Voluntária – Só ensina, quem ama o que faz No início de 2009, descobrimos um número significativo de alunos com idade defasada e que não sabiam ler na nossa escola.Isso trouxe uma preocupação à comunidade escolar. Então foi feita uma pesquisa para saber o por que dessa situação, para nossa surpresa descobrimos que a maioria dos pais desses alunos eram analfabetas e por essa razão não sabia a importância da vida acadêmica do seu filho. Nesse sentido elaboramos o projeto "Pais e Filhos Alfabetizados".Convidamos os pais para estudar, mais de 40 pais aceitaram o nosso convite. A minha história como educadora mudou no dia em que resolvi ser voluntária, como trabalhar sem receber um salário, no primeiro momento quis dizer não, mais pensei nessa experiência que nunca tinha vivido, aceitei!
Descobrir que tinha feito a escolha certa, estava conhecendo pessoas humildes, simples, "analfabeta" mais cheias de experiência de vida. Eu sabia que além de ensinar iria aprender bastante.O primeiro passo era conhecer os alunos, primeiro "bate-papo". Nossa! Tinha depoimento que dava vontade de chorar, sentia que meus olhos estavam brilhando de emoção, pessoas que nunca estudaram ou pararam há tempo, sempre tinham uma história para contar: "não estudei por que tinha que trabalhar", "eu morava no seringal e não tinha escola", "meus pais nunca me colocaram na escola"," eu não conseguia aprender".
Eu precisava ajudar essas pessoas, e o relato da minha vida também poderia ajudar e comecei a contar " a minha mãe era lavandeira de roupa, meu pai era bananeiro e por cima alcoólatra, tive déficit de aprendizagem, aprendi a ler já com a idade defasada, mesmo assim eu consegui vencer". Tinha que elevar a auto estima delas para poder ensinar.E assim conhecendo, incentivando e alfabetizando ia chegar onde desejava: pais alfabetizados, filhos alfabetizados com excelência. Foram 8 (oito) meses de aprendizagem, a cada dia vivia uma novidade, os alunos da escola melhoram os índices, reduziu as faltas, ao término do ano letivo zeramos a evasão escolar e subimos no IDEB 13 pontos (4.1 – 5.6). A formatura, todos arrumados e emocionados esperando para receber seu certificado de alfabetização, nesse momento ninguém segurou a emoção e as lágrimas rolaram.Hoje tem alunos no ensino fundamental e médio.Sonhos realizados por pessoas que achavam que estavam esquecidas pela sociedade. Nilva de O. Souza Esc Georgete E. Kalume – Rio Branco/AC