Bem essa história aconteceu comigo algum tempo, logo que iniciei meu trabalho na rede municipal de ensino, foi muito bom porque foi uma experiência que tem me orientado quando enfrento situações parecidas. Em 2001, fui admitida no concuso público da minha cidade e fui trabalhar em uma escola ampliada, e o ano letivo iniciou em julho, muito conturbado com turmas ainda se formando e todos os dias chegavam alunos novos e eram 4 salas de alfabetização, crianças de 06 anos e sempre iam pra minha sala, até que eu já tinha mais de 35 alunos e as outras turmas só 20.alunos. e entre essas crianças tinha um que gosto de chamá-lo sorriso, meu Deus! Só ele ocupava todo o meu tempo: pulava, batia, subia na coluna da sala, só parava pra fazer desenho e que desenho, ele só desenhava aquela máscaras africanas , muitas e perguntei a ele o que eram aqueles desenhos, respondia que eram demônios. Após alguns dias a pedagoga me disse que remanejar alguns alunos da minha sala que tinha muitos pra me dar os nomes de quem ia sair, confesso que em quem pensei primeiro foi o sorriso, chamo ele de sorriso porque era o que ele fazia, sorrir, quando chamava atenção dele após machucar um colega ou outras peraltices.
Um dia antes dele sair da minha turma aconteceu um fato que mudou minha decisão, era a hora da merenda e eu estava no refeitório com as crianças quando algo chamou minha atenção, tinha uma mulher conversando com o Sorriso e me aproximei, ele saiu correndo, aliás ele não andava, só corria. Me aproximei daquela mulher e perguntei se o conhecia, e o que ela falou me impactou: ‘Essa peste é seu aluno? Coitada da senhora esse muleque é um demônio, ninguém quer ele da Escola dominical na Igreja, ele já quebrou até a cabeça de um menino na igreja. Todas as professoras expulsam ele". fiquei chocada e penalizada pelo garoto, parei refleti que se mandasse pra outra sala estaria fazendo o mesmo que a igreja fazia, que aliás era pra ser o lugar de mudanças e naquele dia decidi: Ele vai ficar comigo é meu desafio e apartir daquele dia olhei para ele com um outro olhar, conversava com ele contando histórias bonitas e coloridas, ele era o meu ajudante e aos poucos seu comportamento foi mudando, seus desenhos agora tinham cores, fazia atividades brincava com as outras criaças,uma mudança que me deixava muito feliz. Certo dia sua mãe me chamou e me agradeceu porque ele estava mudado, e isto me marcou muito, foi uma experiência que tem me ajudado muito como educadora. olhando com amor.