Neste início de século, a região Norte do Brasil continua apresentando baixos indicadores sociais e entre estes se destacam os educacionais. Evasão e distorção idade-série são características consideráveis que rebaixam os indicadores. Rio Branco, capital do Acre, possui 308.000 habitantes e a rede municipal de ensino conta com 22.000 alunos. São muitos os programas voltados à reversão do quadro negativo da educação, entre eles, de combate à distorção idade-série, como o "É Tempo de Aprender", criado em 2008 e que em 2012 possuía 33 turmas e cerca de 600 alunos. Um triste dado deste programa era a falta de motivação dos professores, em grande parte, devido ao negativo estereótipo cunhado aos alunos, razão da origem do programa.

São crianças matriculadas em turmas do 1º ciclo do ensino fundamental, geralmente em alta vulnerabilidade social, trajetória escolar problemática, histórico de evasão, rotatividade escolar e discriminação de professores, gestores escolares e da própria família. Os professores e técnicos formadores da Secretaria Municipal de Educação – SEME nutriam uma visão baseada na distorção dos conteúdos acadêmicos, que sucumbem à influência do senso comum, culpando alunos e resistindo às propostas da formação continuada, vista como sem utilidade. Não raro, a ação dos técnicos dos programas especiais da SEME é interpretada por professores como algo acessório e impraticável, meramente teórica e desencontrada da ação da coordenação pedagógica das Escolas.

Diante da desmotivação e ceticismo, em 2012, selecionamos uma turma para desenvolvimento de experiência piloto, um modelo de prática que consistiu em: planejamento conjunto entre formador, professor e coordenação pedagógica da Escola; e na definição de sequência interdisciplinar para instigar a curiosidade e interação entre 2 turmas (5º ano e a turma especial). O formador assumia a turma 3 vezes por semana (durante 6 semanas), em encontros de 1 hora. Em seguida havia momentos de avaliação e reflexões entre formador e professor. O trabalho culminou com a produção de 1 livro de curiosidades, feito pelos alunos envolvidos na experiência. Esta experiência oxigenou e reverteu as perspectivas dos professores das turmas especiais, que subestimavam os momentos de formação e a capacidade criativa dos alunos, taxando-os de inviáveis. Mudou a prática e replica-se entre formadores e professores, atores fundamentais ao rendimento e sucesso escolar de milhares de alunos e à melhoria dos indicadores.

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