Trabalho na Educação há mais de vinte anos e uma aula minha nunca é igual à outra. Foi assim com um projeto que desenvolvi nas aulas de Literatura, ao trabalhar o clássico de Machado de Assis – Dom Casmurro. Na primeira vez, em 2006, já foi um sucesso, e em 2012 o reelaborei, agora para turmas de 3º ano do Ensino Médio que eu vinha acompanhando desde o 1º, na E.E. Ermano Marchetti, em São Paulo. Como de costume, anunciei qual seria a próxima leitura e fiz uma pequena apresentação da obra, do autor, das polêmicas que envolviam as personagens, deixando os alunos bem curiosos e motivados. Acostumados que estavam comigo há três anos, sempre “inventando coisas” para as aulas, a reação deles foi de aprovação imediata.

Na segunda fase dividimos cada classe (eu lecionava para três terceiros) em dois grandes grupos – um da acusação e outro da defesa. Em cada um, os alunos teriam que distribuir as tarefas para o grande dia: o julgamento da Capitu. Além da leitura do livro, o desafio era descobrir provas a favor ou contra a protagonista, montando um processo judicial com fotos, cartas, depoimentos etc. Deveriam ainda, trazer testemunhas baseadas nas personagens da própria história. No dia marcado, cada grupo veio preparado. Os alunos se caracterizaram de juízes, advogados, policiais, jurados, testemunhas, tinha até plateia com cartazes, desenhistas para registrar o momento, todos manifestando entusiasmo e participação.

Tudo muito organizado. Cada grupo tinha um tempo para os discursos dos advogados e os depoimentos. Na réplica e na tréplica pude ver o poder de argumentação e o quanto os alunos tinham assimilado, com as equipes se reunindo para preparar os textos dos advogados, e adolescentes articulados, com desenvoltura defendendo seus clientes e empenhados no desafio proposto. Ao final dos trabalhos, fazendo uma avaliação com os próprios alunos, a surpresa maior foi descobrir que eu tinha, “sem querer”, contribuído para a escolha profissional daqueles jovens que iam, em alguns meses, prestar vestibular. Hoje, um ano depois, muitos estão na faculdade, com a certeza de estarem no curso certo. A motivação inicial do prazer pela leitura tinha levado aqueles jovens a construir sonhos, dirimir dúvidas e pensar no futuro. Aprendizagem é isso: mudança e transformação. E não só a vida deles não foi mais a mesma como também a minha, que vi a esperança e a crença na educação renovadas.

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