A ideia era ter um método que pudesse avaliar o aluno por inteiro, durante todas as etapas da vida escolar. Uma avaliação feita conforme as aulas são ministradas e não no fim dela. Um processo de avaliação constante, que permite ao professor ter uma observação permanente, ficar atento a todo o desenvolvimento do aluno, sendo capaz de avaliar suas atitudes, sua participação, seu interesse, sua comunicação oral e escrita, o confronto e a defesa de ideias. Assim, me vali de um mecanismo reconhecido socialmente e, por isso, de fácil assimilação pelos alunos: o dinheiro. Surgiu a ideia de criar um dinheiro na escola, o qual os alunos receberiam durante as aulas, de acordo com o rendimento, a participação e os trabalhos desenvolvidos. Além de possibilitar uma melhor avaliação, esse método tem como objetivo estimular a participação e o interesse pelas aulas, uma vez que o aluno observa de forma material o reconhecimento de suas atividades e se sente estimulado a produzir mais na busca desse reconhecimento-dinheiro.
Conforme o professor cria critérios diversos durante a prática docente para avaliar e dar o dinheiro, ele percebe quando o aluno está recebendo ou não o dinheiro, ou seja, quando ele está desenvolvendo ou não as atividades, atendendo ou não às expectativas. Percebe também se existe alguma dificuldade em determinado momento do ensino-aprendizado. Desta forma, o professor vai diagnosticando as dificuldades de cada aluno e vai intervindo ainda durante as aulas. Mesmo sendo um recurso que ainda utiliza critérios de pontuação, permitiu-me avaliar de forma dinâmica vários momentos, que não observaria com os recursos tradicionais. Quando falei para os alunos que a partir daquele momento todas as aulas estariam valendo nota e que eu os pagaria com aquele dinheiro, o qual teriam que guardar e apresentar no final do bimestre, de início, ficaram assustados com a ideia de que tudo que estariam fazendo “valia ponto”.
Com o passar dos dias, porém, o efeito foi contrário: eles relaxaram, pois perceberam que não havia mais aquele momento de tensão (do tudo ou nada) que era a prova. Todos os pontos obtidos eram somados e, assim, eles tinham o controle através do dinheiro recebido. O Sebollas Real gerou uma excitação entre os alunos, eles queriam ter as notas, era a materialização do seu desempenho. Percebi como passaram a se empenhar mais ao desenvolver as atividades. Aquele dinheiro de ‘mentirinha’ passou a ter um valor enorme para eles. Todos queriam ganhar.