O Hip Hop na escola Comecei a trabalhar na Escola Estadual Professor Armando Gaban há 10 anos. Fui aprovado entre os primeiros colocados no concurso público, poderia escolher muitas escolas consideradas, na época, “padrão”. Mas escolhi a “pior escola que vocês tiverem em Osasco”, me indicaram o Armando Gaban. Ela possuía, na época, os piores indicadores da cidade de Osasco. A escola era imunda, parecia um presídio, os alunos chamavam o Gaban de “Gabandirú”, em alusão ao presídio do Carandirú, e realmente era o que parecia. A indisciplina era enorme, a violência era explícita.

Nesta época a mídia noticiava os recorrentes casos de violência na escola, inclusive no SPTV. Desde que iniciei meu trabalho nesta escola levei letras de RAP para sala de aula. Com o tempo, aqueles chamados “alunos-problema”, que só ficavam no pátio da escola, começaram a entrar nas minhas aulas, e as aulas aconteciam, sem indisciplina alguma. Um dia, conversando com um amigo, em 2006, ele me informou que era relativamente fácil gravar músicas. Resolvi chamar todos os professores da escola e iniciar o “projeto Hip Hop Gaban – Semana da consciência negra”.

Neste projeto, os alunos escrevem seus poemas (RAP é sigla de Rhythm And Poetry), escolhem uma base musical, ensaiam e gravam a música. O primeiro CD “Rap Gaban” continha 6 músicas, que fizeram sucesso aqui no bairro. Uma rádio comunitária colocou na programação as músicas dos nossos alunos, no ano seguinte, o Club House, ONG aqui do bairro, nos chamou para gravarmos as músicas em seu estúdio. De lá pra cá o projeto cresce a cada ano. Em 2012, o projeto ganhou repercussão nacional recebendo os prêmios “Microsoft educadores inovadores”, o “6º Prêmio educar para a igualdade racial” e o prêmio “Aprender e ensinar tecnologias sociais”.

O projeto também se tornou um TCC na UNICAMP, com o título: “O Hip Hop como ferramenta no combate à indisciplina”. Mas sem dúvidas, o maior prêmio recebido foi o de ver os alunos participando ativamente das aulas, valorizando o 5º elemento do Hip Hop, o conhecimento. Também fico feliz em ver que a indisciplina e a violência diminuíram consideravelmente na escola. Em ver que os indicadores educacionais, sobretudo IDEB e IDESP, aumentaram consideravelmente desde 2006, e de saber que o projeto de Hip Hop possui papel importante neste processo de melhoria do ensino oferecido pela escola. Participante: Jair Messias Ferreira Junior. Estado: SP. Cidade: Osasco E. E. Professor Armando Gaban

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