Como um aluno tido como impossível de mudança, se transformou da água para o vinho..
 

Na época desse acontecimento, eu lecionava em uma escola pública que tinha duas turmas de 2ª série. Eu era professora numa delas. Minha colega, da outra 2ª série, tinha um aluno muito difícil: não respeitava a professora, os colegas e nem a diretora da escola. Um dia, numa de suas "infrações" a diretora foi levá-lo para casa de carro (ele aos berros e chutes) e disse aos pais que teria uma reunião com eles para resolver a situação do aluno na escola, que estava insuportável. No dia da reunião, que aconteceu na escola, a diretora estava decidida a não aceitar mais o aluno estudando lá. Como a mãe insistiu, implorou, chorando para que ela mudasse de ideia, a diretora foi até à minha sala.

Ela me chamou à porta e disse que se eu aceitasse o aluno em minha classe, daria mais uma chance a ele. A mãe, muito triste, pediu que eu aceitasse o seu filho. Eu fiquei apreensiva, porque era nova na profissão e sabia da "fama" do aluno mas, também via a aflição da pobre mãe e, no fundo do meu coração, queria fazer alguma coisa para ajudar.Disse sim, pensando se daria conta ou não desse desafio. No dia seguinte, o aluno foi para minha sala. Logo no primeiro dia, ele já quis mostrar que não seria fácil conviver com ele: começou a implicar com alguns colegas e se recusou a fazer uma atividade que eu havia proposto para a turma, ficando de "cara fechada" olhando para mim. Eu cheguei perto dele e disse: "Ricardo (esse era o nome dele), você está aqui porque a diretora e a sua mãe pediu.

Eu aceitei, porque quero ajudá-lo a aprender coisas novas, a continuar com a gente aqui na escola.. Você quer continuar na escola?" Ele disse sim. A partir desse momento, ele se transformou. Lembro que a professora de Educação Física fez um campeonato de futebol entre as turmas e, como percebi que ele era um ótimo jogador, combinei com as meninas que iríamos torcer pela nossa turma, gritando o nome dele. Dito e feito: ele ficou empolgado com a torcida das meninas, nossa turma ganhou e ele foi considerado o melhor jogador do campeonato. Na sala de aula ele fazia todas as atividades e foi aprovado com boas notas. A mãe dele, todas as vezes que me encontrava pela cidade, me agradecia muito, por ter colaborado para que o filho dela continuasse na escola e mudasse de comportamento porque, depois disso ele não causou mais nenhum problema na escola. Hoje, ele é casado e tem uma filhinha.

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