O ano era 2005, eu trabalhava como carregador de caminhões em uma renomada empresa de transportes de cargas na cidade de Campinas, interior do estado de São Paulo. Porém antes de ir morar em Campinas, havia terminado o ensino médio aqui na Paraíba e modéstia parte sempre me identifiquei com a matéria de Língua Portuguesa, talvez pela grande paixão pela leitura que sempre me acompanhou desde o início da vida escolar. Bem, naquele ano entrara na empresa um rapaz do estado de Minas Gerais, ficamos amigos e ele me confessou que o seu maior sonho era aprender a ler, pois era analfabeto. Sugeri então que fizesse um supletivo, pois sua idade já estava avançada, ele aceitou a sugestão, porém com o passar dos meses ele me disse que não conseguia concentrar-se nas leituras e me pediu uma ajuda para contornar este problema.
Eu então perguntei: “o que você mais gosta de fazer?” Ele então respondeu: “adoro motos e tudo o que se refere a elas”. Então eu disse: “compre revistas que falem sobre motos, MotoCross e tudo que esteja neste contexto”. Mais uma vez ele aceitou meu conselho e nos intervalos do almoço, ele lia estas revistas e tirava as dúvidas comigo. Alguns meses mais tarde ele lia fluentemente e foi até promovido de cargo, passou a ser conferente de notas fiscais e muito me agradeceu pelas dicas. Acredito que quando lemos aquilo que nos prende a atenção, absorvemos mais rápido o conteúdo e consequentemente adquirimos uma maior fluência na escrita e na leitura. Hoje sou professor de Português na minha cidade, mas naquela época fora somente o instinto de agente de transformação social e a vontade de ajudar o próximo que me motivaram, pois eu não tinha nem uma orientação pedagógica. Autor: Antônio Laudivam de Freitas.