Quem canta, seus males espanta! Ao longo destes vinte e sete anos como educadora, jamais tive uma fase tão produtiva e o que é pior, vou me aposentar no próximo ano. Quando criança, até os seis anos de idade, morei no parque de diversões do meu pai. Muita gente, muita alegria e lembro-me de muito choro de minha mãe. Lembro-me cantando num palco de zinco empoeirado e ganhando prêmios, nem sei se por merecimento ou se por ser filha do dono. Com a separação dos meus pais, fui morar com os avós maternos. Alternava momentos de alegria e dor, com saudades do meu pai e ressentimentos pelo abandono da minha mãe, para com seus quatro filhos. Cresci, querendo educar os outros, acolhendo. E, sempre percebi um “certo” talento para compor poesia e fazer música num”estalar de dedos”.

E, todas as vezes que um conteúdo ficava mais complicado para o meu educando, lá estava eu, compondo, para ele aprender. Mas, era interessante, porque eu fazia e faço o estudante achar que era ele que estava compondo a poesia ou a música, completando estrofes e rimas. São inúmeras poesias; são dezenas de músicas que podem ser compartilhadas com o Brasil inteiro. Às vezes, sinto-me tomada por nossos grandes poetas, tais como Vinícius de Moraes, Toquinho, Gonzagão e tantos outros. Durante minha carreira e em meio a esta atividade, vi crescer dentro de mim, o amor pela profissão: a felicidade de poder participar do crescimento de tantas criaturinhas de modo tão especial: pesquisando, compondo, cantando, ensinando e aprendendo. E a música renova tudo o que quisermos fazer e ser.

Desta forma, num projeto de teatro com máscaras, todas as crianças são envolvidas pelas histórias clássicas e de todos os tempos, desenvolvendo valores, buscando a cidadania, por meio do que emociona, fixa conteúdos e inclui, porque não há maior felicidade pra mim, que ver, também, meus “autistas” interagindo com alunos ditos “normais”, interpretando, representando, cantando, aprendendo e se incluindo, assim como eu, que de tão triste que era, fiz da tristeza um diploma de educador e tatuei no fundo da alma, para que a inspiração para ensinar, nunca se vá, mesmo quando eu for.

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