Uma experiência que me ajudou muito a ser uma pessoa melhor
Quando cursava o 2º. ano primário (hoje 3º. ano do Ensino Fundamental), fui transferido de uma escola pública para uma escola particular destinada aos filhos e dependentes de funcionários de uma empresa de telecomunicações da minha cidade. Entrei como tutelado de tios que já abrigavam nestas condições, um irmão mais novo. Lembro-me bem que a mudança para a escola particular foi sensivelmente melhor: ganhei livros novos, um fardamento vistoso, uma didática diferente, etc. A escola possuía um espaço externo grande com jardins e imensas sombras que as velhas árvores proporcionavam na hora do recreio. Havia qualidade na merenda escolar e tudo me deixara com um enorme apetite para estudar e participar da vida daquela comunidade.
Foi justamente por chegar com tanta fome de aprender que eu caí numa “armadilha”. Certo dia a professora perguntara a todos quem iria participar das celebrações do “Dia do Descobrimento do Brasil”, encenando uma dramatização alusiva à data. Todos ali já se conheciam, eu era o único estranho. Afinal acabara de chegar. Já pegara o barco andando. Após a pergunta da professora ninguém se pronunciara. Quando ela me dirigiu o olhar eu também queria dizer… Não! Mas, por timidez, disse um “sim”… quase inaudível.
Foi duro. Passei um mês inteiro com meu estômago mudando de lugar a todo instante, imaginando o dia que se aproximava e no qual eu teria que enfrentar uma plateia. Eu, que nunca tinha vivido uma experiência daquela.
Ensaiei muito com outra professora e, principalmente, sozinho. E, para minha surpresa, na hora “H” eu me saí muito bem. Ao final, aplausos e agradecimentos por parte de todos.
Depois de alguns dias meu estômago voltara ao lugar e eu me senti livre das tensões que tanto tinham me martirizado. Tudo havia acabado, era o que eu pensava. Mas não foi bem assim. A professora gostara, a diretora também e a garotada da sala já tinha quem as representasse nas festividades seguintes. Foi então que surgiram outras datas comemorativas que mudaram por várias vezes o lugar onde deveria ficar o meu estômago. Felizmente, cada vez menos vezes, até que eu tivesse me transformado num menino menos tímido, mais conversador e espontâneo, e, principalmente, com mais amigos.
Este é o relato de uma experiência com teatro na escola que depois daqueles anos raras vezes se repetiu na minha vida escolar, mas que me ajudou muito a ser uma pessoa melhor. Hoje compreendo o imenso valor daquela experiência na formação da minha personalidade.
Um grande abraço a todos!