Conteúdos

– Contexto Histórico: Belle Époque francesa, período entre a Guerra Franco-Prussiana e a Primeira Guerra Mundial, Revolução Industrial
– Mudanças psicológicas, sociais e tecnológicas e suas influências nas artes
– Impressionismo: rupturas com o neoclássico e com o academicismo
– Vida e obra de Pierre Auguste Renoir.

 

Objetivos

– Compreender o período histórico da Belle Époque francesa
– Perceber as mudanças ocorridas na arte em decorrência das mudanças psicológicas, tecnológicas e sociais da Europa no período
– Conhecer o impressionismo como uma ruptura com padrões estéticos na arte e como precursor das vanguardas modernistas europeias

 

1ª Etapa: A Belle Époque – Os Impressionistas no centro da Europa

Estabilidade: a Belle Époque

O período conhecido como a “Bela Época” francesa é o primeiro período de estabilidade política e social no país e em toda a Europa, em cerca de quase um século. Ela coincidiu com o início da “Terceira República Francesa” e durou até a Primeira Guerra Mundial.

O governo republicano francês implantou a Constituição Francesa de 1875, na qual retomou grande parte dos ideais dos revolucionários de 1879, como a separação da Igreja e do Estado, a formação do Parlamento e as liberdades civis. Favoreceu a formação de indústrias e criou universidades. Por outro lado, o crescimento do período também está alicerçado na invasão e domínio de territórios africanos através do processo de “Neocolonização” referendado a partir da Conferência de Berlim, em 1885, que garantiu a paz entre os europeus as custas da guerra com os africanos.

Nesse momento, Paris era o centro cosmopolita da Europa e levava sua influência também para países americanos, como o próprio Estados Unidos. Era de lá que saíam as tendências da arte e da literatura, da moda e da música no mundo ocidental. As inovações tecnológicas e o progresso material, como a invenção do telefone, do telégrafo sem fio, do cinema e da fotografia, dos automóveis e o próprio avião – Santos Dumont circulou a Torre Eiffel no primeiro voo da história da humanidade em 1901 -atraíram diversos intelectuais e artistas para viver em Paris, conhecida como a “cidade-luz”. A capital francesa era também o centro do divertimento com a ampla existência de cabarés, teatros e óperas.

O momento em questão foi demarcado por um êxodo rural considerável, aumentando a população urbana, sobretudo a população pobre e trabalhadora que ia atrás de melhores condições de vida e buscava empregos em fábricas e indústrias. A industrialização também gerou maior consumo entre as classes dominantes e a classe média, que ia desde bens de consumo até o entretenimento.

Foi também um período de novas ideias e descobertas que influenciaram a forma de pensar e viver do povo europeu. O “Evolucionismo”, de Charles Darwin, o “Materialismo”, de Karl Marx e Friedrich Engels, os estudos sanitaristas e microbiológicos de Louis Pasteur, transformaram a ideia de matéria e de história.

Novos tempos, nova arte: Impressionismo

O impressionismo pode ser considerado o percursor das vanguardas modernistas do século XX, muito embora, diferente delas, não foi um movimento uniforme ou político, mas estético e contra o academicismo e o neoclassicismo nas artes. Cada um dos representantes do impressionismo seguiu percursos diferentes e retratou cenas e objetos distintos.

Profundamente influenciado pelo realismo, os artistas impressionistas também saíram de seus ateliês e foram retratar o real através da observação do instante em contraposição ao neoclassicismo, apegado ao modelo greco-romano, de figuras estáticas e retrato de poderosos e de eventos políticos. Também se opuseram ao romantismo e sua visão idealizada do homem e da natureza. Do ponto de vista técnico, os impressionistas romperam com a ideia de centralização dos objetos, de cores duras e fixas e do contorno que delimitava uma figura de outra em suas obras.

Para os artistas impressionistas, três avanços tecnológicos são determinantes no período: o da química, a invenção das tintas portáteis, feitas em tubos, que os permitia transportar seus materiais com mais facilidade para o ambiente externo ao do ateliê; o da fotografia, que impôs um novo papel aos artistas, já que o simples retrato da realidade não era mais suficiente para captação do momento ou do instante e, sobretudo, os estudos na área da ótica.

A ótica, uma área nova da física, estudou a questão da formação da imagem e das cores através do olho humano de acordo com a incidência da luz. Isso gerou uma verdadeira revolução na forma de pensar as cores, o contorno, as sombras, a distância entre o olhar do observador e a obra e o movimento em figuras bidimensionais. Os artistas impressionistas passaram a usar os conhecimentos desenvolvidos pela ótica para realizar suas obras e foram, eles mesmos, grandes pesquisadores da área.

Em 1872, na França, o que determinava o sucesso de um artista era sua aceitação ou rejeição no Salão de Paris. Era de lá que saíam suas vendas, o mecenato – uma forma de patrocínio feita por famílias ricas a determinados artistas – e o sucesso no restante da Europa. Quem determinava qual obra ia ou não ser exposta era um júri formado por artistas e críticos que valorizavam somente o estilo neoclássico, chamados de “academicistas”. Cansados de serem rejeitados ano após ano no salão, um grupo de jovens artistas, liderados por Édouard Manet, fundou a “Sociedade Anônima Cooperativa de Artistas, Pintores, Escultores e Gravadores”, cujo compromisso principal era a realização de uma exposição de obras por ano para auxiliar na divulgação de suas ideias e se sustentar através da venda das mesmas. A primeira exposição realizada pelo grupo ocorreu em abril daquele mesmo ano, nas salas do fotógrafo Félix Tournachon Nadar.

Como era de se esperar, a crítica e o público rejeitaram a exposição. Nela, o artista Claude Monet expôs o seu quadro “Impressão: nascer do sol”, que atraiu comentários furiosos do jornalista e também artista Louis Leroy. Para ele, os artistas da exposição buscavam causar “impressionismo” aos visitantes. A expressão pejorativa, no entanto, acabou se revertendo e os próprios artistas passaram a se denominar dessa forma. Em 1874, realizaram a primeira exposição usando sua nova denominação “Impressionistas” e, entre esse ano e 1886, fizeram mais seis exposições contando cada vez mais com o reconhecimento de público e crítica.

“Impressão: nascer do sol” – Claude Monet, 1872.

Os impressionistas realizavam suas obras a partir da observação direta da luz do sol incidindo sobre a paisagem ou a cena em questão, e as suas mudanças ao longo do dia, de acordo com a diferença da luminosidade. Iam para as áreas abertas e pintavam o que viam, da forma que viam. Não havia nesses artistas uma ideia edificante, como havia anteriormente nos românticos ou nos realistas. Seus objetivos eram voltados ao registro da luz solar sobre pessoas, objetos e sobre a natureza. Apesar de não terem grandes questões políticas como os realistas, as mudanças estéticas operadas pelos impressionistas renderam-lhes a alcunha de “revolucionários”, porque o rompimento causado com os academicistas foi em si só chocante para a época.

“Ponte Japonesa” – Claude Monet, 1899.
“Ponte Japonesa” – Claude Monet, 1900.

Para os artistas impressionistas, a cor não era uma qualidade absoluta. Ela se alternava conforme a mudança da luz e do dia sobre as coisas, gerando percepções diferentes em quem as vê. Nesse sentindo, eles passaram a utilizar cores contrastantes e complementares para criar efeito de luz e sombra, deixaram de usar a cor preta nas suas composições e misturava as cores diretamente na tela, sem antes passar pela paleta, como era um costume na época. Além disso, suas pinturas não têm linhas claras e demarcadas, para eles a linha é uma abstração criada pelo ser humano para representar o que se vê. Na natureza real, não existiriam linhas. Os impressionistas costumavam fazer várias séries de quadros da mesma paisagem e local em diferentes horas do dia ou em diferentes estações do ano.

“Aula de Dança” – Edgard Degas, 1974.

Outra característica das obras impressionistas é a não necessidade de centralizar os objetos presentes na tela. Para a arte neoclássica, o objeto ou a figura retratada tem começo, meio e fim na tela, podendo ser observado todos os elementos presentes na cena em questão. Os artistas impressionistas operavam recortes nas imagens retratadas, mais um elemento da questão do estudo da formação da imagem na retina, já que, para eles, o cérebro e o olho humano podem sozinhos completar o que falta no quadro.

É graças a esses elementos que os impressionistas são tratados como os abre-alas das vanguardas artísticas que tomaram a Europa a partir do século XX. Eles romperam com paradigmas antes impostos no campo da estética e da apreciação, fizeram experiências na área da física, ótica e química, saíram dos ateliês e estúdios e foram retratar a realidade, romperam com a noção de objeto definido com linhas demarcadas, ressignificaram a representação de imagens na época do advento da fotografia e criaram associações de proteção e grupos de apoio mútuo que romperam, ao menos parcialmente, com as imposições mercadológicas do período, podendo dar vazão à sua criatividade de forma mais livre.

Texto resumido baseado em:

PROENÇA, Graça. História da Arte. Editora Somos Educação: São Paulo, 2012.

HAUSER, Arnold. “VII. Naturismo e Impressionismo” in: História Social da Arte e da Literatura. Editora Martins Fontes: São Paulo, 2000.

2ª Etapa: Conhecendo Renoir

Sugere-se que o (a) professor (a) faça aulas expositivas tratando da vida do artista e, em conjunto, exponha obras para acompanhar o percurso do mesmo. A proposta é projetar as obras tanto para a apreciação, quanto para a análise de alguns aspectos técnicos e de temática empregada pelo artista, bem como:

1) O que está sendo retratado? Qual o tema?

2) Qual foi a escolha de cores empregada?

3) Há mais de um plano na obra ou apenas a figura central se destaca?

4) Há começo, meio e fim na figura retratada?

5) Há linhas que demarcam bem o que está na tela?

6) Como muda a obra do artista ao longo do tempo?

Nascimento e primeiras experiências

Pierre Auguste Renoir nasceu em Limoges, interior da França, em 1841, filho de um alfaiate e de uma modista. Sua família se mudou para Paris em 1845 e foram morar perto do Louvre. Fizeram parte do grande êxodo do campo para a cidade, que ocorreu no período, buscando melhores condições de trabalho. Em 1848, Renoir tornou-se aprendiz de um pintor de azulejos, onde iniciou sua vida artística realizando cópias altamente técnicas em objetos de decoração.

Nesse momento, Paris e toda a Europa passavam por uma fase de industrialização e Renoir foi trabalhar em uma fábrica de decorações, onde fazia azulejos, leques e tecidos de temática religiosa. Incentivado pelo patrão, se matriculou na Escola de Bellas Artes em 1861, mesmo ano em que foi aceito para acompanhar o artista Charles Gleyre em seu ateliê. Por ser pobre, Renoir trabalhava de dia e a noite estudava, mas isso somente durou até que a indústria que trabalhava fosse mecanizada e ele deixou o trabalho fabril.

Na Escola de Bellas Artes, Renoir iniciou uma amizade com Claude Monet e com Alfred Sisley, além disso, todos eles se reuniram ao redor de Édouard Manet, artista da geração anterior que sofria duras críticas por ter eliminado a linha entre os objetos, mas que para eles era considerado um herói. Os artistas impressionistas tinham o hábito de ir ao Balneário de Grenouillère, onde faziam estudos sobre as cores e suas composições e retratavam banhistas, jogos e brincadeiras.

Apesar de próximo dessa geração, Renoir chegou a ter algumas de suas obras aceitas no Salão de Paris. Uma delas é “La Esmeralda”, de 1864. “Lise com a sombrinha”, no entanto, foi a primeira obra com o qual foi conhecido, atraindo críticas negativas e positivas em relação à forma como retratou o seu vestido. “Diana, caçadora”, foi outra obra que atraiu os críticos e foi também inspirado na mesma mulher que o anterior, de nome Lise.

“Lise com a Sombrinha” – Pierre Auguste Renoir, 1867.
“Diana, caçadora” – Pierre Auguste Renoir, 1867.

Renoir e os impressionistas:

Em 1870, Renoir foi convocado para a Guerra Franco-Prussiana, a qual nunca chegou a nenhuma batalha real, tendo sido afastado por uma doença antes mesmo de participar de qualquer ação. Isso o afastou um pouco do dia-a-dia dos impressionistas, já que ele deixou de frequentar os círculos. Ele, no entanto, participou das primeiras exposições realizadas pelo grupo. As pinturas abaixo são do começo dos anos 1870:

“Barcos a Vela em Argenteuil” – Pierre Auguste Renoir, 1874.
“O Baile no Moulin de la Galette” – Pierre Auguste Renoir, 1877.
“A Leitora” – Pierre Auguste Renoir, 1876.

Paralelo às obras impressionistas, Renoir realizava também trabalhos feitos por encomenda, de forma diferente de seus colegas. Além disso, o artista não gostava de ficar restrito a regras na sua arte. Gostava de pintar paisagens, mas se dedicou mais a pintar cenas do cotidiano de Paris e pessoas dançando ou em situações de prazer e hedonistas. Para ele, a questão mais importante era o retrato do belo, o prazeroso, retrava, portanto, muitas mulheres nuas e em poses consideradas, na época, sensuais.

“Madame Charpentier e seus filhos” – Pierre Auguste Renoir, 1878.
“Retrato de Madame Henriot” – Pierre Auguste Renoir, 1876.

Período Áspero: mudanças técnicas e de temática

Em 1879, Renoir realizou sua primeira exposição individual e começou um período de sua vida que ficou conhecido como “Áspero”. Em 1881, o artista viajou para Itália e para Argélia, onde entrou em contato com as obras clássicas, sobretudo as de Ticiano e as românticas, se inspirando em Delacroix para realizar pinturas sobre o Oriente. Sua pintura passou por uma mudança e suas obras refletem mais o uso de linhas demarcando objetos e de cores mais opacas, com o uso do preto e tons pastéis.

“A tarde das crianças em Wargemont” – Pierre Auguste Renoir, 1884.
“Banhista penteando-se” – Pierre Auguste Renoir, 1885.

Nesse momento, outro elemento que influenciou sua pintura foi o seu casamento com Aline Charigot e o nascimento de seus três filhos. Renoir passou a realizar pinturas voltadas para o interior de sua casa e para sua família, tendo diversos retratos de sua esposa e filhos.

“Aline Charigot” – Pierre Auguste Renoir, 1885.
“Mulher amamentando” – Pierre Auguste Renoir, 1886.
“Maternidade” – Pierre Auguste Renoir, 1887.

Final da vida: artrite e reinvenção de si mesmo

A temática interior de sua família nunca mais abandonou a obra de Renoir. No final de sua vida, no entanto, o pintor retornou às suas origens impressionistas, sem, no entanto, ter qualquer comprometimento em seguir um ou outro estilo de forma rígida.

A partir de 1890, Renoir desenvolveu reumatismo, que desfigurou suas mãos e dificultou muito seus movimentos. O artista passou a pintar amarrando os pincéis aos dedos e adaptou o cavalete para facilitar seu trabalho ao desenrolar a tela. Mudou-se com a família para o Sul da França, onde voltou a fazer retratos de paisagens e das pessoas do local, sem deixar, no entanto, de retratar sua família.

“A serra de Saint-Victorie” – Pierre Auguste Renoir, 1889.
“Madame Renoir e seu filho Pierre” – Pierre Auguste Renoir, 1890.
“A lavadeira” – Pierre Auguste Renoir, 1892.

Em 1912, além do reumatismo, Renoir sofreu um acidente vascular cerebral, AVC, que o fez usar cadeira de rodas até o final da vida. O artista fez então incursões à escultura com auxílio de ajudantes, mas nunca deixou de pintar, utilizando para isso mecanismos e adaptações que facilitavam seu trabalho. Aline, sua companheira de vida toda, morreu em 1915, por problemas respiratórios. O pintor passou os últimos dias de sua vida em companhia de Henri Matisse, que se tornou seu amigo.

“Claude vestido de Palhaço” – Pierre Auguste Renoir, 1909.
“As banhistas” – Pierre Auguste Renoir, 1918.

Pierre Auguste Renoir, apesar de ter recusado a pecha de revolucionário e até de impressionista, foi as duas coisas. Se recusou a deixar-se dominar por qualquer uma das formas impostas e construiu um trabalho rico, variado, transitando livremente por diversos estilos, sem que isso comprometesse sua obra ou sua originalidade.

3ª Etapa: Questões de Vestibular sobre Renoir e os Impressionistas

Caso o (a) professor (a) estiver lecionando no Ensino Médio, é possível aplicar alguns exercícios que caíram em vestibulares a respeito da temática em questão.

1) (ENEM – 2009) Em busca de maior naturalismo em suas obras e fundamentando-se em novo conceito estético, Monet, Degas, Renoir e outros artistas passaram a explorar novas formas de composição artística, que resultaram no estilo denominado Impressionismo. Observadores atentos da natureza, esses artistas passaram a

a) retratar, em suas obras, as cores que idealizavam de acordo com o reflexo da luz solar nos objetos.
b) usar mais a cor preta, fazendo contornos nítidos, que melhor definiam as imagens e as cores do objeto representado.
c) retratar paisagens em diferentes horas do dia, recriando, em suas telas, as imagens por eles idealizadas.
d) usar pinceladas rápidas de cores puras e dissociadas diretamente na tela, sem misturá-las antes na paleta.
e) usar as sombras em tons de cinza e preto e com efeitos esfumaçados, tal como eram realizadas no Renascimento.

Gabarito: D

2) (UFMS/2009) Sobre o Impressionismo, assinale a alternativa correta

a) O movimento Impressionista foi representado por Litchtenstein, Edward Hopper e Andy Warhol, artistas franceses do início do século XX.
b) O movimento Impressionista, chamado de “arte de sensação rápida”, foi assim identificado por suas obras de construções de móbiles.
c) Com o advento da fotografia, o movimento Impressionista teve que reinventar os modelos de pintura da época, tendo como grandes nomes: Monet, Manet, Renoir, Sisley e Degas.
d) No movimento Impressionista, a utilização do recurso da impressão serigráfica foi o mais empregado pelos artistas do período.
e) A pintura Impressionista tinha como característica a cor chapada e sem luminosidade direcional, composta por formas geométricas e orgânicas.

Gabarito: C

3) (UEL/2017) Analise a figura e leia o texto a seguir:

Para Edgar Degas, o artista não é um simples receptor, uma tela sobre a qual se projeta uma imagem, ele é um ser empenhado em captar a realidade, em se apropriar do espaço. Em seus quadros, alguns temas se repetem: os gestos rítmicos das bailarinas e as mulheres executando movimentos cotidianos, como pentear-se ou banhar-se.

(Adaptado de: ARGAN, J. C. História da Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.104-109.)

Com base na figura, no texto e nos conhecimentos sobre o Impressionismo, considere as afirmativas a seguir:

I. Os impressionistas eram unânimes em relação à compreensão da sensação visual como fenômeno mental.

II. Monet promovia a dissolução visual do mundo em suas telas e Degas voltou-se para um desenho que estrutura a ação no espaço.

III. Degas recorreu, sem preconceitos, à fotografia, e isso é perceptível em seus desenhos e pinturas, sobretudo pelos enquadramentos.

IV. Em Mulher penteando seu cabelo, nota-se a pose complexa, o movimento suspenso capturado em uma etapa do esforço físico e a tensão formulada por linhas e manchas.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Gabarito: E

4) (UFU 2006) No final do século XVIII e durante o século XIX, a cultura europeia sofreu importantes transformações, sobretudo no campo da pintura e da literatura. A respeito deste contexto, podemos afirmar que

I – o Romantismo, marcado pela emoção, pelo sentimento e pela individualidade, criticava as regras acadêmicas e propunha a liberdade de expressão e a espontaneidade, nele se destacando o poeta inglês Lord Byron e o romancista e poeta francês Victor Hugo.

II – o Realismo pretendia realizar uma volta ao classicismo e ao barroco, retratando a imponência das fábricas, a riqueza das cidades e o progresso da civilização, por meio do avanço tecnológico, nele se destacando os pintores Pablo Picasso e Eugene Delacroix.

III – os seguidores do Impressionismo defendiam uma reprodução da realidade conforme as impressões recolhidas pelos sentidos, enfatizando o uso da luz e das cores, nele se destacando os pintores Monet e Renoir.

IV- o Naturalismo, cujos maiores representantes foram Charles Dickens e Dostoievski, promovia a identidade nacional e a valorização da cultura burguesa, em contraposição ao multiculturalismo pregado pelos realistas.

Assinale a alternativa correta.

a) Apenas I e III são corretas.
b) Apenas I e IV são corretas.
c) Apenas III e IV são corretas.
d) Apenas II e III são corretas.

Gabarito: A

5) (UESPI 2011) A cultura não ficou ausente das mudanças trazidas pela modernidade. Surgiu uma sensibilidade diferente, dos tempos do neoclassicismo, que causou admiração e polêmicas. Na arte do século XIX, por exemplo, os impressionistas:

a) Procuraram construir novas concepções estéticas, recusadas pelos conservadores e pelos salões de exposição oficiais.

b) Seguiram o realismo da pintura de Gustave Coubert, colocando novas cores e cenas expressivas da vida cotidiana.

c) Firmaram uma ruptura com os padrões tradicionais, mas foram bem aceitos pelos críticos franceses

d) Negaram o uso de técnicas atualizadas, retomando padrões renascentistas, mas com inovação na escolha das paisagens.

e) Tiveram em Manet seu representante principal, o qual foi muito elogiado, na época, pela sua ousadia.

Gabarito: A

6) (UFSM 2011) Leia atentamente o texto a seguir:

O que provocou esta revolução da mancha de cor? Não o sabemos e o próprio Manet decerto não lhe previu as implicações. Tudo leva a crer que ele sentiu a urgência de criar um novo estilo como resposta ao desafio da fotografia. O “lápis da natureza”, inventado um quarto de século antes, confirmara a verdade objetiva da perspectiva renascentista, mas estabelecera um nível de representação exata a que nenhuma imagem feita à mão poderia aspirar. Era preciso salvar a pintura da competição com a máquina fotográfica.

(JANSON, 1996, p. 356).

Refletindo sobre a relação entre a invenção da fotografia e a pintura moderna, analise as afirmações.

I. Os artistas sentem-se impelidos a buscar novas possibilidades, voltando-se menos para a observação da natureza e mais para elementos da própria pintura: cores, formas, composições etc.

II. Apesar dos esforços dos artistas para reinventar a pintura no século XX, a invenção da fotografia e, posteriormente, do cinema faz com que a pintura seja gradualmente aposentada e torne-se inexpressiva na Arte Moderna.

III. Por ser apenas um meio de reprodução mecânica da realidade, não podemos classificar a fotografia como uma forma de arte propriamente dita.

É correto o que se afirma apenas em:

a) I
b) II
c) III
d) I e II

Gabarito: A

Dicas:

Minissérie “Os Impressionistas”, produzido pela BBC, de 2006. Disponível em:   https://www.youtube.com/watch?v=yeWmTiN4C3o

Filme Renoir – Longa-metragem de ficção que retrata os últimos anos da vida do pintor e uma relação controversa entre ele, seu filho e sua nova modelo viva.

Direção de Gilles Bourdos. Ano: 2013.

Abaixo encontra-se um pequeno resumo a respeito dos acontecimentos na França e na Europa antes do período conhecido como Belle Époque, para introduzir este tema.

França em convulsão: a pintura romântica

Entre 1789 e 1799, a França passou por um processo revolucionário que não só alterou a ordem política e social de seu território, mas influenciou o mundo inteiro, tendo havido processos semelhantes nos Estados Unidos, no Haiti e reflexos em outros países da Europa. Não foi apenas uma revolução política, mas cultural, na qual até os meses do ano e o calendário foram alterados. A Revolução Francesa é o marco de início do período contemporâneo.

A Revolução Francesa foi um processo violento de tomada de poder e de derrubada da monarquia absolutista que dominava os países europeus até então. Divididos em Girondinos e Jacobinos, a burguesia e a classe média francesa buscava representações de seus interesses em um sistema que privilegiava apenas a nobreza e a Igreja. Durante o período denominado “Primeira República Francesa”, a partir de 1792, os revolucionários franceses implantaram um parlamento, separaram Igreja do Estado, fizeram leis civis de casamento e divórcio, etc.

Ainda durante esse período, o novo governo francês iniciou um processo denominado “Guerras Revolucionárias” nas quais, além de se proteger de outros países de monarquia absolutista que tentavam defender a família real francesa, buscou expandir seu território. O exército francês era comandado por um oficial chamado Napoleão Bonaparte que, ao voltar de campanha, em 1799, realizou um golpe militar e tomou o poder no país. O episódio é conhecido como “18 Brumário”.

Napoleão ficou no poder de 1799 a 1814 e instaurou o “Primeiro Império Francês”, no qual realizou guerras expansionistas, sobretudo na Europa e países africanos, chegando, inclusive, ao México. A Era Napoleônica reorganizou geográfica e politicamente o continente, sendo responsável pela queda definitiva do Império Romano-Germânico e acelerando, dessa forma, a unificação do território italiano e do alemão, favorecendo movimentos nacionalistas de defesa de território. Napoleão foi derrotado ao tentar invadir a Rússia no período de inverno em 1812. Suas tropas não estavam preparadas para enfrentar o rígido frio do território russo.

Em 1815, com a assinatura do Tratado de Paris, Napoleão foi deposto e a monarquia francesa voltou ao poder. O período ficou conhecido como “Restauração Bourbon”, sob o comando do rei Luís XVIII. Napoleão, exilado na Ilha de Elba, tentou tomar o poder mais uma vez, mas foi derrotado na famosa batalha de Waterloo.

Durante o período em que esteve no poder, Napoleão incentivou nas artes plásticas o romantismo. Esse estilo artístico nasce em oposição ao estilo clássico que valorizava as naturezas mortas, figuras estáticas, retratos familiares, e durou do final do século XVIII ao final do século XIX.

Os românticos valorizavam a emoção, a fantasia, o sonho e a natureza. Construíram imagens idílicas em espaços onde a imaginação pudesse ter vazão. Idealizavam a Idade Média, o nacionalismo e os valores individuais realizando obras nas quais o subjetivo aparecia através de expressões faciais e físicas. Por retirarem suas ideias dos acontecimentos e eventos sociais em mistura com a fantasia, os românticos registraram, por um viés subjetivo e objetivo, batalhas, coroações e outras situações políticas e sociais do período. Outra temática explorada é o registro de situações orientais bastante fantasiosas.

“A Batalha de Abukir” – Jean-Antoine Gros, 1806.

Apesar de Napoleão não ter tido êxito na tentativa de golpe, o período de restauração francesa durou apenas 14 anos e foi marcado por intensas instabilidades civis e revoltas populares e burguesas. Em um processo denominado “Revolução de Julho” ou “Três Gloriosas”, a burguesia republicana, em aliança com a população, tentou uma derrubada novamente da monarquia. O período foi demarcado por um aumento da população urbana e da classe trabalhadora e operária, já que toda a Europa vivenciou a Revolução Industrial. A burguesia, temerosa de um levante maior, derrubou apenas a dinastia Bourbon, mas, em seu lugar, colocou outra casa, a família de Orléans, através do rei Luís Filipe I.

“Liberdade Guiando o Povo” – Eugene Delacroix, 1830.

Europa em movimento: o realismo

Luís Filipe I havia batalhado ao lado dos revolucionários durante a Revolução Francesa e, graças a isso, era conhecido como o “rei burguês”. Sob sua regência, a alta burguesia francesa, banqueiros e novos industriais, se consolidou no poder. Para essa classe, foi a Idade de Ouro, porém, para a maioria da população e para os trabalhadores foi uma época de repressão e de crise financeira.

Na França, a década de 1830 e 1840 foi um momento no qual houve levantes e rebeliões legitimistas, tanto favoráveis à volta dos Bourbon, quanto republicanos. A convulsão, no entanto, não se restringiu somente à França, mas à Europa Central e Oriental em um movimento de derrubada das monarquias absolutistas denominado “Primavera dos Povos”.

A “Primavera dos Povos”, ou “Revoluções de 1848”, foram movimentos ocorridos em diferentes países como fruto da crescente industrialização que passavam no período. De um lado, monarquias que privilegiavam os nobres e a Igreja, de outro, burguesia e operários, novas classes sociais que buscavam espaço de decisão entre as classes que dominavam até então. As Revoluções de 1848 não eram movimentos coordenados, mas se influenciavam mutuamente, já que o que os unia era uma rejeição ao absolutismo. Em cada um dos países, esses processos tiveram caráter distinto, sendo nacionalistas em alguns movimentos e em outros, liberais, socialistas, etc. Na França, o resultado desses levantes foi a nova derrubada da monarquia e a instauração da breve “Segunda República Francesa”, cuja duração foi de 1848 a 1852, quando novo golpe derrubou o governo.

Luís Napoleão Bonaparte, ou Napoleão III, governou de 1852 a 1870, durante o período conhecido como “Segundo Império Francês”, um governo altamente centralizador. Em contrapartida à centralização e sensação de retorno ao absolutismo, esse foi um período de intensa modernização e desenvolvimento econômico no país. Paris se tornou o centro de propagação cultural e tecnológica, exportando ideias e determinando as tendências artísticas europeias a partir da consolidação dos Salões de Arte e das exposições. Isso gerou o aumento da industrialização no país aumentando o fluxo migratório do campo para a cidade, sobretudo para a capital, Paris.

Da intensa efervescência cultural, política e econômica, surgiram os realistas com obras que se contrapunham aos românticos e ao seu mundo idílico de fantasia e imaginação. A intenção dos realistas era retratar o cotidiano, sobretudo o dia-a-dia das pessoas comuns, mais pobres, tanto no campo quanto na cidade. São os primeiros artistas a saírem do ateliê e realizarem obras de observação, tentando captar dos momentos mais simples às mais complexas tensões do período em questão.

“Os Quebradores de Pedras” – Gustave Courbet, 1849.
“Pastora com seu rebanho” – Jean-François Millet, 1864.

Em 1870, tensões entre Alemanha, França e Prússia culminam na Guerra Franco-Prussiana. A Alemanha, em seu processo de unificação nacional, incitou uma disputa entre os dois países, na esperança de colher os louros territoriais da Alsácia e da Lorena, de maioria populacional germânica. Napoleão, contrariando o parlamento, acata a guerra e sofre uma dura derrota, tanto militar quanto popular.

Descontentes com a possibilidade de invasão prussiana em Paris e com as imposições de carestia de vida colocadas pela guerra, a população parisiense tomou a cidade e instaurou o primeiro governo operário da história, ligado a Primeira Internacional dos Trabalhadores e socialista. Chamada de “Comuna de Paris”, os trabalhadores comandaram a capital francesa por cerca de dois meses acelerando o fim da guerra e a queda de Napoleão. A dura repressão ocorrida aos seus participantes ficou conhecida como a “Semana Sangrenta” e foi um episódio de massacres e perseguições que pôs fim ao breve governo dos trabalhadores franceses e gerou, por outro lado, o fim do Segundo Império Francês.

Texto resumido baseado em:

HAUSER, Arnold. “VII. Naturismo e Impressionismo” in: História Social da Arte e da Literatura. Editora Martins Fontes: São Paulo, 2000.

HOBSBAWN, Eric J. Era das Revoluções – 1789-1848. Editora Paz e Terra: São Paulo, 2013.

Materiais Relacionados

1 – No site “Brasil Escola”, há um pequeno texto a respeito dos impressionistas. DANTAS, Tiago. Impressionismo. Acesso: 11/01/2019.

2 – No site “Infoescola”, há um resumo sobre o impressionismo e outro sobre a Belle Époque.

OLEQUES, Liane Carvalho. Impressionismo.
OLEQUES, Liane Carvalho. Belle Époque. Acesso: 11/01/2019.

3 – O site “História das Artes”, traz um pequeno texto também. Acesso: 11/01/2019.

4 – No site “Arte e Artistas” há uma biografia de Renoir. Acesso: 11/01/2019.

5 – No site “História das Artes” há um pequeno texto sobre Renoir. Acesso: 11/01/2019.

6 – No site da “Escola Britânica” há um breve texto sobre Renoir. Acesso: 11/01/2019.

Para aprofundamento:

– O livro “História da Arte”, de Graça Proença, é introdutório, voltado para professores e alunos. PROENÇA, Graça. História da Arte. Editora Somos Educação: São Paulo, 2012.

– Também é possível consultar Arnold Hauser. HAUSER, Arnold. “VII. Naturismo e Impressionismo” in: História Social da Arte e da Literatura. Editora Martins Fontes: São Paulo, 2000.

 

Arquivos anexados

  1. 2019_Plano de aula_RENOIR_Mayra Mattar Moraes

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