Sou professora há quinze anos e um dos maiores desafios que o professor de Português precisa enfrentar é a aversão dos alunos pela leitura e, consequentemente, pelos estudos literários. Com a intenção de aproximá-los da produção dos grandes autores brasileiros, realizou-se, em minha escola, um projeto denominado “Viva Vinicius!” em função do centenário desse poeta. Os alunos do terceiro ano do Ensino Médio receberam a proposta de fazer uma (re) leitura criativa da obra desse poeta. Haveria a possibilidade de se dramatizar poemas, fazer jograis, coreografias, música, coral, enfim, um enorme leque de atividades que só o espírito criativo deles consegue conceber. Num desdobramento desse projeto, realizamos, ainda, um concurso de poesias de amor que envolveu a escola inteira. Para a primeira etapa, as turmas foram divididas em quatro grupos de dez alunos que recebeu, cada um, a incumbência de desenvolver uma vertente específica da obra de Vinicius: poesia lírica, poesia social, poesia infantil e MPB. A partir daí, a criatividade seria por conta deles.
Tivemos dificuldades, pois a escola não tem espaço físico para reunir todas as turmas envolvidas. Não há equipamento de som, nem funcionários que possam dar apoio às atividades pedagógicas. Enfim, o único material disponível de trabalho foi o empenho das pessoas envolvidas e, principalmente, dos próprios alunos. Conseguimos espaço emprestado, mas não o som. Houve muito sacrifício, porém os resultados foram emocionantes. As leituras criativas realizadas por eles foram surpreendentes: aptidões que estavam escondidas foram descobertas. Tudo foi registrado em um DVD que está sendo editado. Mas, o melhor de tudo foi o clima de colaboração e de emoção que norteou toda a manhã de apresentações. Um dia inesquecível para todos nós e, principalmente, para eles que estão deixando a escola: aprenderam bastante e cresceram ainda mais. O concurso de poesias foi uma etapa importantíssima e a qualidade das produções foi muito boa.
O material foi digitado, ilustrado por um aluno e reunido em uma pequena coletânea feita aqui mesmo nas copiadoras da escola. Apesar extremamente simples, foi marcante a emoção de muitos dos participantes ao ver, pela primeira vez, um texto escrito por eles publicado em um em um pequeno livro. Escola é isso: é um lugar de gente, de troca de emoções, de crescimento mútuo. Elaine dos Santos Abrantes da Costa Colégio Estadual Aydano de Almeida – Nilópolis – RJ