Acordo às seis horas. Um banho corrido, um café engolido e, quando vejo, já estou no carro em direção à escola. O trânsito complicado permite que eu me inteire das notícias. As sete já estou em sala de aula. Minha primeira turma é um segundo ano do Ensino Médio composta em sua maioria por alunos mais velhos e/ou repetentes. As aulas ali são de Física. Com exceção de dois ou três, a maioria dorme de olhos abertos. O ânimo que juntei no final de semana se esvai pela metade só nessa turma, tentando mostrar a eles que vale a pena estar ali. Ao meio dia já passei por turmas de primeiro e terceiro ano.

Durante o almoço, feito na escola mesmo, converso com alguns alunos e colegas sobre a escola. Passo uma escova nos dentes e uma água no rosto, pego o carro e vou para a outra escola. Enquanto paro o carro no estacionamento da escola, uma mãe de aluno já me espera para uma conversa informal; ela quer saber como o filho está indo em Matemática, mas não tem tempo para agendar um encontro com a coordenadora. A conversa é rápida, pois logo bate o sinal. Agora é a vez da Matemática e meus aluninhos do 6º e 7º anos me esperam ansiosos. Eles adoram as brincadeiras com operações fundamentais. Quando o assunto é mais árido e a concentração é fundamental, eles se queixam. Até às 17h50min, vou dar aulas com aquela mistura de vozes infantis e femininas que enche a escola como uma colmeia. Já acostumei… ou estou meio surdo.

Tomo um café com biscoito no refeitório da escola e estou no carro outra vez. O caminho agora é mais longo, o trânsito mais pesado. O bom é que agora são aulas para o curso de EJA e as pessoas são mais interessadas. Seu Manuel, por exemplo, me espera na porta da sala com o caderno aberto para mostrar que fez as tarefas de casa… parece um menino, apesar dos cinquenta e seis anos de idade. Assim encerra-se a segunda-feira. Na terça, quarta, quinta e sexta não será muito diferente. No sábado pela manhã, preparo minhas aulas, corrijo avaliações, elaboro outras, reviso o planejamento e, para as aulas de Física deixo alguns experimentos já prontos para demonstração. Também vejo meus e-mails e alimento o blog que criei para os alunos reverem as aulas. Em um dos e-mails, vejo um concurso cujo título diz: “Professor, sua melhor história vale uma viagem”. Então eu penso: que pena, a coisa que tenho de extraordinário é tentar fazer o ordinário da melhor forma possível, dia após dia. Penso que isso vale mais do que qualquer projeto especial, mas não brilha tanto…

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