Logo no inicio do meu trabalho no CEPREVI (Centro de Pesquisa e Reabilitação Visual de Itapetininga) tive muitas dificuldades no trabalho com educação musical para alunos cegos e com baixa visão, não havia uma fórmula pronta a seguir. Conforme as dificuldades foram aparecendo, também vieram as soluções. Parte dos alunos não tem apenas a deficiência visual, apresentam outras deficiências associadas e com isso as necessidades de adaptações durante as aulas também são diferentes para cada caso. Descobri aos poucos o que dava certo para uns e para outros, desde levar um Cd para ouvir em casa, uma folha com a letra ampliada, braile e alguns decoravam facilmente durante as aulas. Muito lentamente consegui a afinação do grupo em canto uníssono e atualmente conseguimos realizar grupos em dois naipes, ou seja, duas vozes. O CEPREVI foi premiado com um Ponto de Cultura “Meninos da porteira” que teve por objetivo resgatar a cultura local de nossa cidade, Itapetininga, através da música sertaneja e raiz de nossa região, homenageando o compositor Teddy Vieira, que nasceu aqui. É neste ponto que voltando agora ao tema, gostaria de relatar uma experiência audiovisual que vivenciamos. Uma das composições que mais chamava a atenção dos alunos era a música “Couro de Boi.” Em uma determinada aula os alunos sugeriram criar um clipe que representasse a história dessa música. Ficaram animados por algumas semanas, trouxeram os figurinos e objetos necessários, como por exemplo: paletó, chaleira, canecas e iniciamos o trabalho que depois de pronto foi disponibilizado no youtube. Através da produção audiovisual foi possível realizar a integração do uso da tecnologia na escola. A metodologia foi baseada em três momentos: discussão verbal (debate) de como seria a produção; momento de escuta da música, deixando-os livres para expressarem suas próprias interpretações, estimulando a criatividade e a imaginação (reflexão) e por último, o momento prático (experimentação), após decidirem cada cena as representaram contracenando enquanto o registro era realizado através de fotos e pequenos vídeos. Minha colaboração foi com a ajuda nos ensaios, filmagem e edição do vídeo. O vídeo foi apresentado SESI para familiares e comunidade, foi uma nova forma de inclusão digital e social. Eles ficaram muito felizes e provaram para si e para a sociedade que podem participar de atividades artísticas sim e vencer as limitações pessoais encontradas no caminho.
Utilizando novas tecnologias no ensino para deficientes visuais.
Realização de um videoclipe com alunos deficientes visuais.
Autor
Aline Albuquerque Carriel Pires
Sou Aline, 29 anos, formada em Artes Visuais e com especialidade em música. Trabalho em projetos sociais como professora de canto e cantora em casamentos.