Nesta segunda-feira, o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br)divulgou as Pesquisas TIC 2014, que monitoram o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em diferentes setores da sociedade. O objetivo dessas publicações é entender o cenário atual brasileiro e oferecer subsídios para políticas públicas que promovam a inclusão digital.
Entre os estudos estão o TIC Educação e o TIC Kids Online Brasil, que mostram uma perspectiva qualitativa sobre o impacto dessas ferramentas na escola e na vida de jovens e crianças em geral. Segundo Sonia Jorge, representante da Alliance for Affordable Internet que esteve presente no evento de lançamento, os dados apresentados nas pesquisam possibilitam avanços no uso das TIC na educação, por oferecerem uma análise de como elas são utilizadas no Brasil e onde é necessário melhorar.
Alguns resultados da pesquisa mostram uma adesão quase universalizada às tecnologias na educação, mas questionam o real aproveitamento delas. Isso porque 92% das escolas têm algum tipo de conexão à internet, o que não significa que o projeto pedagógico efetivamente integre esses recursos. Além disso, 96% daquelas que dispõem de rede wireless optam pelo acesso restrito com senha, que não é compartilhada com alunos, mostrando que os dispositivos pessoais ainda não foram apropriados pelo ambiente de ensino. Por fim, apenas 67% das públicas possuem wi-fi, uma queda em relação ao ano anterior, que atingia 71% das instituições.
Também merecem destaque os números sobre o local mais frequente em que os computadores são usados. Mantendo o valor de 2013, 30% dos professores o fazem na própria sala de aula, enquanto 55% ainda recorrem ao laboratório de informática. Esses valores vêm apresentando padrões de crescimento e queda, respectivamente, o que evidencia uma percepção cada vez maior sobre a importância de utilizar esses recursos a todo momento e não só em atividades específicas.
Essas ferramentas estão sendo cada vez mais incorporadas ao dia a dia dos educadores de forma que 97% as utilizam para buscar o conteúdo a ser trabalhado na sala de aula. O mesmo está acontecendo com os alunos, que passaram a recorrer mais às TIC fora para estudar em casa.
Fazer trabalho escolar é, inclusive, a segunda atividade mais realizada na internet pelos estudantes de 9 a 17 anos, perdendo apenas para o acesso às redes sociais. Em terceiro lugar, está a pesquisa sobre assuntos em geral. Contudo, a web continua sendo também um meio de propagação de bullying, ao passo que 21% dos entrevistados nesta faixa etária afirma já terem vivenciado algum tipo de violência online.
Em 2013, a TIC Kids Online detectou que 53% dos jovens e crianças usavam seus celulares para navegar na web e indicava que, em breve, eles ultrapassariam o computador. Essa previsão se confirmou em 2014, pois essa proporção aumentou para 82%, enquanto o uso das máquinas de desktop caiu de 71% para 56%.
Para todos os debatedores do evento de lançamento, é evidente a importância da produção periódica dessas pesquisas, uma vez que esses indicadores são responsáveis por descrever a situação atual da inclusão digital e permitir que, assim, sejam criadas políticas públicas adequadas. Entretanto, Rogério Santanna, ex-Conselheiro do CGI.br, órgão gestor do CETIC.br, levantou uma questão interessante: alguns problemas serão resolvidos naturalmente por causa da geração dos nativos digitais, por exemplo, o conhecimento sobre como aproveitar as TIC e quais possibilidades elas oferecem.
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