Natural de Porto Alegre, Moacyr Scliar foi um dos grandes autores gaúchos que ganhou projeção nacional. Ao longo da carreira, acumulou cinco prêmios Jabuti dentro de uma obra composta por contos, romances, ensaios, literatura infantojuvenil e crônicas publicadas nos principais jornais do país. As obras do escritor dialogam com grandes nomes, como Machado de Assis e José de Alencar, e podem ser trabalhadas na escola.

“Há diferentes nuances na obra dele. A vida cotidiana e a sua invasão pelo fantástico e insólito é uma constante. Acredito que a temática judaica aparece de modo implícito e explicito, assim como o humor expresso de forma crítica”, analisa o professor de Teoria Literária e Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal da Fronteira Sul (RS) Demétrio Alves Paz.

Para os alunos do ensino fundamental 1, o docente indica a produção contista de Moacyr Scliar. Em artigo científico, Paz descreve duas sequencias didáticas para essa etapa de ensino baseadas, respectivamente, nos contos “Alô, alô” e “O adivinho”. No primeiro texto, os alunos são convidados a identificarem palavras desconhecidas e pesquisarem o seu significado, além de discutirem ateísmo e preconceito religioso. Já para iniciar o trabalho com o segundo texto, o professor propõe uma dinâmica na qual cada aluno deve “adivinhar” o futuro profissional de um colega, baseado nos seus gostos pessoais, e escrever sobre.

Já para o ensino médio, ele indica os romances ‘O exército de um homem só’, ‘O centauro no jardim’, ‘Mês de cães danados’ e ‘A mulher que escreveu a Bíblia’, com leitura mediada pelo professor.

Clássicos revistos

No campo da literatura infantojuvenil, ele também foi conhecido por fazer releituras de romances clássicos voltados para adolescentes, produção que pode ser resgatada pelo professor para discutir intertextualidade. “Ciumento de Carteirinha” é inspirado em “Dom Casmurro” e “O Mistério da Casa Verde” em “O Alienista”, ambos de Machado de Assis. “O Sertão Vai Virar Mar” faz referência ao livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, enquanto “Câmera na mão, o Guarani no coração” dialoga com “O Guarani”, de José de Alencar. “Podem ser estudadas no ensino fundamental 2 e servem de ponte para o ensino médio”, indica o pesquisador.

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