Durante o ano de 2013, trabalhei, por 5 meses, no Bairro Terra Vermelha. Confesso que fiquei apreensiva, já que as referências ao bairro são extremamente ruins. Encontrei lá, crianças afetivas, carentes de atenção, sem aulas de Lingua Portuguesa desde o 7º ano. Recuperar esse tempo era quase impossível, mas encontrei um concurso do jornal A Gazeta na sala de aula, e resolvi investir nele. Levei os jornais para a sala, expliquei como faríamos o trabalho e os alunos se interessaram, principalmente porque usaríamos as mídias sociais. Eles fariam um vídeo coletivo que ressaltasse os pontos positivos do bairro, conhecido pela pobreza, alto índice de violência e dominado pelo tráfico.

Eles precisavam ter consciência de que eles poderiam e podem modificar o espaço onde vivem e se relacionar com a comunidade que ali se radicou. Eles usariam seus celulares e câmeras, fariam imagens e entrevistas, trariam para a professora de tecnologia e ela os ajudaria a editar as imagens e vídeos. A partir daí tudo se modificou. Os responsáveis foram comunicados e abraçaram conosco as atividades, participando ativamente das entrevistas e acompanhando as crianças nos trabalhos extraclasse. Estudamos diversos gêneros jornalísticos, fizemos questionários de entrevistas e reuniões para acompanhamento dos trabalhos. Eles se tornaram participativos, a autoestima melhorou, as relações entre família, escola, professores e alunos foi se transformando aos poucos. No inicio dos trabalhos, quando perguntei a eles o que eles viam de positivo no bairro, a resposta foi "nada". No decorrer das entrevistas e passeios pela comunidade, eles voltavam entusiasmados com as descobertas que faziam. Perceberam que havia ali, pessoas que moravam no bairro porque gostavam de estar ali, que o comércio é diversificado, que há locais para lazer e que muitos têm investido no bairro, apesar das referências.

Precisei sair da escola, mas o trabalho seguiu e eu o acompanhei mesmo de longe. O vídeos ficaram excelentes e demonstram a seriedade com que realizaram os trabalhos. É a primeira vez que inscrevo um trabalho meu em concursos, mas resolvi divulgá-lo porque ele prova o quanto podemos fazer com o mínimo de recursos e o máximo de paciência, dedicação e fé. Eu acreditei nos alunos e eles perceberam meu empenho e devolveram em forma de comprometimento e afeto. Fui chamada à escola e quando cheguei lá, eles haviam preparado um festinha em que demostraram todo carinho por mim. É certo: deixei lá uma sementinha!

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