Minha história mais intima com a educação começa com a fundação da Escola em que trabalho hoje, aproximadamente, 17 anos atrás. Minha mãe foi trabalhar como “merendeira” voluntária na escola visando conseguir um emprego fixo, pois, estava desempregada, a Escola tinha uma estrutura nunca vista em nossa comunidade, pois, era como um sonho, uma escola com “tantas coisas” em nossa comunidade tão carente de saúde, cultura, educação via neste espaço a perspectiva de um futuro melhor. Havia nesta escola um projeto de musicalização através de instrumentos de cordas (violino, viola, violoncelo e contrabaixo) onde a grande maioria da comunidade nunca tinha visto e/ou ouvido de perto esses instrumentos, onde, Eu com aproximadamente 15 anos fui levado por minha mãe a conhecer, quase que forçado, pois, achava que este tipo de instrumento não era para nós da comunidade, achava “elitizado” demais, puro preconceito.
Foi amor ao primeiro acorde, me encantei com aquilo que viria a ser a minha razão de viver, comecei estudando viola, depois de certo tempo passei a fazer parte da orquestra da escola, onde cada vez mais tinha a certeza que era aquilo que queria fazer para o resto de minha vida. Com muita dificuldade e enfrentando diversas privações conclui o Ensino Médio e passei no Curso de Licenciatura em Música, nunca me afastando da Escola que me fez sonhar com um futuro melhor, aja vista, a violência, a drogadição e criminalização da juventude no entorno da Escola. Próximo de concluir a graduação surgiu a oportunidade de trabalhar na escola como professor de música, assumi o cargo, o que me fez muito feliz, pois, mesmo sem ganhar nada já passava os dias na escola fazendo música, pois ela sempre foi meu segundo lar. Passado alguns anos, prestei concurso para professor efetivo da Rede Estadual, onde, fui aprovado e hoje sou Professor Regente na Escola onde tudo começou.
Deste projeto saíram diversos músicos que hoje atuam em diversas orquestras do Brasil e até mesmo no exterior como EUA e Espanha. Dos estudantes egressos da Orquestra Filarmônica das Escolas Públicas do Estado do Ceará, fiquei Eu, como professor, onde recebo vez por outra a visita dos amigos, que dão máster classes para os jovens estudantes que ficam encantados e sonhando com a perspectiva de um futuro diferente do que vivem hoje e tendo como espelho pessoas que saíram da comunidade e que hoje ganharam o mundo. Relato de: JOSÉ ROBERTO XAVIER DE SOUSA; Escola: CAIC- MARIA FELÍCIO LOPES; Fortaleza- Ceará.