O impressionismo é um movimento artístico que surgiu na França, na segunda metade do século XIX, quando um grupo de pintores passou a registrar cenas do cotidiano com pinceladas soltas e atenção aos efeitos da luz ao ar livre. Entre os artistas associados ao impressionismo estão Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas, Camille Pissarro e Berthe Morisot.

Na escola, o impressionismo aparece principalmente no oitavo e nono anos do ensino fundamental II, vinculado ao contexto histórico do surgimento das correntes artísticas de vanguarda, sendo retomado também no ensino médio.

“O movimento inicia na França na data simbólica de 1874, ano em que o grupo expõe junto e passa a ser chamado, de forma pejorativa, de impressionista por um crítico de jornal, que afirma que eles ficavam apenas nas primeiras impressões”, explica a professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Maria Tavares Cavalcanti.

Para dar esse nome, o crítico se inspira na obra “Impressão, nascer do sol”, de Claude Monet (1872), que retrata o amanhecer no porto de Le Havre com pinceladas rápidas. “O público estranhou, porque eles pintavam com manchas, e não de forma realista. Com o tempo, eles assumiram o nome, pois se viam como artistas que captavam impressões”, completa a docente.

Apresentando as características

Entre as principais características do impressionismo que podem ser discutidas com a turma está a saída do ateliê para pintar ao ar livre, seja em parques ou cafés.

“Apesar de não ser um registro ‘fotográfico’, eles pintavam de forma mais próxima da observação natural, percebendo, por exemplo, que uma sombra não é preta, mas pode ser colorida de acordo com a posição do sol e as cores do entorno. Eles se baseiam em observações científicas sobre como uma cor afeta a outra”, aponta Cavalcanti.

“A ideia era trazer à tona a noção de percepção visual e como ela funciona, mostrando que, dependendo do efeito da luz e do horário, a percepção da cor muda”, explica a coordenadora dos cursos de licenciatura em Artes Visuais EAD da Unoeste Luli Hata.

A pincelada fragmentada e evidente tornou-se uma marca dessa corrente artística. “Como a fotografia surge no século XIX, os pintores passam a evidenciar que o quadro é feito à mão, por uma pessoa, e não por uma máquina”, justifica Cavalcanti.

“No século XIX, na França, havia o Salon de Paris, uma exposição prestigiada que dava visibilidade aos artistas. Os impressionistas eram frequentemente recusados, pois suas obras eram consideradas inacabadas pelos críticos. Não se tratava da mesma técnica da pintura a óleo tradicional, que buscava um acabamento quase fotográfico”, destaca Hata.

Para completar, outra característica é pintar apenas o que se vê. “Ou seja, não há figuras imaginárias, como anjos”, afirma Cavalcanti.

“Apesar de, em geral, retratarem a burguesia, alguns artistas apresentam características próprias, como Edgar Degas, que representou trabalhadores”.

Impressionismo no Brasil

Cavalcanti conta que o impressionismo também influenciou pintores no Brasil. Ela aponta Eliseu Visconti, responsável pelos painéis do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como um dos introdutores da corrente no país.

“Em uma geração posterior, temos Georgina de Albuquerque, que dizia pintar como os impressionistas e afirmava que o movimento dialogava com o Brasil por sua paleta mais clara e pelas obras ensolaradas e luminosas”, afirma Cavalcanti.

A corrente também inspira o pós-impressionismo, que surge no final do século XIX. Entre seus representantes está Georges Seurat, que desenvolveu o pontilhismo a partir de estudos sobre cor e percepção visual.

Já entre os erros mais comuns ao apresentar o impressionismo aos alunos está a ideia de que os artistas utilizavam apenas cores primárias. “Eles não usavam tons terrosos, mas empregavam verde, por exemplo”, explica Cavalcanti.

Outro equívoco é confundir impressionismo com expressionismo, que surge posteriormente. “O expressionismo busca expressar emoções; o objetivo é diferente”, complementa.

A seguir, confira cinco atividades para ensinar impressionismo em sala de aula.

1) Pintura ao ar livre

Atividade citada na revista “Práticas e Reflexões com Educadores – Impressionismo”, do CCBB Educativo (2012), propõe a vivência da pintura ao ar livre inspirada na obra de Monet. Para isso, leve os alunos para uma área externa da escola e faça uma roda, com eles voltados para fora. Distribua guache e papel e peça para cada criança retratar o seu ponto de vista com os dedos. Ao final, peça para deixarem as pinturas no local onde estavam sentadas e solicite aos seus colegas que observem a vista dos diversos ângulos retratados.

2) Desenho cronometrado

A proposta do CCBB Educativo convida os alunos a realizar desenhos rápidos a partir da observação de elementos da própria sala de aula, como carteiras, colegas, objetos ou a paisagem vista pela janela. Com o uso de papéis coloridos e materiais como giz de cera, giz pastel, lápis ou carvão, a atividade busca exercitar a rapidez, a síntese no desenho e o aproveitamento da cor do suporte como parte da composição. Os estudantes são desafiados a produzir entre três e cinco desenhos em tempos progressivamente menores — começando com cinco minutos, passando para dois minutos e chegando a cerca de 45 segundos —, sempre com a troca da cor do papel a cada rodada. A proposta deixa claro que o foco não está no realismo, mas na percepção e na resposta visual imediata. Ao final, os trabalhos são expostos para uma conversa coletiva sobre as dificuldades e as possibilidades do desenho rápido e o desconforto provocado pelo tempo reduzido.

3) Fotografia inspiradas no impressionismo

Essa foi a proposta de Valéria Santos Diniz na dissertação “Projeto Monet: uma pesquisa-ação sobre ensino de fotografia e história da arte” (2024).

A atividade propõe que os alunos observem como artistas impressionistas, como Monet e Degas, costumavam registrar o mesmo objeto ou paisagem várias vezes para perceber mudanças de luz e de atmosfera ao longo do tempo. A partir disso, os estudantes escolhem um elemento do cotidiano e fazem uma série de fotografias com o celular, em momentos diferentes do dia ou em dias distintos. A ideia é reproduzir essa lógica das pinturas em série de forma simples e atual, usando a fotografia para observar variações de luz, cor e ambiente.

4) Exposição impressionista no Instagram

Já Raquel Machado Lopes Rudnik propôs na sua dissertação que os alunos criassem uma exposição impressionista no Instagram.

A atividade começa com uma pesquisa no Instagram, na qual os alunos buscam obras impressionistas de forma ampla, utilizando hashtags como #impressionismo, #impressionism e #impressionist, além de pesquisas mais específicas por artistas, como #monet, #renoir, #castagneto e #eliseuvisconti. Em seguida, a turma discute as características das obras encontradas e seleciona algumas delas para montar uma curadoria coletiva, que resulta na criação de uma exposição virtual em uma conta do Instagram.

5) Autorretrato impressionista

Indicação de Cavalcanti, essa atividade propõe que os alunos produzam um autorretrato inspirado no impressionismo, com foco na observação da luz, das cores e das pinceladas, e não na reprodução fiel da aparência. A partir do uso de espelhos ou da câmera do celular, os estudantes observam o próprio rosto em diferentes condições de luz e escolhem uma delas para o registro. O desenho ou a pintura pode ser feito com lápis de cor, giz pastel, tinta ou outro material disponível, valorizando pinceladas soltas e a mistura de cores. Ao final, os trabalhos são compartilhados e discutidos coletivamente, destacando as escolhas de cor, luz e expressão feitas por cada aluno.

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Plano de aula – Impressionismo: Pierre Auguste Renoir

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Crédito da imagem: Madzia71 – Getty Images

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