Os jogos cooperativos propõem uma mudança de perspectiva nas aulas de educação física, ao colocar a colaboração no centro da experiência em vez de priorizar a competição.

“Diferente dos jogos tradicionais competitivos, em que há vencedores e perdedores, nos jogos cooperativos o objetivo é que todos joguem juntos para alcançar uma meta comum, valorizando o processo, a participação e a construção coletiva”, resume o mestre em educação física pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Cristian Félix.

Em contexto escolar, os jogos cooperativos apresentam diversos benefícios pedagógicos, como favorecer a inclusão de todos os alunos, independentemente do nível de habilidade; promover valores como empatia, respeito, solidariedade e trabalho em equipe; e reduzir a ansiedade e a pressão associadas à competição excessiva.

“Assim, contribuem para um ambiente mais acolhedor e participativo nas aulas”, explica Félix, autor de um e-book gratuito sobre o tema (2025), fruto da sua dissertação de mestrado.

Durante sua pesquisa, ele trabalhou com jogos cooperativos com 103 alunos do ensino médio. Segundo Félix, é importante o professor estimular a comunicação e a tomada de decisões coletiva ao aplicar os jogos cooperativos com as turmas.

“Busque mediar conflitos, incentive reflexões após as atividades e evite reforçar comparações ou desempenhos individuais”, orienta.

A seguir, confira oito jogos cooperativos para aplicar nas aulas de educação física do ensino fundamental e médio.

Pega Corrente (Chain tag) – ensino fundamental e médio

Um aluno inicia como pegador. Ao tocar outro participante, eles dão as mãos formando uma corrente. A corrente continua pegando outros jogadores, até que todos terminem conectados.

Corrente sem fim (Corrida coletiva) – ensino fundamental e médio

Os alunos formam grupos e se conectam com os pés atados uns aos outros ou no tronco com um bambolê. “Devem se deslocar juntos até um ponto determinado. O desafio é todos chegarem juntos, sem se soltar”, descreve Félix.

Segundo o professor, o objetivo da proposta é estimular coordenação coletiva e ritmo em grupo. “Neste jogo, locomove-se melhor aquele que respeita o ritmo do seu grupo, não quem corre mais rápido de forma individual”, apresenta.

Centopeia com bambolê – ensino fundamental e médio

Os alunos formam um círculo de mãos dadas e passam um bambolê ao longo do corpo sem soltar as mãos.  O grupo precisa cooperar para que o bambolê percorra todos do círculo.

Lençolbol (Sheetball) – ensino fundamental e médio

Divididos em grupos, os alunos seguram um lençol ou tecido. Devem lançar e receber uma bola utilizando o lençol. “O foco é manter a bola em jogo o maior tempo possível”, indica Félix.

Vôlei infinito (Infinite volleyball) – ensino fundamental e médio

Os alunos se posicionam em círculo, trocando passes e utilizando fundamentos do vôlei. Marcam o ponto quando conseguem manter a bola no ar até que todos tenham dado ao menos um toque na bola. “O objetivo é manter a bola no ar pelo maior tempo possível”, assinala Félix.

Balões ao alto – ensino fundamental (anos iniciais)

Proposta da monografia de Maria Gabriela Leão da Silva, “Jogos cooperativos e sua utilização no ensino fundamental” (2017). O objetivo coletivo é não deixar nenhum balão cair no chão. Para isso, todos os alunos devem se empenhar de forma conectada e unida até que o professor dê o sinal de encerramento.

Dança das cadeiras cooperativas – ensino fundamental (anos iniciais)

Indicado por Igor Muniz na dissertação “Os jogos cooperativos e os processos de interação social” (Ufes, 2010). Diferente da versão tradicional, as crianças devem se ajudar para que todos permaneçam no jogo, sentando em partes de cadeiras ou umas sobre as outras conforme os assentos são retirados.

Pirâmide humana – ensino fundamental (anos iniciais)

Indicada por Muniz, a atividade preconiza que todos os alunos se organizem em pequenos grupos para formar uma pirâmide com seus corpos, combinando posições de base e de apoio. O objetivo é montar a estrutura de forma segura e equilibrada, com todos colaborando.

Veja mais:

Como adaptar jogos eletrônicos para a educação física?

16 jogos de mão para apresentar às crianças na escola

7 dicas para planejar uma aula de educação física decolonial

Crédito da imagem: FG Trade – Getty Images

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