Unida à mobilidade, a realidade aumentada se torna um importante recurso para interagir com o mundo por meio da tela do celular. Até hoje, o uso mais comum dessa tecnologia em aparelhos móveis tem sido sua utilização para o reconhecimento de logomarcas ou tags, gerando desenhos tridimensionais na tela. Quando isso acontece, a impressão que se tem é que a imagem passou a integrar o ambiente retratado pela câmera. A vantagem é que esse conteúdo pode ser acessado em qualquer lugar do mundo, tornando o uso dessa tecnologia mais real. Porém, as possibilidades de utilização só têm crescido. Um aplicativo desenvolvido pela empresa eyllo, incubada no Instituto Gênesis da PUC-Rio, é um exemplo de uso diferenciado do recurso. Eles desenvolveram o paprika, um aplicativo que integra o mundo real e digital na tela do celular.

A funcionalidade é simples: conectado à internet, basta apontar a câmera do aparelho celular para um espaço ao redor que o sistema logo passa a fornecer informações sobre estabelecimentos e lugares públicos (como restaurantes, lojas, postos de gasolina, hospitais etc.). Os locais são reconhecidos por meio do GPS do celular, e os dados, vídeos e imagens sobre eles são projetados por realidade aumentada na tela.

O serviço de geolocalização Foursquare também alimenta o paprika com informações criadas por seus usuários. Além disso, a produção de conteúdo para o aplicativo é colaborativa e pode ser feita no celular por meio do Facebook, em uma opção dentro do próprio paprika. Porém, o usuário só pode fornecer informações relacionadas a lugares próximos de onde ele estiver. Uma outra funcionalidade do aplicativo mostra na câmera a localização de tuítes e posts de Facebook enviados perto de onde ele está sendo executado.

Enylton Machado, educador e diretor de tecnologia da eyllo, falou ao Instituto Claro sobre alguns dos benefícios do aplicativo para o dia a dia. Na educação, o uso do paprika pode ser enriquecedor em atividades externas. “Os alunos têm à disposição informações minuciosas sobre todos os lugares que estiverem visitando, como prédios históricos, museus, exposições etc. É uma ferramenta interessante para o professor, já que o estudante também pode absorver muito conteúdo por si mesmo, apenas apontando a câmera do celular para aquilo que lhe interessar”, afirma Enylton. Além disso, é um interessante recurso para ações de mapeamento e busca de informações com os alunos, abrindo um grande leque de possibilidades de uso para os educadores.

Uma das ideias que utilizam o aplicativo e podem trazer benefícios para o dia a dia é seu uso para melhorar a dinâmica do transporte público. Além da consulta imediata aos itinerários, simplesmente apontando a câmera do celular para o ponto de ônibus à sua frente, o objetivo também é utilizar o dispositivo GPS que existe nos veículos de transporte de algumas das principais cidades do país. Dessa forma, ao voltar o celular para o ponto de ônibus que vai utilizar, o paprika informa exatamente qual a posição do veículo que o usuário está aguardando e o tempo estimado de espera até a sua chegada.

Veja um pouco da funcionalidade do aplicativo na prática:

https://youtu.be/ccgIIWox2GM

Conheça mais sobre a tecnologia

Integrar o mundo físico ao mundo virtual em tempo real? Essa é proposta da realidade aumentada, e o objetivo é alcançado ao focalizar objetos ou imagens do ambiente físico em uma câmera ligada a um computador ou outro aparelho digital. Por meio dessa interação, a câmera reconhece códigos presentes na imagem capturada, geralmente em formatos pré-determinados, como logomarcas ou tags. O reconhecimento desses códigos gera informações, na forma de uma imagem tridimensional, completamente integrada ao ambiente real retratado na tela.

Seu uso pode ser encontrado, por exemplo, em banners promocionais, em que é possível filmar uma tag pela câmera do celular e ter acesso a conteúdo exclusivo sobre uma marca ou produto, como vídeos, informações ou games. Devido a sua versatilidade, a realidade aumentada é utilizada em diferentes áreas do conhecimento, como na educação, na medicina, na arquitetura, no entretenimento, entre outros.

Realidade aumentada e interação

Divulgação

Projetada na tela, a narrativa está presente em todas as faces do cubo de realidade aumentada

Estudante de tecnologia e artes plásticas da USP e participante do grupo de pesquisa “Realidades – da realidade tangível à realidade ontológica”, Aline Antunes utilizou as faces de um cubo físico para desenvolver uma narrativa em que o espectador pode montar sua própria história. Em cada um de seus lados, o cubo traz códigos dentro de uma tag, que reproduz um vídeo em realidade aumentada. A história reproduzida é a clássica trama do triângulo pierrô, arlequim e colombina. O mais interessante, porém, é que a ordem em que o usuário assiste às cenas influencia diretamente a narrativa. De acordo com a sequência de lados do cubo que o usuário seguir, a história muda e pode apresentar três finais diferentes.

Aline conta que, além de um objeto artístico, a narrativa no cubo pode servir como um recurso possível para a aprendizagem. “O diferencial é que o aluno tem a capacidade de interagir com a história e modificá-la, o que faz com que ela se torne mais interessante para ele. Entre os mais jovens, pode ser um caminho para apresentar narrativas importantes ou até aulas interativas nas faces do cubo.”

Embora nunca tenha trabalhado com a realidade aumentada em aparelhos móveis, Aline se interessa pela área e afirma que o recurso pode ganhar contornos ainda mais tangíveis através da mobilidade, passando a uma interação com um número muito maior de elementos. Para Enylton, o uso da realidade aumentada fixada em um computador ou notebook é a mesma coisa que “colocar a informação em uma folha de papel”. Ele afirma que a realidade aumentada móvel é o resultado de uma evolução natural da internet, que traz a vantagem de apresentar um contato maior e mais imediato com o mundo físico.

Conheça outros exemplos do uso da realidade aumentada na educação:

https://youtu.be/sRq3lX0ifXA
https://youtu.be/D0q2slP66P8

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