Conteúdos

Este plano de aula de história aborda o legado do escravismo no Brasil, identificando diferentes tipos de resistência, discutindo sua importância e refletindo sobre o legado africano na sociedade brasileira.

● Racismo;
● Identidade social;
● Representatividade;
● História do Brasil; e
● História afro-indígena.

Objetivos

● Identificar diferentes tipos de resistência ao escravismo;
● Reconhecer a importância da resistência ao escravismo para as populações negras;
● Analisar diferentes documentos históricos; e
● Refletir sobre o legado africano na sociedade brasileira.

Ensine também:

Construção de identidade: a importância da representatividade

Dia do Trabalhador e origem dos direitos trabalhistas no Brasil

Palavras-chave:

Negros. Escravismo. Resistência. Organização. Quilombos. Fuga. Capoeira. Cultura.

Ano/Série:

8º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Previsão para aplicação:

2 aulas (50 minutos).

1ª Etapa: Contextualização

Professor/a, nesta etapa você deve introduzir o assunto que será trabalhado durante a aula. Para isso, comece questionando a turma sobre qual(is) o(s) significado(s) da palavra resistência para eles.

Você pode escrever a palavra no quadro ou em um slide e projetar na sala de aula. Incentive os estudantes a expressarem os significados que atribuem a essa palavra. Nesse momento, aproveite para identificar os conhecimentos prévios dos estudantes.

Explique que, ao longo da aula, vocês irão trabalhar com os diversos sentidos e formatos de resistência que existiram durante um período específico da história do Brasil, que foi o escravismo.

2ª Etapa: Problematização e aprofundamento

Professor/a, esta etapa tem como objetivo aprofundar a discussão do tema proposto para a aula.

Nesse momento, explique aos alunos que existiram diversas formas de resistência utilizadas pelos negros e pelas negras que foram escravizados no Brasil. Retome alguns conteúdos importantes, tais como:
● A escravismo no Brasil durou 388 anos, tendo sido o último país a abolir a prática na América;
● O Brasil foi o país que mais recebeu africanos para serem escravizados em seu território; e
● O escravismo foi a base econômica sob a qual o nosso País foi construído, tendo estruturado papéis sociais e lugares de poder que têm ressonância na nossa sociedade até os dias de hoje.

Após retomar esses conteúdos, questione os estudantes sobre as formas de resistência ao escravismo que eles conhecem. Aqui, é esperado que sejam trazidas as estratégias mais conhecidas, como a fuga e a formação dos quilombos. Nesse momento, aproveite para explorar com o grupo a diversidade de formas de resistir que existiram, tais como as organizações abolicionistas, as revoltas contra a escravismo e as expressões culturais, como a capoeira, o samba, a manutenção das religiões e da cultura alimentar, entre outras coisas.

Você pode organizar as formas de resistência em categorias, como:
● Resistência cultural: capoeira, candomblé/umbanda, cultura alimentar, samba, jongo, maculelê, entre outras manifestações culturais de origens afro-brasileiras.
● Resistência política: acordos com os senhores, processos por libertação, revoltas e quilombos.
● Resistência física: capoeira, assassinatos, lutas, fugas etc.

Explique que esses exemplos não esgotam as formas de resistência que existiram contra o escravismo, mas representam algumas dessas ações. Incentive os alunos a participarem, citando exemplos de manifestações ou de ações que representem uma maneira de resistir ao escravismo.

3ª Etapa: Sistematização

Professor/a, esta etapa tem o objetivo de sistematizar os conhecimentos dos estudantes a respeito do tema trabalhado durante a aula.

Para isso:
● Divida a turma em grupos de até quatro alunos;
● Distribua entre os grupos as coletâneas de documentos;
● Cada grupo deve receber apenas uma das coletâneas; e
● Oriente os grupos a identificar qual tipo de resistência está presente nos diferentes documentos que compõem cada uma das coletâneas.

Coletânea 1:

“As fugas surgem de forma sistemática e neste sentido, falar dessas fugas como elemento importante no processo de desintegração da ordem escravista torna-se fundamental. Embora elas não tenham sido fruto desse momento, ao contrário, estiveram sempre presentes na história da escravidão, o fugir adquire um novo significado no final do século: uma vez que a instituição estava sendo questionada, circulavam diferentes opiniões sobre a escravidão e principalmente a carência de braços escravos para o trabalho se fazia sentir cada vez mais.”

SANTOS, Elizabeth Márcia dos. Resistência escrava: as fugas de escravos em São João Del Rei na última década de escravidão no Brasil. UFSJ: 2004, p.29.  Acesso em 10 de jul. de 2022.

Tipo de resistência:

Baiana do Acarajé, em Salvador – BA
Baiana do Acarajé, em Salvador – BA (crédito: reprodução/Wikipedia)

Tipo de resistência:

Coletânea 2:

Que navio é esse
que chegou agora
é o navio negreiro
com os escravos de Angola
vem gente de Cambinda
Benguela e Luanda
eles vinham acorrentados
pra trabalhar nessas bandas
Que navio é esse
que chegou agora
é o navio negreiro
com os escravos de Angola
aqui chegando não perderam a sua fé
criaram o samba
a capoeira e o candomblé
Que navio é esse
que chegou agora
é o navio negreiro
com os escravos de Angola
acorrentados no porão do navio
muitos morreram de banzo e de frio

Cantiga de Capoeira. Navio Negreiro, Mestre Camisa.
Acesso em: 10 de jul. de 2022.

Tipo de resistência:

Comunidade Quilombola em Curiaú, no Amapá
Comunidade Quilombola em Curiaú, no Amapá (crédito: reprodução/ Wikipedia)

Tipo de resistência:

Após a finalização da atividade, incentive os grupos a compartilharem com a turma as suas análises, contando como chegaram às conclusões sobre as formas de resistência representadas pelos documentos.

Peça, ainda, que dêem exemplos de outras formas de resistência que poderiam ter sido abordadas.

Roteiro de estudos elaborado pela Professora Júlia Bittencourt.
Revisão textual: Professora Daniela Leite Nunes.
Coordenação Pedagógica: Professora Dr.ª Aline Bitencourt Monge.

Materiais Relacionados

● SANTOS, Elizabeth Márcia dos. Resistência escrava: as fugas de escravos em São João Del Rei na última década de escravismo no Brasil. UFSJ: 2004
Acesso em: 10 de jul. 2022.

● CHALHOUB, Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas de escravismo na corte. São Paulo: Companhia das Letras, 2011
Acesso em: 10 de jul. de 2022.

● SCHWARCZ, Lilia Moritz. Retrato em branco e negro: jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no final do século XIX. São Paulo: Cia das Letras, 1987. p. 145
Acesso em: 10 de jul. de 2022.

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