Arte educadora trabalhando em um projeto pedagógico na Associação Miratus de Badminton..A ONG está cravada no coração da comunidade da Chacrinha na Zona Oeste do Rio de Janeiro e obviamente seus moradores e principalmente as crianças e jovens entre 6 a 21 anos sofrem com todas as mazelas e sequelas que as comunidades carentes vivem .A ONG, indubitavelmente tornou-se um oásis naquele ambiente de poucas oportunidades. Comecei o meu trabalho com estratégias que me permitiram traçar perfis e fazer diagnostico do que seria mais rico para trabalhar ,haja vista que a escola regular oferece aulas de arte. Já nas primeiras atividades, descobri meu caminho ao perguntar a eles que sonhos já tinham realizado e quais sonhos tinham a realizar; A raquete e a peteca são imagens freqüentes em seus trabalhos e afirmaram que a ONG é um sonho para eles. Quanto ao sonho a realizar,o que me chamou atenção não foi o fato do sonho está focado nas medalhas , mas, provocando o olhar deles, muitos disseram não ter mais sonhos alem disso , e quando eu falei na dura realidade de que no esporte nem todos são campeões, expressaram desejos ligados a afetividade. Não houve se quer um que falasse em sonhos materiais.

O segundo eixo trabalhado paralelamente foi a questão da auto estima, aceitação e apreciação de si mesmo e de sua origem. Percebi que o lúdico deles estava muito prejudicado, Crianças que não viajavam. Crianças sem poesia. São de origem negra e pardas e em auto retrato ou representações familiares ,evitavam pintar a pele , ou no máximo usavam um rosado que chamavam de “cor de pele “.Marrom é cor de sujeira, tia’,ouvi de um deles . Depois de 4 meses sinto um calorzinho interno quando os vejo criando e começando a perceber suas potencialidades ,descobrindo que podem ser :atletas,artistas e também outro profissional,podem tudo ao mesmo tempo e o que mais sonhar .É uma delicia intermediar brigas pelo pote de ‘cor de chocolate’. . Há duas semanas ,em um dia nublado, para minha surpresa chegaram, barulhentos os pequenos, mesmo debaixo de chuva torrencial .Quando falei da minha alegria por terem ido mesmo com aquele tempo, um deles, abriu um sorriso do tamanho do mundo e disse: “tia, a aula de artes é um sol, meu sol” Esse poetinha cor de chocolate resumiu o que sempre busquei como resultado. Em uma retrospectiva de meus 22 anos de sala de aula me lembrei de que o que nos impulsionou nesses anos todos foi a luz do afeto dado e recebido.Chorei.

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