Filmes, séries e documentários podem ajudar a informar e reduzir preconceitos relacionados à Síndrome de Tourette, condição neuropsiquiátrica caracterizada por tiques motores e vocais, cujo diagnóstico exige a persistência dos sintomas por pelo menos um ano.

“Esses tiques podem ocorrer de forma isolada ou em combinação com outros tiques motores ou vocais, envolvendo vários agrupamentos musculares”, explica a psicóloga da Associação Solidária do Transtorno Obsessivo Compulsivo e Síndrome de Tourette (Astoc) Tatiana Barricelli Vaz.

“A Tourette tem base genética, mas o início dos tiques e sintomas pode ocorrer após eventos que causam estresse físico ou emocional”, complementa Vaz.

Criador da Comunidade Tourettes Brasil Total, Alexandro Cardoso lembra que não há cura, mas existem tratamentos que auxiliam no controle dos sintomas.

“Também pode estar acompanhada de comorbidades como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e depressão”, aponta.

Entre os estigmas mais recorrentes relacionados à síndrome, Cardoso aponta a interpretação dos tiques como falta de controle, indisciplina ou provocação, o que gera constrangimentos em ambientes públicos.

“É comum a família culpabilizar a pessoa pelos tiques e pedir para ela parar, como se fosse algo que fizesse propositalmente. Além disso, olhares na rua, bullying no ambiente escolar e receber apelidos, como ‘louquinho’, ainda são situações frequentes”, compartilha Cardoso.

Filmes e documentários sobre a síndrome, porém, podem ajudar na conscientização da condição e a fazer frente aos estereótipos relacionados a ela. “Eles ajudam familiares a compreender como é viver com a Tourette, o impacto social que ela causa, o impacto emocional, os estigmas, o preconceito e as estratégias de adaptação. E vão mostrar o lado mais humano da pessoa, não só o aspecto clínico”, afirma Vaz.

Orientações ao assistir às produções

Vaz, porém, aponta alguns cuidados ao assistir a produções que abordam a Síndrome de Tourette.

“Essas produções mostram uma experiência, não uma regra. Assim, é necessário lembrar que cada portador é diferente, e que a gravidade dos sintomas varia”, adverte.

Além disso, as produções podem provocar impactos emocionais, como tristeza. “Elas podem proporcionar identificação intensa, ansiedade, lembrança de bullying e culpa em pais e responsáveis”, destaca Vaz.

Ela também indica que pais e responsáveis assistam às obras junto com crianças e adolescentes. “A presença do familiar pode fornecer segurança emocional. Os familiares devem prestar atenção na reação da pessoa: silêncio excessivo, tensão corporal, aumento de tiques ou comentários autodepreciativos. E, depois da exibição, abrir espaço para o diálogo, perguntando sobre o que mais impactou e se ela se identificou com algo”, recomenda Vaz.

“O objetivo do filme deve ser normalizar, humanizar, reduzir o isolamento e aumentar a compreensão e o acolhimento. Jamais aumentar o medo, criar comparações ou gerar rótulos”, completa a psicóloga.

A seguir, conheça oito produções audiovisuais que ajudam a informar e a sensibilizar sobre o transtorno.

I swear (2025)

História real do jovem norueguês John Davidson, diagnosticado com Síndrome de Tourette aos 15 anos e considerado “louco” pelos colegas. Tornou-se militante na divulgação de informações sobre a síndrome, ministrando palestras em centros comunitários, escolas e delegacias. Por conta de seu trabalho, recebeu uma condecoração da Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, em 2019.

 Baylen: uma vida sem filtro (2025)

A série acompanha o dia a dia da tiktoker Baylen Dupree, mostrando como a condição impacta na vida dela, de seus familiares e do namorado.

O primeiro da classe (2008)

Baseado em fatos reais, acompanha a trajetória de Brad Cohen, que enfrentou dificuldades na escola durante a infância devido à Síndrome de Tourette, incluindo exclusão na escola e pouco suporte familiar. Quando adulto, decide se tornar professor para ajudar crianças e jovens como ele. “É o filme que melhor relata a vivência da criança com Síndrome de Tourette”, opina Cardoso.

Eu tenho Tourette, mas Tourette não me tem (2005)

Documentário que aborda os desafios e o preconceito vivenciados por crianças e adolescentes que convivem com a Síndrome de Tourette.

Brooklyn – Sem pai nem mãe (2019)

Na Nova York dos anos de 1950, um detetive particular solitário com Síndrome de Tourette investiga o assassinato de seu amigo e mentor. Ele acaba descobrindo uma rede de especulação imobiliária que afeta principalmente bairros habitados por populações pobres e negras.

A menina do país das maravilhas (2009)

Phoebe enfrenta rejeição na escola por ter Síndrome de Tourette. Para lidar com isso, ela mergulha em suas fantasias e passa a confundir a vida real com o mundo de “Alice no País das Maravilhas”, obra na qual sonha atuar.

Vicente quer ver o mar (2010)

Vicente vive com Síndrome de Tourette em instituição quando decide fugir com dois amigos para ir à Itália.

O código do amor (1999)

O filme mostra Miles, um menino de 11 anos que toca piano jazz e vive com Síndrome de Tourette. Ao conhecer Benny, um saxofonista, ele constrói uma amizade que se torna importante para seu desenvolvimento.

Veja mais:

Pessoas que vivem com a Síndrome de Tourette contam seus desafios

Crédito da imagem: Denis Pobytov – Getty Images

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