Na mesa de um café na zona oeste de São Paulo, oito pessoas se encontram para conversar. Até aí, nada de novo. O que deixa este encontro especial, além do fato de os integrantes não se conhecerem muito bem, é a maneira como ele foi concebido e seu objetivo: promover trocas entre indivíduos curiosos por um mesmo tema. No caso da reunião no café, idealizada por meio da plataforma Cinese.me, o que levou as pessoas até ali foi a vontade de conversar e refletir sobre consumo colaborativo, compartilhando o que sabem sobre o assunto.
Esta nova maneira de trocar conhecimento é conhecida como crowdlearning, conceito que ganhou força no Brasil no ano passado e vem se disseminando por aqui desde então. Seguindo um lema em comum – o de que é possível aprender qualquer coisa, com qualquer pessoa, em qualquer lugar -, várias plataformas como o Cinese.me se espalharam pelo país.
Fundado pelas irmãs empreendedoras Camila e Anna Claudia Haddad, o site é uma tentativa das duas de investir em um projeto educacional que pudesse estimular grupos de diferentes perfis. “A gente sempre achou que a educação deve formar indivíduos mais questionadores, que sejam protagonistas daquilo que eles querem aprender”, conta Camila, que enxerga no crowdlearning uma maneira de quebrar as barreiras da educação tradicional. “O Cinese aparece para as pessoas que sonham com um diferente modelo educacional”, explica.
A popularização das redes sociais foi decisiva para que as plataformas de modelo “crowd” -que se baseiam na força do coletivo para solucionar problemas e criar alternativas- pudessem crescer, tomar forma e ganhar adeptos.Crowdfunding (financiamento coletivo de projetos), crowdsourcing (criação colaborativa em rede) e, agora, o crowdlearning são vistos como caminhos para desburocratizar processos que podem ir desde a compra de um ingresso para um show até a produção de um software livre. “A sociedade em rede desconstroi todo um sistema de poder existente”, aponta Anna Claudia. Um encontro para falar sobre consumo colaborativo, como o do Cinese.me, acaba levando a outros temas de interesse do grupo. Surgem então dicas de filmes, livros, sites e aplicativos que servem de apoio para que cada um aprenda mais sobre o tema por meio de experiências informais.
https://youtu.be/8T5DtquL7wo
A ideia de reunir gente com diferentes experiências e perspectivas para refletir pode se aplicar a uma simples caminhada no Bixiga para saber mais sobre a história do bairro italiano de São Paulo, quanto a um workshop para profissionais interessados em solucionar uma questão específica. Os encontros podem ser pagos ou não, dependendo da atividade proposta e do quanto os participantes estão dispostos a investir em determinado aprendizado. No caso do Mesa e Cadeira, os participantes pagam para literalmente sentar-se à mesa com um expoente de uma determinada área e desenvolver com ele um projeto, em tempo limitado. Saiba mais sobre como acontecem os encontros no vídeo:
Andy Cameron – português from mesa&cadeira on Vimeo.
Além da sala de aula
Ainda em São Paulo, o The Hop oferece atividades grátis e outras pagas (a partir de R$ 25). O fundamental, segundo Andrea Rozenberg, uma das fundadoras, é que os encontros sejam interativos. “Tudo é conhecimento e para que todos possam ensinar e aprender, não precisa ser uma aula ou um workshop”, defende. Para ela, um dos pontos que mais chama a atenção de quem se inscreve é o ntworking, ou a possibilidade de conhecer novas pessoas que tenham interesses em comum. “Hoje somos muito fechados, não fazemos coisas novas e não encontramos novos amigos. Uma das nossas propostas é exatamente mudar isso”, conta ela.
Camila Haddad, do Cinese.me, acredita que ocupar os espaços da cidade e conhecer novos lugares também é um diferencial para quem participa dos encontros. “Nós vamos sempre da faculdade para o trabalho e do trabalho para casa, não nos conectamos de verdade com os espaços pelos quais passamos”, afirma. Neste movimento de aproveitar outros cantos da cidade para processos de aprendizagem, alguns bares e galerias de arte de Curitiba vêm sendo ocupados pelos cursos d’A Grande Escola, que estreou no começo do ano com a ambição de ser “a escola das coisas que não se aprendem na escola”.
Diferentemente do The Hop e do Cinese.me, que abrem espaço para que qualquer um proponha encontros, os cursos do coletivo paranaense são propostos pelos próprios organizadores. “Nós oferecemos o conteúdo, mas também recebemos sugestões e damos a oportunidade de pessoas se inscreverem para serem educadores, independentemente do que sabem”, explica Guilherme Krauss, um dos idealizadores do site.
Também na região Sul, o Nos.vc, de Porto Alegre, foi uma das primeiras plataformas brasileiras a difundir os encontros de aprendizado coletivo, como mostramos nesta matéria. Hoje, o site promove reuniões em várias cidades do país, como Florianópolis, Nova Friburgo, Belo Horizonte e Santos.
Navegue pelas plataformas e saiba quais são os próximos encontros
Encontro Revolucionário das mulheres incríveis – 15/09
Onde: São Paulo – SP
Quanto: Grátis
Tecnologias Web, criatividade é o limite! – 15/09
Onde: Ponta Grossa – PR
Quanto: Grátis
The Hop
Chocolates Gourmet – 16/09
Onde: São Paulo – SP
Quanto: R$ 130,00
Descobrindo o palhaço – 16/09
Onde: São Paulo – SP
Quanto: R$200,00
Caminhando pelo Bixiga – 16/09
Onde: São Paulo – SP
Quanto: R$15,00
A Grande Escola
Internet para amadores – curta a web numa nice – 20/09
Onde: Curitiba – PR
Quanto: R$99,00 adiantado ou R$119,00
Nós.vc
Conta outra! – 27/09
Onde: São Paulo – SP
Quanto: R$120,00
Empreender com propósito – 28/09
Onde: Florianópolis – SC
Quanto: R$180,00
Design possível para lugares improváveis – 05/10
Onde: São Paulo – SP
Quanto: R$1.360 (à vista) ou R$ 1.560 (em até 4 vezes)