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 “Lá suas roupas eram arrancadas, seus cabelos

raspados e seus nomes apagados. Nus no corpo
e na identidade, a humanidade sequestrada, 
homens, mulheres e até mesmo crianças viravam
‘Ignorados de Tal’” 
(trecho do livro Holocausto Brasileiro)
 

Estação Bias Fortes, onde chegavam os chamados “trens de
doido” (Crédito: reprodução do livro “Holocausto Brasileiro”)

 

A jornalista e escritora Daniela Arbex publicou, em 2013, o livro-reportagem "Holocausto Brasileiro", fruto de uma década de investigação sobre o hospital Colônia, em Barbacena (MG). O livro ganhou o prêmio Jabuti no ano seguinte e passou a ser adotado em faculdades e escolas. Agora, também conta com uma versão em documentário, que estreia no dia 20 de novembro de 2016, às 21h, no canal MAX.
 
Na obra, estão reunidos os depoimentos de sobreviventes e de testemunhas da história do Colônia. Fruto do empenho da autora em encontrar pessoas que por ali passaram e aceitaram relatar experiências e memórias dolorosas. "Holocausto Brasileiro" é o segundo documentário produzido no país pelos canais HBO/MAX e terá distribuição para toda a América Latina.
 
Veja também:
 
No hospital Colônia, cerca de 60 mil pessoas foram submetidas às piores atrocidades, durante décadas. Eram negros, pobres, homossexuais, meninas grávidas, prostitutas, alcoólatras, crianças indesejadas, pessoas sem documento ou expulsas de casa pela família. Ali chegaram nos vagões do chamado “trem de doido”, em uma viagem sem volta.
 
Cerca de 70% dos internos em Colônia sequer tinham diagnóstico de doença mental. Vítimas de maus-tratos e crueldades, exposição ao frio e à fome, foram torturados, violados e esquecidos, encontrando a loucura, o horror e a morte no “hospital”. Os relatos são sobretudo de casos entre os anos 1930 e 1980.
 
A investigação revela uma das maiores tragédias do país, que se inicia com a abertura do hospital Colônia, criado para tratar tuberculosos e doentes psiquiátricos, no começo do século passado, tempo em que era comum o confinamento de doentes mentais.
 
No áudio, entrevistas com Daniela e também com a vice-presidente de produções originais da HBO Latin America, Maria Angela de Jesus. Elas apontam a importância de trazer a história ao conhecimento de todos, para que tragédias como essa jamais se repitam. Também com esse objetivo, o Museu da Loucura, espaço permanente criado em Barbacena em 1996, apresenta por meio de álbuns fotográficos e vídeos a história de vida dos que ali viveram e morreram.
 
As escolas que tiverem interesse em exibir o documentário para uso pedagógico podem entrar em contato pelo e-mail: hbo@agenciafebre.com.br
 

Geralda Siqueira, mãe de João Bosco, após ser violentada sexualmente foi levada para o Colônia grávida. Separados no nascimento da criança, voltaram a se reencontrar em 2011 (Crédito: reprodução do livro “Holocausto Brasileiro”)
 
LINKS:
– Saiba mais sobre o livro e o documentário na página do Facebook sobre "Holocausto Brasileiro"
– Vale ver também o documentário "Em nome da razão – os porões da loucura", realizado em 1979, por Helvécio Ratton
– Assista também ao registro da peça teatral "Nos porões da loucura”, de Ana Gusmão
 
Créditos: as músicas por ordem de entrada são: tema do filme "Holocausto Brasileiro" (instrumental), ladainha cantada por Sueli Aparecida Rezende interpretada pelo elenco da peça "Nos porões da loucura", "Sorrow" (instrumental), de Francesco de Luca e Alessandro Forti, "Mortal Loucura" (poema de Gregório de Mattos musicado por José Miguel Wisnik), na interpretação de Maria Bethânia, e "Trem de doido" (Lô Borges/Márcio Borges), com Milton Nascimento e Lô Borges.
 
 

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