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O nome do médico Oswaldo Cruz (1872-1917) está associado ao enfrentamento de epidemias que marcaram o Brasil na passagem do século XIX para o século XX. Para ampliar o saber em torno do cientista, neste podcast, o Instituto Claro convidou educadores com diferentes pontos de vista a respeito de Cruz, para trazerem dicas de atividades que podem ser feitas em casa, com alunos da educação básica.

A historiadora e pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), Ana Luce Girão, explica a importância de se tratar esse conteúdo. “A gente vive um momento de um certo negacionismo em relação à ciência. Conhecer a obra de um cientista como ele é fundamental.”

Entrada do tour virtual pelo castelo mourisco, construído por Oswaldo Cruz (crédito: reprodução)

O chefe do “Museu da Vida”, da FioCruz, Alessandro Franco Batista, destaca diversas atividades educativas que foram adaptadas para o online. Entre elas, o e-book “Nos Trilhos da Ciência” sobre a doença de Chagas, a possibilidade de professores e alunos fazerem um tour virtual pelo castelo mourisco – prédio símbolo da instituição desenhado pelo próprio sanitarista –, e de assistirem a vídeos com experiências de ciências no canal do “Museu da Vida”, no YouTube.

O áudio também traz um relato da professora e diretora da Secretaria Municipal de Mauá (SP), Herlen Cristina Pires, que utilizou o Almanaque histórico “Oswaldo Cruz – o médico do Brasil” e o Guia do professor em uma atividade que envolve diferentes disciplinas do ensino fundamental II. O tema escolhido foi a culinária francesa abordada usando uma passagem de quando o médico viveu em Paris.

Por meio dos diferentes conteúdos, o estudante vai perceber que “Oswaldo Cruz viveu e atuou em um momento de grandes mudanças na ciência, possibilitando não só criar remédios, como vacinas, para uma série de doenças que antes eram fatais”, aponta Girão.

Crédito da imagem principal: Arquivo Nacional

Ver transcrição do áudio

Música “Pour Elise”, de Beethoven, ao piano, de fundo

Ana Luce Girão:
O Oswaldo Cruz viveu e atuou no momento de grandes mudanças na ciência, possibilitando não só criar remédios, como vacinas, para uma série de doenças que antes eram fatais.

Meu nome é Ana Luce Girão, historiadora, pesquisadora em saúde pública, da Fundação Oswaldo Cruz.

Vinheta: “Instituto Claro – Educação”

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
Oswaldo Cruz é lembrado como o médico brasileiro que enfrentou as epidemias da passagem do século 19 para o século 20. Neste podcast, você vai entrar em contato com uma série de atividades que podem ser feitas em casa, envolvendo a vida, as pesquisas e o contexto da época em que o sanitarista atuou.

Ana Luce Girão:
Isso é uma coisa superimportante pra que todos possam ter contato pra entender como é que se fazia ciência no início do século, as barreiras que eles tiveram que vencer, de pouco financiamento para ciência e para a saúde, mas também as barreiras políticas e as oposições, inclusive populares. E ainda assim eles avançaram.

Então, muitas das medidas impopulares que foram tomadas permaneceram até que se zerasse os casos de febre amarela no Rio de Janeiro. Quer dizer, entre 1903 e 1907 ele declara a cidade livre de febre amarela. E de uma certa maneira, ele teve apoio das autoridades, inclusive do governo federal, naquele momento. Isso é uma coisa que a gente precisa também aprender pra hoje, que muitas vezes você toma medidas que são, num determinado momento, altamente prejudiciais à economia, mas que você sabe que em algum momento essas medidas vão ser revogadas e isso salva vidas.

Marcelo Abud:
Chefe do Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz, a FioCruz, Alessandro Franco Batista, explica que neste momento a instituição está desenvolvendo conteúdos na internet. A ideia é auxiliar docentes com material que pode inspirar no ensino de ciências e outras disciplinas.

Alessandro Franco Batista:
Nós temos no nosso serviço de educação do museu uma equipe de educadores multidisciplinar. Uma das coisas, a gente desenvolveu vídeos que simulam eventos simples de química, de física, de biologia, através de tutoriais passo a passo, fazendo esses experimentos com materiais que as pessoas têm em casa. Isso é bem bacana porque possibilita às pessoas participarem, seguir esses vídeos.

Áudio da série “Experimentando com o MV”
Oi, galera! Eu sou Kailani, atriz do espetáculo “Paracelso, o fenomenal”, do Museu da Vida, e hoje eu vim mostrar pra vocês um experimento científico muito surpreendente. Esse experimento é bem fácil e você vai precisar de materiais simples. Perfeito pra fazer em casa.

Alessandro Franco Batista:
Nós fizemos no ano passado um e-book chamado “Nos Trilhos da Ciência” com uma educadora nossa, lá do museu, a Cláudia Oliveira, que conta um pouco da história do Carlos Chagas e da descoberta da doença de Chagas, esse e-book está disponibilizado também para o público através do site do museu.

Cláudia Oliveira:
(apito e chocalho simulam som de trem)
Vim trazer uma dica legal de um livro, que fala sobre dois cientistas: Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. Vocês já ouviram falar em algum cientista? A novidade é que esse livro pode ser lido de uma maneira diferente. Você pode entrar nele e brincar. Isso quer dizer que ele tem vídeos, sons, fotos… eu acho que é uma dica legal pra você que está aí em casa, enquanto a gente não consegue se ver.

(som de mosquito)

(educadora) O Carlos Chagas foi superimportante porque ele foi o cientista que investigou e descobriu a doença de Chagas e a forma de transmitir essa doença, que é por um inseto. (voz de criança) Ela é do mosquito? (educadora) Na verdade, era um inseto que se chama barbeiro que transmite a doença de Chagas.

Marcelo Abud:
A parceria de Oswaldo Cruz com Carlos Chagas também é um dos temas presentes em exposições do castelo mourisco. O espaço da FioCruz é um convite à arquitetura do Rio de Janeiro do início do século 20 e traz fotos e documentos de episódios como a Revolta da Vacina. O desenho inicial do local foi feito pelo próprio Oswaldo Cruz.

Alessandro Franco Batista:
Também fizemos a virtualização de duas exposições: o “Castelo Mourisco”, que é o prédio-símbolo da Fiocruz e um dos espaços de visitação do museu, então você pode fazer uma visita ao castelo virtual. Tem também uma visita à exposição temporária “Castelo de Inspirações”, que fala um pouquinho sobre a simbologia do castelo mourisco e sobre matemática.

Música: “Queremos saber” (Gilberto Gil):
“Queremos saber o que vão fazer com as novas invenções / Queremos notícia mais séria sobre a descoberta da antimatéria / E suas implicações”

Alessandro Franco Batista:
Quase todos esses materiais que foram feitos a partir do isolamento, eu diria que 90% desse material, ele foi feito com a janela de Libras, com legendas, com audiodescrição.

Marcelo Abud:
Outro material, criado inicialmente como almanaque impresso, também está disponível na internet e pode inspirar exercícios para todas as disciplinas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Como é tradição em almanaques, a ideia é partir de um assunto e gerar curiosidade para o aprendizado de outros conteúdos relacionados a esse tema.

A professora e diretora em escolas públicas de Mauá, região do Grande ABC em São Paulo, Herlen Cristina Pires, traz dicas do que pode ser encontrado no Almanaque Histórico e no Guia do Professor “Oswaldo Cruz – o médico do Brasil”. Ela trabalhou o tema da culinária francesa em um projeto interdisciplinar usando uma passagem de quando Oswaldo Cruz esteve em Paris.

Herlen Cristina Pires:
Trabalhei com esse material que foi disponibilizado pras escolas. Ele é muito informativo, pode ser usado pra qualquer série. Uma das sugestões de aula que tem ali pros alunos de 6º e 7º anos está no capítulo “Encontro com a Cidade Luz”. O aluno vai perceber como que era Paris de 1897.  Nesse capítulo há o relato de um episódio envolvendo Napoleão Bonaparte, na parte intitulada “Sabores de Paris”.

No “Guia do Professor” há uma atividade que integra várias disciplinas, a partir dessa receita francesa de omelete. No primeiro momento, a gente pode trabalhar língua portuguesa com o gênero textual “receita culinária”. Ele é dividido em duas partes, ele tem uma característica única. Então, a primeira parte da receita é de ingredientes e a segunda parte é do preparo.

Música: “Comida” (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto), com Marisa Monte
“A gente não quer só comer / A gente quer prazer / Pra aliviar a dor”

Herlen Cristina Pires:
Se parar pra prestar atenção, nesse gênero, a gente pode encontrar – na parte dos ingredientes – uma lista que tem quantidades e os ingredientes que serão usados nesta preparação. O que que a gente pode trabalhar aqui? Grandezas e medidas, de matemática. ‘Para fazer a receita para três porções são seis ovos. Não estamos em três, somos mais’. Então tem que aumentar em que proporção isso, cada ingrediente da receita? Integrando língua portuguesa com matemática vai fazer mais sentido. Porque o aluno vai poder executar uma receita de uma forma lúdica e ao mesmo tempo aprender essas duas disciplinas.

Outra disciplina, que pode ser colocada aí no caso, é história. É uma reflexão que pode ser feita, uma pesquisa, sobre a influência da culinária francesa na culinária mundial. Isso vai ser bastante interessante pra todos os alunos.

Marcelo Abud:
Saber mais sobre a vida e pesquisas de Oswaldo Cruz ajuda crianças a entenderem sobre posturas importantes a serem tomadas diante da circulação de um vírus.

Ana Luce Girão:
As crianças têm que ficar em casa. Isso é muito mais importante agora do que o ano letivo. Não que o ano letivo não seja importante, não que aprender não seja importante, mas nesse momento fique em casa. É isso! A grande lição que a gente tem nesse momento é essa: fiquem em casa!

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
Da sala de aula para a sala de casa, os mais diversos canais da Fundação Oswaldo Cruz trazem atividades que permitem aprender sem sair do sofá.

Os links para os materiais e exposições citados no áudio estão no texto que acompanha esse podcast.

Com apoio de produção de Daniel Grecco, Marcelo Abud para o Instituto Claro.

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