança contra seus agressores.
“É um drama mais intenso, baseado em um caso real, e mostra de forma contundente as consequências do bullying ao acompanhar a trajetória de uma mulher marcada por essas experiências”, afirma Silva.
Classificação indicativa: 16 anos.
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Crédito da imagem: FG Trade – Getty Images