Conteúdos

Este roteiro de estudos traz a análise detalhada de uma redação que obteve a nota máxima no Enem 2025, para te ajudar a construir o seu texto de acordo com o que os examinadores consideram uma excelente redação.

Objetivos

  • Compreender os aspectos que contribuem para que uma redação do Enem seja bem avaliada; e
  • Desenvolver uma metodologia para verificar a adequação da sua redação às competências avaliadas pelo Enem.

Conteúdos / Objetos do conhecimento:

  • A proposta de redação do Enem 2025;
  • Redação nota 1000;
  • Analisando a estrutura da redação: introdução, desenvolvimento e conclusão; e
  • Competências avaliadas – análise detalhada.

Palavras-chave:

Língua portuguesa. Redação. Enem 2025. Redação nota 1000. Competências.

Proposta de trabalho:

Este roteiro traz uma das redações que recebeu nota máxima no Enem 2025, acompanhada de uma análise detalhada, que te ajudará a avaliar suas próprias construções textuais, aprimorando-as.

Bons estudos!

1ª Etapa: A proposta de redação do Enem 2025

Para que possamos analisar uma produção textual, é necessário que, antes de mais nada, tenhamos conhecimento do que foi solicitado.

Vejamos, portanto, a proposta da redação do Enem 2025:

Disponível em: Exame Nacional do Ensino Médio 2025
Acesso em: 25 de junho de 2026.

2ª Etapa: Redação nota 1000

Considerando os textos motivadores e a proposta de redação acima, que traz o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, vamos agora ler uma das redações que receberam nota máxima no Enem 2025, de autoria de Laryssa Melo:

“A Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito ao respeito e à dignidade humana, incluindo os idosos. Entretanto, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, as quais são, em sua maioria, negativas, podem contrariar o texto constitucional. Isso ocorre devido à escassez de fiscalização e ao preconceito e deve, pois, ser alterada urgentemente.

De início, vale destacar que a escassez de fiscalização é uma grave falha estatal. Nesse sentido, cabe referenciar a Lei Orçamentária Anual (LOA), a qual indica quanto deve ser investido em cada setor, priorizando algumas áreas e subfinanciando outras. A exemplo destas, cabe citar o ramo de fiscalização, com destaque para o cumprimento de leis que priorizam o idoso, o qual recebe somente cerca de um por cento de verbas para seu funcionamento, o que compromete a qualidade de seus serviços. Essa precarização pode ser vista na falta de profissionais especializados nesse setor e no não envio constante de fiscalizações para locais necessitados da atividade, por exemplo. Muitos lugares, como “shoppings” e mercados possuem, por lei, vagas exclusivas para pessoas com mais de sessenta anos e filas prioritárias. No entanto, muitas vezes, tais normas são desrespeitadas tanto por clientes, quanto por funcionários, os quais, sem a devida vigilância, continuam a infringir leis que asseguram os direitos dos mais velhos, demonstrando uma perspectiva negativa acerca do envelhecimento populacional. Urge, então, uma mudança nesse cenário adverso.

Ademais, o preconceito contra anciãos, denominado etarismo, agrava o problema. Nesse contexto, cabe fazer menção ao pensamento de Albert Einstein, segundo o qual é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Tal premissa se verifica na sociedade brasileira na medida em que grande parte da população possui uma visão inadequada acerca dos idosos, percebendo-os como incapazes e fracos para realizar qualquer atividade e compromisso, o que acarreta a não aceitação, muitas vezes, de pessoas com idade mais avançada no mercado de trabalho e a apropriação de renda do idoso por parte dos familiares, por exemplo. Assim, há o predomínio de uma perspectiva errônea e prejudicial quanto ao envelhecimento da sociedade. Logo, é necessária a reversão dessa conjuntura brasileira.

Portanto, cabe ao governo do Brasil, responsável pelo bem-estar social, promover uma melhoria nos serviços fiscalizatórios por meio de maiores investimentos nesse setor, a fim de que as leis e as normas que garantem os direitos dos maiores de sessenta anos sejam devidamente cumpridas. Além disso, cabe ao Estado realizar campanhas sobre as perspectivas positivas do envelhecimento, com o fito de que as ideias equivocadas sobre os idosos sejam desfeitas rapidamente.”

Transcrição disponível em: Leia redações nota 1000 do Enem 2025 – Guia do Estudante
Acesso em 25 de junho de 2026.

3ª Etapa: Analisando a estrutura da redação: introdução, desenvolvimento e conclusão

Depois de ler a redação acima, à qual foi atribuída nota 1000 no Enem 2025, vamos observar juntos os principais aspectos estruturais do texto:

a) Introdução

No primeiro parágrafo, a autora cumpriu adequadamente as duas funções fundamentais da introdução da redação do Enem. Primeiramente, realizou uma contextualização do tema ao mencionar a Constituição Federal de 1988 e o direito dos idosos ao respeito e à dignidade humana. Dessa forma, o leitor compreende imediatamente que a discussão será sobre as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.

Além disso, a estudante apresentou sua tese de forma clara ao afirmar que as visões predominantemente negativas sobre o envelhecimento contrariam os princípios constitucionais e decorrem de dois fatores principais: a escassez de fiscalização e o preconceito contra os idosos. Assim, o parágrafo inicial já antecipa os argumentos que serão desenvolvidos ao longo da redação, garantindo unidade e coerência ao texto.

b) Desenvolvimento

Formado pelo segundo e terceiro parágrafos, o desenvolvimento atende ao objetivo principal dessa parte da redação: aprofundar a discussão por meio da apresentação e da fundamentação dos argumentos que sustentam a tese.

No segundo parágrafo, a autora aborda a escassez de fiscalização como um dos fatores que contribuem para a manutenção de perspectivas negativas sobre o envelhecimento. Para fundamentar sua argumentação, utiliza uma referência à Lei Orçamentária Anual (LOA), explicando como a distribuição de recursos públicos pode impactar a qualidade dos serviços de fiscalização. Em seguida, apresenta exemplos concretos, como o descumprimento de vagas exclusivas e filas prioritárias destinadas aos idosos, demonstrando como a ausência de fiscalização favorece a violação de direitos garantidos por lei.

Já no terceiro parágrafo, a estudante desenvolve o segundo argumento da tese: o preconceito contra os idosos, identificado como etarismo. Para fortalecer sua defesa, recorre a uma referência sociocultural por meio de uma citação atribuída a Albert Einstein, segundo a qual é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. A partir dessa reflexão, a autora relaciona o pensamento ao contexto brasileiro, explicando como estereótipos que associam a velhice à incapacidade e à fragilidade contribuem para práticas discriminatórias, como a exclusão de idosos do mercado de trabalho e a apropriação indevida de sua renda por familiares.

Ao longo dos dois parágrafos de desenvolvimento, observa-se a manutenção da progressão argumentativa, uma vez que cada argumento é apresentado, explicado e exemplificado, contribuindo para sustentar a tese defendida desde a introdução.

c) Conclusão

Na conclusão, a autora retoma a problemática apresentada ao longo da redação e propõe medidas para enfrentar os fatores responsáveis pelas perspectivas negativas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.

A proposta de intervenção apresenta os elementos exigidos pela matriz de correção do Enem:

Quem atuará para a resolução do problema: o Governo do Brasil e o Estado.

Como atuará: por meio do aumento dos investimentos nos serviços de fiscalização e da realização de campanhas educativas sobre as perspectivas positivas do envelhecimento.

Com qual finalidade: garantir o cumprimento das leis que protegem os idosos e combater ideias preconceituosas relacionadas à velhice.

Qual problema será enfrentado: o desrespeito aos direitos dos idosos e a persistência do etarismo na sociedade brasileira.

Dessa forma, a conclusão dialoga diretamente com os argumentos apresentados no desenvolvimento, oferecendo soluções compatíveis com as causas identificadas ao longo do texto. A proposta é considerada válida porque apresenta agentes responsáveis, ações concretas e objetivos definidos, encerrando a redação de maneira coerente com a tese defendida desde o início.

d) Considerações finais

Um dos aspectos que contribuem para a alta pontuação dessa redação é a sua estrutura bastante organizada. A autora apresenta uma tese clara na introdução, desenvolve dois argumentos distintos e complementares nos parágrafos seguintes e finaliza com uma proposta de intervenção alinhada às causas discutidas.

Além disso, o texto faz uso de repertórios socioculturais (Constituição Federal, Lei Orçamentária Anual e Albert Einstein), exemplos concretos e conectivos argumentativos (“De início”, “Ademais”, “Portanto”), recursos que favorecem a progressão das ideias e a construção de uma argumentação consistente, características essenciais para uma redação de excelência no Enem.

4ª Etapa: Competências avaliadas: análise detalhada

Para garantir uma análise completa da redação, vamos agora analisar o texto pensando em cada uma das competências avaliadas na redação do Enem:

Competência 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Ao longo da redação, foi demonstrado domínio da norma culta escrita da língua portuguesa. A autora utiliza adequadamente os recursos gramaticais, apresenta vocabulário compatível com a situação formal de escrita e constrói períodos bem organizados e articulados.

Além disso, observa-se o emprego de termos mais específicos relacionados ao tema, como “etarismo”, “precarização” e “fiscalização”, o que contribui para a formalidade e a precisão do texto. Eventuais desvios pontuais não comprometem a compreensão nem se repetem ao longo da redação, motivo pelo qual não prejudicam a avaliação da competência.

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

O texto desenvolve plenamente o tema proposto, discutindo as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira e identificando fatores que contribuem para a construção de visões negativas sobre a velhice.

Ao longo da redação, a autora mobiliza conhecimentos de diferentes áreas para sustentar sua argumentação. A referência à Constituição Federal de 1988 permite relacionar a discussão aos direitos garantidos aos idosos, enquanto a menção à Lei Orçamentária Anual (LOA) amplia o debate para a esfera das políticas públicas e da gestão estatal. Também é utilizada uma reflexão atribuída a Albert Einstein, para discutir a persistência dos preconceitos na sociedade.

Além disso, a redação respeita integralmente a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, apresentando introdução, desenvolvimento e conclusão claramente definidos, com uma tese explícita e argumentos organizados para defendê-la.

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

A autora apresenta uma tese clara já na introdução, ao afirmar que as perspectivas negativas sobre o envelhecimento decorrem da escassez de fiscalização e do preconceito contra os idosos.

A partir desse posicionamento, os argumentos são desenvolvidos de maneira organizada e coerente. No primeiro parágrafo de desenvolvimento, é discutida a insuficiência da fiscalização estatal e suas consequências para a garantia dos direitos dos idosos. Já no segundo, o foco recai sobre o etarismo e seus impactos na vida social e profissional dessa parcela da população.

Os exemplos utilizados ao longo da redação — como o desrespeito às filas prioritárias, às vagas reservadas e a exclusão de idosos do mercado de trabalho — contribuem para concretizar os argumentos e demonstrar a relevância do problema discutido. Dessa forma, as informações e opiniões apresentadas estão articuladas e trabalham em conjunto para defender o ponto de vista da autora.

Competência 4: demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Ao longo do texto, a autora utiliza adequadamente os recursos coesivos responsáveis pela articulação das ideias.

Expressões como “entretanto”, “de início”, “nesse sentido”, “no entanto”, “ademais”, “nesse contexto”, “assim”, “logo” e “portanto” estabelecem relações claras entre os períodos e os parágrafos, favorecendo a progressão da argumentação.

Além dos conectivos, o texto emprega mecanismos de retomada que evitam repetições excessivas, utilizando diferentes expressões para se referir ao mesmo grupo social, como “idosos”, “anciãos”, “mais velhos” e “pessoas com idade mais avançada”. Esses recursos contribuem para a fluidez da leitura e para a organização das ideias apresentadas.

Competência 5: elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

A proposta de intervenção foi construída de forma completa e diretamente relacionada aos problemas discutidos ao longo da redação.

A autora apresenta os agentes responsáveis pela mudança — o Governo do Brasil e o Estado — e especifica as ações que devem ser realizadas: ampliar os investimentos nos serviços de fiscalização e promover campanhas educativas sobre o envelhecimento.

Também são indicados os meios para a execução dessas medidas, com o fortalecimento dos serviços fiscalizatórios e a realização de campanhas de conscientização. As finalidades das ações aparecem claramente definidas: garantir o cumprimento dos direitos dos idosos e combater preconceitos relacionados ao envelhecimento.

Além de ser detalhada e coerente com a argumentação desenvolvida, a proposta respeita integralmente os direitos humanos, atendendo a todos os critérios exigidos pela banca avaliadora.

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Bons estudos!

Roteiro de estudos elaborado pela Professora Daniela Leite Nunes.

Coordenação Pedagógica: Prof.ª Dr.ª Aline Bitencourt Monge.

Crédito da imagem: SrdjanPav – Getty Images

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