Leonardo Valle

A aposentada Anna Collis tem 81 anos, mora em Araçatuba (SP) e usa o Facebook para se informar, buscar receitas culinárias, compartilhar fotos e, principalmente, conversar com parentes e amigos. Alguns deles residentes de outras cidades. “Não uso mais o telefone para me comunicar. Prefiro texto porque é mais tranquilo. Vou digitando no meu ritmo e, se errar, corrijo”, justifica.

Assim como acontece com Anna, aprender a usar redes sociais e aplicativos de mensagens pode ser uma forma de diminuir a solidão de idosos e aproximá-los de pessoas queridas. “A inclusão digital está vinculada à autonomia e melhor convívio social dessa população”, assinala a coordenadora do Projeto de Extensão “Inclusão Digital para Idosos” da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Isabel Nunes. O projeto acontece em Natal (RN) e ensina, para a terceira idade, uso de WhatsApp, Facebook e apps de mobilidade.

“Muitos dos alunos lamentam por não serem incluídos nos grupos de WhatsApp da família e por serem deixados de lado”, conta. Segundo a pesquisadora, a maioria dos idosos têm acesso ao celular, o que falta é o conceito de letramento digital. “É saber utilizar de forma coerente e crítica”, explica. 

Mesma opinião possui a coordenadora do projeto Inclusão Digital da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Silvana Dal Bó. A iniciativa atende idosos da cidade de Tubarão (SC). “Não saber usar a tecnologia traz um sentimento de exclusão social e digital. Ela amplia as possibilidades desse público de se conectar com o mundo e a sociedade em que vive, seja em portais de notícias, vídeos ou redes sociais”, aponta.

Para a terceira idade, esse uso também está vinculado a um melhor convívio no “mundo real”. “É comum o desejo de aprender a usar aplicativos como o Uber para visitar parentes e se deslocar melhor pela cidade. Ou sites e ferramentas que informam o horário exato em que os ônibus passam nos pontos. Por conta da violência, eles se sentem mais seguros sabendo que a condução irá pegá-los sem que fiquem por muito tempo esperando”, destaca Nunes.

Além da autonomia e da integração nas relações familiares, ela aponta que a inclusão digital pode melhorar o raciocínio lógico do idoso e também sua independência financeira. “Essa faixa etária é produtiva e saber usar a tecnologia ajuda sua integração no mercado de trabalho. Principalmente em um contexto em que a população está envelhecendo”, aponta Nunes.

Esse é o caso do taxista Noé de Oliveira Primo, de 74 anos, um entusiasta dos aplicativos de mensagem. “Uso o WhatsApp tanto no trabalho quanto nas relações pessoais. Acho prático porque todas as conversas ficam registradas”, opina.

Ritmo de aprendizagem do idoso deve ser respeitado na hora de ensiná-lo a usar recursos tecnológicos (crédito: divulgação Unisul)

 

Ritmo de aprendizagem

A família pode apoiar o idoso ensinando-o a usar as redes sociais e aplicativos. Contudo, é preciso alguns cuidados. “Não faça por eles, mas ensine-os a fazer. Mesmo que demore mais tempo para ele aprender a dar um clique, é preciso respeitar o ritmo de aprendizagem de cada um”, orienta Nunes. Outro erro comum é parentes e familiares tratarem a pessoa da terceira idade como criança. “Ele tem mais experiência de vida que todos, e essa deve ser respeitada e valorizada.”

Também vale reforçar os exercícios mais de uma vez para a aprendizagem ser completa, assim como incentivá-los a praticarem diariamente. “Os parentes devem estimular o idoso a participar da vida digital da família, incluindo-os nas conversas”, sugere a coordenadora.

Outro cuidado é relacionado à segurança digital. “Nos cursos, ensinamos a eles apenas clicarem em links que tiverem certeza, e desconfiarem de tudo, mesmo que quem tenha enviado seja um conhecido. Esse é um grande desafio, porque essa faixa etária é muito curiosa”, revela Nunes.

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Crédito das imagens principais: divulgação Unisul

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