O chão era de cimento, o fogão à lenha, o café com palha (mesmo!), água carregada na cabeça. Esta era a vida e a casa. Uma escola com as quatro séries em uma só. A merenda era leite ninho despejado em mãos sujas. A brincadeira? Amarelinha riscada no chão de terra. Livro? Só tinha um. Apenas um. Unicamente para os alunos do 4º ano. Título do livro-filho-único: “As Mais Belas Histórias.” Esta era a escola e a vida. Maria – 07 anos- contava os dias para chegar ao 4º ano. Seu maior sonho naquela vida dura: ler o livro. Enquanto isso, à noite, com brasas do fogão perto dos pés, ouvia o Geraldo-livro. Aquele senhor foi o livro-humano de Maria. E ela bebia cada palavra como bebia o café com palha. Através do Geraldo-livro, a Menina-Maria-sem-livro leu belas histórias sem sair do seu destino, que não ia além do morro.

Um destino fadado ao fracasso. 40 anos depois: O projeto “Como os escritores têm ideias?” – os alunos descobriram como ter ideias para escrever textos narrativos- rendeu à Maria vários prêmios, inclusive o de professora Nota 10. E a história seguiu um enredo não previsto na infância dela: prêmio Professora do Ano, quatro prêmios da Mostra de Inovações Pedagógicas, prêmio Educadores Inovadores – representando o Brasil na América Latina-, prêmio Viva Leitura do MEC, prêmio Minuto Presença, prêmio SESC de Literatura, prêmio CAVE, prêmio Ecofuturo, prêmio Diálogos da Juventude, prêmio SEE de Minas Gerais, quatro prêmios da Academia Brasileira de Letras. No total, a menina-sem-livro-professora-de-português ganhou 25 prêmios na área de Educação- Ensino Fundamental ao Médio. De praças poéticas feitas pelos alunos à confecção e distribuição de livros de radiografia, o objetivo foi a produção de histórias, tendo os alunos como autores. Os projetos mudaram vários destinos: formaram não só leitores, mas produtores de histórias, fictícias e de vida. Hoje a história é outra. A menina-sem-livro já não toma o café com palha, tem muitos livros e uma estante de troféus. O destino foi além do morro, mas o que ela não se esquece é do primeiro livro que leu, o Geraldo. Foi ele quem levou a Menina-Maria-sem-livro a mudar a história de muitos alunos e a dar uma nova cara à Educação. E a próxima cara já está sendo desenhada. Objetivando a transposição do narrativo ao científico, o projeto “Conte-me sua história” envereda pela comunidade em busca de histórias de vida. Com certeza, há muitas marias e josés precisando de um livro da vida. Um Geraldo-livro.

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