“Da onde surgiram as fábulas, os contos, os romances, as lendas? E alguém aqui saberia me dizer alguma história fantástica?” Pois bem, foi assim que me apresentei para três turmas do 6° ano. O objetivo foi mostrar-lhes o quanto as fábulas e lendas estão inseridas em suas vidas, e assim motivá-los a criar suas próprias histórias, transitando por diversas linguagens artísticas antes de chegar à palavra escrita. Após trabalhar dois meses com a relação entre tradição oral, tradição escrita e preconceito linguístico, sentamos em circulo, e pedi que contassem lendas urbanas, causos etc. O que resultou na participação da maioria dos alunos, mesmo os conhecidos como agitados e bagunceiros na escola.
Enquanto eles contavam causos eu introduzia a estrutura lógica que constitui as narrativas, tais como: Situação Inicial, Conflito inicial, Aprofundamento do Conflito, Clímax e Resolução. Após a percepção desses conceitos em suas próprias histórias, e na dos colegas, iniciei uma sessão de filmes, músicas, leitura e interpretação de fábulas, com o objetivo de encantá-los, em primeira instância, e reforçar os conceitos estudados antes de introduzi-los à escrita criativa. Após cinco meses de “aquecimento”, eles, animados, começaram a produzir suas próprias histórias, um parágrafo por dia. Durante esse processo de escrita comecei a ficar mais próximo de suas reais dificuldades.
Eles me pediam sugestões, perguntavam se a história estava emocionante ou não, se o tema era bom, se poderiam usar gírias, ou seja, para minha satisfação, eles estavam felizes e interessados com o que estavam fazendo. Ao termino do trabalho de escrita, eles passaram a limpo suas histórias, colocaram título, fizeram capa e me entregaram. Na correção dos textos trabalhei questões de ortografia, coesão e coerência, organizei rodas de leituras para que eles lessem suas histórias e a dos amigos. Por meio de avaliação processual e prática, percebi que os alunos mais tímidos começaram a participar mais; os mais agitados e com dificuldades em respeitar a fala do professor e colegas, passaram a ouvir mais, na ansiedade de também lerem suas histórias. Aqueles que diziam não gostar de ler relataram que o gosto surgiu a partir das rodas de leituras e interpretação de suas próprias histórias. E respondendo à pergunta que se tornou frequente nas aulas, após esse trabalho: “Sim, podem ler suas histórias!”. Jonas Pereira Santos-E.E. Thomazia Montoro-São Paulo – SP