Leciono em uma turma de 5° ano e nas observações iniciais constatei que essa turma possuía uma enorme diversidade cultural e social e também apresentava atitudes etnocêntricas, violência verbal e física com bastante freqüencia, bullyng, desmotivação e evasão. Ao procurar conhecer o histórico dos mesmos pude constatar que a maioria se tratava de alunos com reprovações consecutivas em anos anteriores na mesma instituição, estavam fora de faixa etária e possuíam dificuldades de aprendizagem. Uma situação desafiadora para uma professora que estava iniciando na escola pública, pois até então só tinha experiência na rede privada. Eis a questão: Como trabalhar com uma turma de crianças com atitudes etnocêntricas, que se sentiam desmotivadas e acham a escola desinteressante? Observei que no recreio, apesar das brigas, os conflitos e confusões, havia algo que os unia, que os tornavam naqueles momentos iguais apesar das diferenças.

O estilo musical daqueles meninos e meninas, o rap. O projeto voltado para a realidade social e cultural dos mesmos, no qual alunos trabalham as disciplinas e temas sociais através do rap, o estilo musical que os uniam, não deixando também de conhecer e respeitar os demais gêneros musicais. Foram várias produções já realizadas, como o rap da páscoa, índio, Tiradentes, Descobrimento do Brasil, Dia das mães, Dia do trabalho, Dia do livro Infantil, no qual homenagearam a escritora alagoana Ruth Quintella que tiveram a oportunidade de conhecê-la, respeito aos idosos, Zumbi dos Palmares entre outros, como também os que fizeram em minha homenagem, como no dia do meu aniversário e o dia dos professores. Os resultados desse projeto além das produções realizadas por esses artistas, o que sinto mais prazer em falar é dizer que antes eles dialogavam através de insultos e hoje se consideram uma família, gostam de ser chamados de MCs. O trabalho coletivo, a valorização da realidade social, o respeito às diferenças, os diálogos em sala de aula, todo esse envolvimento contribuiu para o que hoje chamo de sucesso. Os alunos antes se sentiam subestimados e na verdade eram rotulados também. O desempenhos em sala de aula aumentou, as notas, o envolvimento em projetos e um outro que esta sendo finalizado é o livro em que a turma iniciou a construir, que se chama “A história de uma turma que ficou na história”.

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