Sempre fui fascinado pela ideia de que a educação possui um papel fundamental na potencialização das liberdades e na construção de uma sociedade mais harmônica, onde as liberdades do outro sejam respeitadas e as diferenças valorizadas. Diante de meu entusiasmo de educador, com ideias bastante aflorados devido à formação acadêmica humanizadora, resolvi trabalhar com os meus alunos de e uma escola pública do interior do Paraná, questões que envolviam diversidade e a necessidade de se reconhecer as diferentes formas de afetividades existentes em nosso meio.

Ao iniciar um trabalho sobre diversidade sexual, aliado às ideias de Direitos Humanos, resolvi colocar em pauta questões sobre homofobia e homoafetividade em discussão nas aulas que eu lecionava como professor contratado na disciplina de Filosofia. As dificuldades de se tratar de um tema tão delicado foram imensas. Falar sobre diversidade sexual parecia afrontar ideias tão enraizadas na mentalidade dos meus alunos. Muitos me questionavam sobre aspectos biológicos e até mesmo religiosos, que, historicamente contribuíram para conceber as relações homoafetivas uma afronta à moral e os bons costumes que a sociedade do interior tanto prezava.

Com um árduo processo reflexivo, comecei a ver meus alunos refletindo sobre questões nunca antes levantadas por ali. Seria possível uma sociedade mais harmônica que valorizasse as diversas formas de existência? O respeito ao modo de ser e existir do outro poderia ser construído através do processo pedagógico? Com apoio da direção e equipe pedagógica foi planejado uma semana da diversidade, onde, a partir do trabalho feito, conseguimos chegar ao ápice da experiência. Ao lançarmos a ideia da semana da diversidade veio logo o seguinte questionamento: Se estamos tratando de uma realidade que envolve toda a sociedade e a escola é parte dessa sociedade, por que não abrirmos espaço para que os próprios sujeitos da diversidade façam suas participações com relatos e manifestações artísticas?

Com isso, tivemos o que de mais original ocorreu nesse projeto. Reservamos uma tarde para que alunos com as mais diversas experiências de vida pudessem mostrar a beleza e a de ser o que eram, entre eles, negros, homossexuais, religiosos de matriz afro-brasileira, entre outros. Com momentos de emoção, o evento finalizou com agradecimentos comoventes de alunos, professores e pais de alunos que reconheceram na educação um caminho para a garantia de dignidade e construção de respeito e harmonia.

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.