“Os alunos vêm compreendendo que precisam ser um novo tipo de cidadão, que devem estar conectados”, avalia o professor de segundos e terceiros anos do ensino médio, Raphael Xavier Barbosa, na Escola de Referência em Ensino Médio Joaquim Távora, em Recife (PE). Desde agosto de 2012, estudantes têm recebido tablets para ajudar na aprendizagem.

Segundo o professor, a tecnologia é um instrumento forte, que vem modificando o cotidiano da escola. “Internet, tablet e curiosidade do aluno fazem com que a aula fique cada vez com mais repleta de informações e experiências”, acredita. Acompanhe abaixo a entrevista concedida ao NET Educação.

NET Educação – Já tem alguma avaliação de como está sendo o processo de trabalhar com os tablets?

Raphael Xavier Barbosa –
 O processo vem sendo implementado. Existia uma expectativa grande no recebimento dos tablets. Já que há histórico de políticas que ficam apenas na promessa, os alunos até pensaram que os equipamentos não chegariam. Quando vieram, levou a um ganho de autoestima. O tempo vem passando e vamos fazer ainda um ano [em agosto] de tablet dentro da sala. Percebemos que estamos em uma evolução.

NET Educação – Quais são os ganhos?

Barbosa – Além da motivação, os alunos vêm compreendendo que precisam ser um novo tipo de cidadão, que devem estar conectados, com a internet, como o termo que se utiliza hoje em dia: ser um cyber cidadão. Pensar nesse meio [online] como forma de [adquirir] conhecimento, e não só entretenimento. Atuar na sociedade no plano físico, e também fazer manifestações na internet, buscar conteúdo e trazer para a sala de aula, já que ela deve ser um universo de discussão.


Professor passa trecho de filme para discutir durante aula de filosofia

NET Educação – A tecnologia sendo utilizada na educação pode fomentar esse debate?

Barbosa – É um instrumento forte e poderoso, que vem até modificando o cotidiano da escola. O ambiente da sala de aula não fica restrito a sala de aula. O aluno pode se comunicar por outros meios e ter outras experiências no ambiente virtual, trazendo um ganho importante. A aula fica mais rica. A sala de aula é um espaço de troca de conhecimento e nem sempre o professor tem que ficar preso ao conteúdo formal, aquilo que planejou antes da aula. Internet, tablet e curiosidade do aluno fazem com que a aula fique cada vez com mais informações e experiências.

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– Educação 3.0 traz autonomia e construção conjunta do conhecimento

NET Educação – Existe essa ideia de compartilhamento de informação dentro da sala na Joaquim Távora?

Barbosa –
 Favorecemos essa noção de que os alunos trabalhem em conjunto. Muitas vezes existe esse compartilhamento quando fazemos as pesquisas. Um determinado aluno procurou, logo que chegou o tablet na escola, sobre o que era ser um cyber cidadão. Alguns alunos nunca tinham ouvido falar dessa palavra. Tiveram até dificuldade para encontrar, já que é um conceito que está sendo discutido muito recentemente. Eles pesquisaram em conjunto e compartilharam entre eles.

Também, tiveram contato com a chamada Primavera Árabe, [protestos no mundo árabe entre 2010 e 2012], por meio do Facebook, [quando manifestações e passeatas foram divulgadas nas mídias sociais para sensibilizar a população e a comunidade internacional]. Os estudantes já começam a perceber que o Face não é só um site de relacionamento. Entram em contato com vídeos, matérias, blogs e de um jeito ou de outro, acabam trazendo a discussão para a sala.

tablet vem ajudando esse compartilhamento não só entre professor e aluno, mas entre os próprios alunos. A sala de aula sempre foi um mundo, mas limitado, porque não tinha internet. Agora não, é um mundo conectado com outros mundos. O tablet tem a função de tornar os alunos cyber cidadãos, pessoas que podem atuar na sociedade e como ela é digital, se eles não souberem usar, não estarão inseridos.

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Dossiê Primavera Árabe
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Entrevista com professor mostra ideias e sentimentos que levaram à Primavera Árabe

NET Educação – Acaba sendo um desafio para o aluno e também para o professor?

Barbosa – Sim, é um desafio, porque o professor terá que pensar novas metodologias. As teorias tecnicistas que utilizavam o elemento tecnológico simplesmente como um atrativo da aula, [cabendo ao professor a execução dos objetivos pré-estabelecidos], são superadas à medida que agora passa a ser algo que tem que ser incorporado à aula. Com mais informação, o aluno vai vir cada vez com mais dúvidas.

Ele navega na internet, olha a aula que o professor deu, pensa nos assuntos, e vai trazer novas informações que o professor, mesmo planejando sua aula, não tem condições de prever, porque o tempo é curto. Então, aquele aluno enriquece seu campo de conhecimento, principalmente por causa do que a tecnologia pode proporcionar.

O professor acaba se revendo enquanto professor, e vê que o modelo que ele seguia há anos não é mais o proposto para hoje. Toda a rede escolar está passando por um desafio e só vamos saber se foi vencido ou não realmente, à medida que o processo vai se estruturando e se tornando cada vez mais claro. No momento, acredito que existem mais desafios do que soluções.

NET Educação – A conectividade é um deles?

Barbosa – Isso, é necessário compreender que maior quantidade de tablet exerce a ideia de que é necessário melhorar a conectividade. É preciso planejar quantos alunos vão usar um servidor. Então, nem sempre a internet será a mais rápida e deve gerar certa dificuldade. Isso é um ponto de melhoria para pensar a qualidade. Quando um professor pede para os alunos fazerem uma pesquisa, possivelmente a quantidade de acesso vai dificultar para outros estudantes de outras séries usarem. Em alguns horários há um congestionamento.


Barbosa alterna uso da mídia com lousa convensional

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