Eu era uma jovem professora que, recém-formada em Português – Hebraico, defrontava-se com uma turma desinteressada e agitada. Que desafios teria de enfrentar para convencer aos adolescentes da 8ª série, nomenclatura da época, que ler era maravilhoso! Tracei o objetivo: fazer com que gostassem de ler e se aproximassem da linguagem. Precisava de uma boa estratégia, já que os longos discursos sobre a importância da leitura, pouco efeito faziam. Nas aulas em que eu fazia leituras em voz alta, antes de pedir que o fizessem, até que a coisa fluía, até batiam palmas, quando eu terminava, mas eu sentia que ainda era muito pouco, pois precisava de mais emoção para convencer.

Durante um dos recreios, quinze minutos em que nos reuníamos na sala dos professores para um cafezinho e muita reclamação das turmas, o professor de Química do Ensino Médio falou do quanto gostava de Vinícius, era uma época em que a poesia e a música explodiam para falar de amor e de repressão. Era o início da liberdade de impressa e da comunicação, após anos doloridos de silêncio. Juntos resolvemos: envolveremos a turma 911 num tributo a Vinícius e a Chico Buarque. Mas como? Não sei cantar, sou péssima para dançar. Somente leio bem e posso trabalhar expressão corporal. Nesse momento, o também jovem professor de Química Carlos, lembrou-se do Paulo, professor de Matemática do curso noturno e músico. Para o cenário o professor César de Arte seria o responsável.

Estava composto o grupo multidisciplinar de professores que, com a poesia e a música, iriam convencer os joves da beleza da literatura. A turma, logo que ouviu o projeto, vibrou. Num desafio de trabalho colaborativo escolhemos as músicas, os textos que seriam declamados e a peça que seria encenada. Acredite se puder, trabalhamos várias linguagens. Foram dois meses de muito trabalho. Muitos ensaios, muitos acertos e, aquela turma agitada e desinteressada, parecia cada vez mais entrosada. Brigas, nenhuma… Pais e mães nem acreditavam que seus filhos cantariam, declamariam e encenariam a cena final de A Gota D’Agua, peça que estava em cartaz com Bibi Ferreira, mas eles nunca teriam oportunidade de assistir. Chegou o grande dia, famílias no auditório. A minha 8ª série deu um Show. Os meus amigos professores se orgulharam do trabalho. Eu? Eu chorei, copiosamente. Hoje, ainda choro ao lembrar de aulas tão significativas para a minha aprendizagem. Aprender a aprender, é missão do professor

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.